Death By Scrolling é um roguelike de ação com rolagem vertical automática que chegou ao PC via Steam no final de outubro de 2025 e foi lançado para Playstation 5, Xbox Series X|S e Nintendo Switch em abril de 2026.

O jogo foi criado pelo Terrible Toybox, estúdio fundado pelo lendário designer de adventures Ron Gilbert, mais conhecido pela série Monkey Island, e publicado pela MicroProse. O jogo se encaixa perfeitamente no nicho dos jogos de “só mais uma tentativa”, misturando velocidade alucinante, morte permanente e um humor seco e espirituoso que só poderia vir da mente de Gilbert.

Um além corporativo

A premissa é a essência de Ron Gilbert. Você está morto, mas a vida após a morte não é um descanso tranquilo: é o Purgatório S.A., um pesadelo burocrático que está sob nova direção e é administrado como uma empresa sem alma.

Sua única saída é escalar. Em algum lugar lá em cima, um Barqueiro aguarda, mas o preço que ele cobra é assustador: 10.000 moedas. Cada partida se transforma em uma corrida desesperada para subir por andares infinitos gerados de forma procedural, destruindo objetos, derrotando criaturas bizarras do submundo e recolhendo cada moeda e gema que encontrar pelo caminho.

A narrativa nunca se leva a sério. Os diálogos estalam com o mesmo jogo de palavras excêntrico que os fãs de Gilbert adoram há décadas, e o mundo é recheado de detalhes absurdos que fazem até a tela de game over parecer uma piada. Não há melodrama épico aqui, apenas uma premissa inteligente e autoconsciente que lhe dá um motivo para continuar subindo enquanto você sorri diante do ridículo completo da situação.

O recente lançamento para consoles também trouxe uma atualização gratuita de conteúdo para todas as plataformas, adicionando uma nova personagem jogável e um bioma totalmente inédito — então até mesmo quem adquiriu o jogo no PC no lançamento tem uma razão para mergulhar de volta nesse submundo corporativo distorcido.

Death By Scrolling
Reprodução/Terrible Toybox

A tela que não para de subir

A jogabilidade é construída sobre uma única regra implacável: a tela nunca para de subir. Se você cair no fundo da tela, sua partida acaba na hora. Essa pressão vertical constante transforma cada instante em uma corrida frenética para encontrar a próxima plataforma, destruir uma cadeia de inimigos ou agarrar um punhado de moedas antes que o vazio flamejante o consuma. O próprio Ceifador persegue você por baixo e, embora não possa matá-lo, é possível atordoar, esquivar e enganar o perseguidor encapuzado para ganhar preciosos segundos.

O elenco de personagens jogáveis garante uma boa variedade. Cada herói possui vantagens e habilidades distintas, sugerindo abordagens diferentes para a mesma escalada caótica. Antes de cada tentativa, você escolhe sua alma condenada, e a jornada para cima se torna uma sequência de decisões instantâneas sobrepostas a um sistema de combate simples, porém satisfatório.

Ao longo do caminho, você encontrará missões secundárias opcionais e imponentes chefes demoníacos que trancam o topo de cada nível, oferecendo recompensas extras para aqueles dispostos a arriscar uma morte precoce. Entre os combates, é possível gastar o valioso butim com vendedores excêntricos no meio da partida, comprando melhorias que podem levá-lo um pouco mais longe. A morte permanente significa que cada fracasso o manda de volta ao início, mas as tabelas de classificação globais acrescentam um tempero competitivo, permitindo que você compare suas melhores subidas com as de outros jogadores que enfrentaram o mesmo inferno corporativo. É um ciclo que exige reflexos, recompensa o gerenciamento de monstros e nunca deixa você respirar aliviado.

Death By Scrolling
Reprodução/Terrible Toybox

Veredito

Por menos do que o preço de muito lanche por aí, Death By Scrolling entrega um pacote polido e cheio de personalidade. O estilo visual é limpo e legível, algo fundamental quando a tela rola sem piedade e os inimigos congestionam o caminho. Os sinais sonoros fornecem o retorno necessário para você reagir sem desviar os olhos da ação.

O que realmente diferencia o jogo, no entanto, é a facilidade com que ele canaliza a voz cômica de Ron Gilbert por meio de um gênero que raramente prioriza o texto. As observações impassíveis do narrador, os designs absurdos dos inimigos e o próprio conceito de um departamento de RH do além se unem em uma experiência que parece ao mesmo tempo familiar e revigorantemente original.

O lançamento no Steam já se estabeleceu como um jogo simples e viciante, e a estreia nos consoles só adoça o pacote com a expansão gratuita de personagem e bioma. Se há uma crítica a ser feita, é que o ritmo incansável pode esgotar os jogadores que preferem um roguelike mais metódico.

Death By Scrolling não se importa com o seu planejamento cuidadoso; ele quer que você se mova, e se mova agora. Essa intensidade não vai agradar a todos, mas para quem aprecia jogos de ação frenéticos com alma — e um senso de humor perverso — é absurdamente fácil de recomendar. Em um mercado abarrotado de roguelikes, este aqui se destaca não porque reinventa a roda, mas porque envolve um desafio genuinamente engraçado e bem ajustado em torno de uma mecânica que parece ao mesmo tempo original e natural. É um jogo pequeno com um sorriso enorme e é difícil imaginar qualquer fã do trabalho de Gilbert ou da ação em alta velocidade saindo desapontado.

Death By Scrolling
Reprodução/Terrible Toybox

Death By Scrolling já está disponível para PC e consoles.

*Análise escrita com chave para PC cedida pela MicroProse

REVER GERAL
Enredo
Direção
Trilha Sonora
Jogabilidade
Design
Matheus
Fã de Yu-Gi-Oh!, Drakengard/NieR, Ys e Trails. Nas horas vagas, analista de Relações Internacionais e professor de inglês.
critica-death-by-scrolling-traz-o-melhor-que-o-lendario-ron-gilbert-tem-para-oferecerDeath By Scrolling não se importa com o seu planejamento cuidadoso; ele quer que você se mova, e se mova agora. Essa intensidade não vai agradar a todos, mas para quem aprecia jogos de ação frenéticos com alma — e um senso de humor perverso — é absurdamente fácil de recomendar. Em um mercado abarrotado de roguelikes, este aqui se destaca não porque reinventa a roda, mas porque envolve um desafio genuinamente engraçado e bem ajustado em torno de uma mecânica que parece ao mesmo tempo original e natural. É um jogo pequeno com um sorriso enorme e é difícil imaginar qualquer fã do trabalho de Gilbert ou da ação em alta velocidade saindo desapontado.