A nova HQ de The Witcher foi finalizada essa semana, no dia 13 de maio! Intitulada Blood Stone, a história segue a duradoura parceria da CD Projekt Red e Dark Horse Comics e foi lançada como suas predecessoras, dividida em quatro partes. Em sua equipe criativa temos roteiro de Daniel Freeman, com artes e cores de Plus Bak e Roman Titov.
Uma história de ganância
Quando falamos de sua narrativa, temos Geralt em uma aventura que começa praticamente sem querer. Ao passar por uma região montanhosa e fria, o bruxo se depara com uma vila que pede sua ajuda para resolver um problema que está causando a morte de moradores e viajantes. A região é conhecida por suas minas e um lendário tesouro que atrai muitos aventureiros, porém algo está ocasionando mortes mais frequentes.
As investigações iniciais não mostram nada demais e indicam como causa acidentes, mas não demora para o problema tomar grandes proporções na região. A partir deste plot, a aventura se desenvolve e apresenta camadas interessantes com personagens que despertam nossa atenção e bem trabalhado em suas motivações.

É positivo como a HQ funciona como uma side quest dentro de um plano maior. Esse elemento foi bem trabalhado em outros títulos da Dark Horse Comics que tem Geralt como protagonista e não é diferente em Blood Stone. A abordagem independente deixa a história acessível pela sua independência, podendo chamar a atenção para leitores pouco ou nenhum contato com o fascinante universo de The Witcher.
Vale comentar que a localidade onde a história se passa não é revelada, porém quando analisamos pela geografia montanhosa, temperaturas mais geladas e uma região de passagem, pode muito bem se tratar das proximidades de Kaedwen. Outro elemento que pode reforçar a localização é o clima semelhante ao que é visto no inverno de Kaer Morhen e uma mistura de raças – com a presença de anões, por exemplo – sem tantos problemas.
Arte e colorização
A arte é bem competente e combina com o tom narrativo. Diferente de outros volumes, essa história trabalha mais o tempo presente, assim, mantendo um padrão de cores mais vivas e constantes do que histórias que trabalham passado e presente. Normalmente, quando trabalhados diferentes tempos, tons mais pastéis guiam essa mudança temporal como um guia visual para localizar o leitor.
Mesmo sem grandes batalhas, a diagramação é dinâmica e consegue trabalhar a crescente tensão entre os personagens. Sem dúvida, Blood Stone tem mais elementos intimistas em sua construção do que outras histórias como “The Bear and Butterfly” e “Wild Animals”. Graças a diagramação, cores e um bom trabalho de desenho, temos a utilização de pequenos detalhes para uma boa composição de elementos investigativos com toques filosóficos. Bem menos do que podemos ver em “Fading Memories”, mas extrapolando o limite de ser só um quadrinho.

Contextos e subtextos
Seja nos jogos, livros e também nas hqs, The Witcher é permeado por diversos temas que enriquecem a construção de seu universo e podem tornar cada missão única. Se em “Fading Memories” foram levantadas questões mais existencialistas sobre o lugar no mundo em contraponto à utilidade social, em Blood Stone temos como um tema a ganância, vingança e revanchismo.
Ao ler a HQ e ver a ação dos personagens, ficam questões como: o revanchismo vale a pena? Até quando uma geração deve pagar pelo erro de seus predecessores? E sim, acredito que reparações devem existir, porém o que fazer quando uma reparação se torna vingança?

São pontos interessantes de se pensar e difíceis de responder, se é que há uma resposta correta. Os contextos e os múltiplos subtextos que o universo de The Witcher consegue trabalhar são fascinantes, o que torna não só a hq, mas a franquia como um todo tão rica.
Veredito
The Witcher: Blood Stone é uma história que vale muito a pena ler. Sua arte e colorização são boas, seu roteiro consegue trabalhar diversos temas e quando falamos do conjunto da obra é bonito como o quadrinho explora bem momentos mais discretos para torná-los mais dinâmicos. Graças a isso, o foco se concentra no clima de tensão crescente e ameaça iminente. Os subtextos e personagens apresentados são bem trabalhados, o que dá mais importância para seus destinos e decisões.









