Welcome to Elderfield é um jogo independente de simulação de fazenda e vida social com um toque assustador, criado pelo desenvolvedor solo Chris Cote e publicado pela Kwalee.
Construído no RPGMaker, ele imagina um mundo onde os ritmos suaves da vida rural colidem com um horror cósmico rastejante, lembrando um Stardew Valley macabro desenhado no estilo cru e perturbador do mangaká de horror Junji Ito.
Embora o jogo completo ainda esteja em desenvolvimento, tivemos acesso a uma versão de preview do jogo, que oferece um vislumbre antecipado de seu charme singularmente mórbido.
Um mundo assustadoramente belo
A primeira coisa que prende sua atenção em Elderfield é sua identidade visual. A paleta monocromática e o traço densamente hachurado parecem ter saído diretamente das páginas de um mangá de terror, com campos ondulantes de plantações, edifícios decrépitos e os rostos macilentos dos habitantes, todos representados nessa mesma estética inquietante feita de nanquim.
Não é um jogo que depende de sustos repentinos para perturbar; em vez disso, a inquietação está incrustada em cada quadro, transformando uma simples caminhada pela cidade em um arrastar lento sob o peso de uma ameaça silenciosa. O céu nunca chega a clarear de fato, e até os animais parecem observá-lo com uma imobilidade desconcertante.
Essa direção de arte permite que o criador funda dois tons aparentemente opostos: o ciclo acolhedor e satisfatório de cuidar da fazenda e a ansiedade persistente e sutil de que algo está terrivelmente errado logo abaixo da superfície. O design sonoro e a interface minimalista reforçam esse casamento, jamais quebrando o feitiço com excesso de elementos de jogo. O resultado é um lugar que parece genuinamente habitado e, ainda assim, totalmente alienígena, onde o simples ato de fazer amigos se torna um exercício de curiosidade cautelosa.

Fazenda com presas
Sob a estética soturna, o esqueleto da jogabilidade parecerá calorosamente familiar a qualquer pessoa que já perdeu horas em um simulador de fazenda. Na demonstração, você começa limpando o terreno, plantando e criando animais, processando gradualmente suas colheitas em produtos mais valiosos.
A cidade de Elderfield funciona em seu próprio ritmo, e seus habitantes peculiares aceitam presentes, oferecem tarefas e lentamente revelam suas próprias camadas estranhas. Pesca, culinária e coleta fornecem as atividades secundárias esperadas, todas elas retroalimentando sua energia e sua capacidade de avançar para locais mais perigosos.
É nesses locais que o jogo mostra suas presas. A preview inclui a primeira dungeon, um shopping center abandonado com mapas gerados aleatoriamente, onde o combate por turnos substitui a enxada e o regador. A luta contra criaturas bizarras e chefes formidáveis é deliberada e tática, exigindo uso cuidadoso de itens e estratégia clara. A mineração é igualmente tensa, com poços mutáveis que guardam tanto recursos preciosos quanto segredos letais.
O que mais impressiona nessa fatia inicial é o quão naturalmente as duas metades do jogo se alimentam. A fazenda não é mera distração, mas o motor que impulsiona a exploração, e os horrores enfrentados no subsolo fazem o terror silencioso da superfície parecer quase um alívio.

Veredito
O que diferencia Welcome to Elderfield, e que a preview apenas começa a sugerir, é a profundidade de sua narrativa carregada de horror e de escolhas que alteram o mundo. A premissa fala de uma cidade que raramente deixa alguém ir embora, e seu retorno é assombrado pela necessidade de suplicar aos Deuses Antigos, comungar com os mortos e navegar uma realidade onde morrer durante o sono é uma ameaça genuína. Noticiários locais exibem eventos sinistros, e os mistérios descobertos prometem bênçãos poderosas e maldições letais baseadas em suas decisões.
A versão de preview representa aproximadamente um sexto do conteúdo planejado, com o lançamento completo podendo mais do que triplicar a área explorável, adicionar pelo menos mais duas masmorras e introduzir um sistema de alinhamento com os Deuses Antigos, além de eventos baseados em calendário que aprofundarão a sensação de um mundo vivo, palpitante e em lenta decadência.
Mesmo em sua forma abreviada, a demonstração deixa uma impressão duradoura: um equilíbrio delicado entre a rotina aconchegante e o arrepio que percorre a pele, algo que soa novo em um gênero bastante povoado. Para aqueles que anseiam cultivar nabos enquanto meio esperam que algo cultive você de volta, é um jogo que merece ser acompanhado de perto e uma adição fácil à sua lista de desejos.

Welcome to Elderfield ainda não possui data de lançamento, mas os jogadores interessados podem conferir uma demo do jogo disponível gratuitamente na Steam.
*Análise escrita com chave para PC cedida por Masamune









