Durante a gamescom latam 2026, circulando pelo estande da Critical Reflex, a movimentação em volta de Drowned Lake chamava atenção. O jogo de terror brasileiro, que mergulha no folclore e em feridas sociais do país, foi uma das experiências mais comentadas do evento.

Conversamos com Ana Machado, produtora na Monumental Collab, para entender como o estúdio transformou lendas, memórias e horror analógico em uma aventura que deixa marcas.

Utilização de questões históricas

Drowned Lake se destaca não só pela sua criação de suspense, mas também pela sua temática conversar diretamente com o brasileiro. Perguntamos à Ana como foi o processo de pesquisa para poder construir esse universo:

Temos um designer de narrativa dedicado, então não consigo falar a fundo de cada decisão, mas sei que foi um trabalho de muita pesquisa e de várias camadas de influência. Passa por questões históricas, revoltas, a tragédia de Brumadinho, até chegar nas lendas e mitos regionais — o Minhocão, o Cabeça de Cunha, figuras do Sul do Brasil. Ao mesmo tempo, bebemos muito de referências do cinema e dos games: A Bruxa de Blair, terrores analógicos, Silent Hill 2, Darkwood. Foi uma grande amálgama de tudo isso para construir a narrativa.

Drowned Lake
Reprodução/Monumental Collab

Força do terror analógico

Drowned Lake não é o primeiro jogo de terror analógico feito pela Monumental Collab: seu predecessor é Teleforum, uma visual novel que segue a mesma linha em termos de terror e que, segundo Ana, teve um grande peso no desenvolvimento de Drowned Lake:

Drowned Lake carrega muito do que aprendemos durante o desenvolvimento de Teleforum, nossa visual novel de terror analógico. Boa parte da equipe que trabalhou em Teleforum também está em Drowned Lake, e isso facilitou a construção dessa atmosfera. As sessões em primeira pessoa, por exemplo, vieram desse aprendizado — trazer a lógica do point and click e do analógico para uma experiência nova. Tanto o visual quanto o som seguem essa linha de tecnologia assombrada que a gente gosta de explorar. […] Drowned Lake expande isso com segmentos em primeira pessoa e uma ambientação muito mais imersiva. Foi um passo natural de evolução.

Drowned Lake
Reprodução/Monumental Collab

Tragédias da vida real e seu impacto no desenvolvimento

Fazendo referências claras à tragédias recentes da história do Brasil como Brumadinho e as enchentes do Sul, Drowned Lake busca lembrar que esses acontecimentos também impactam os desenvolvedores do país:

A questão é que esses temas são parte da nossa vivência enquanto desenvolvedores brasileiros. Durante o desenvolvimento de Drowned Lake, membros da equipe foram diretamente afetados pelas enchentes no Sul. Não é algo colocado de fora — são assuntos com os quais temos conexão real. E acho que quem joga percebe isso, consegue se enxergar ali também.

Drowned Lake
Reprodução/Monumental Collab

Influência do público e parcerias

Um ponto interessante proporcionado por eventos como a gamescom latam é a possibilidade de conectar o público com esses jogos que ainda serão lançados, como é o caso de Drowned Lake:

É sempre especial. Você passa muito tempo desenvolvendo e, de repente, vê aquilo saindo do papel, vê a reação das pessoas. Dá para colher feedbacks, sentir como a experiência é recebida. E claro, tem a questão da visibilidade, de alcançar mais gente. Estar presente nesses eventos é muito importante para o estúdio.

A conexão também não é só com o público, mas também de estúdios com publishers. No caso da Monumental Collab, a parceria com a publisher Critical Reflex rende frutos há algum tempo:

Trabalhamos juntos desde Teleforum, que foi o primeiro jogo de terror da Critical, inclusive. A publisher deu uma guinada e hoje trabalha bastante com terror. Eles nos auxiliam muito no marketing, no QA. É uma relação bem de parceria mesmo, bem tranquila.

Drowned Lake
Reprodução/Monumental Collab

Próximos passos

Para finalizar a conversa, Ana comentou sobre o que o público pode esperar da Monumental Collab após o lançamento de Drowned Lake:

O nome do estúdio vem de ‘terror monumental’ — aquela imagem que fica com você, não necessariamente um jumpscare, mas algo como as gêmeas de O Iluminado. Esse tipo de horror é a nossa identidade. Gostamos de explorar tecnologia assombrada e isso casa muito com o terror analógico. Então, pode esperar que a gente vai continuar expandindo esses temas e esse estilo. O terror da Monumental Collab segue firme.

Drowned Lake
Reprodução/Monumental Collab

Drowned Lake segue em desenvolvimento e será publicado pela Critical Reflex. A demonstração apresentada na gamescom latam deixou claro que o estúdio mineiro sabe transformar o que é nosso — nossas lendas, nossos traumas, nossas paisagens — em matéria-prima para um horror que gruda na memória.

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