Lançado em março de 2024 para PC (via Steam), Mori Carta chegou em junho de 2026 para as plataformas Xbox Series X|S, Nintendo Switch e Playstation 5. Desenvolvido e publicado pela Nevergreen Games, o título tem a proposta de ser um cardgame roguelike com mecânicas de luta interessantes, mas que peca na forma com que aplica a construção de baralhos.

Bom, já vale a pena iniciar a análise com tópicos sensíveis: o uso de IA para o desenvolvimento do título. Na página da Steam, a desenvolvedora já deixa claro que foi utilizada IA generativa para a criação de imagens estáticas e efeitos de transição, mas as artes para todas as cartas feitas por artistas contratados. Até aí vê-se um uso “mínimo” dentro do processo, porém que incomoda justamente por ser tão pontual e que poderia também ser feito por humanos.

Mori Carta - 1
Reprodução/Nevergreen Games

Em relação a sua gameplay, temos em Mori Carta mecânicas de batalhas diferentes de outros deckbuilding roguelikes. Isso porque todas as ações são tomadas pelo jogador e os golpes inimigos adicionados ao seu deck de jogo. Sendo as cartas divididas em duas partes, jogar a carta para a direita ou esquerda irá resultar em diferentes efeitos e consumo de recursos. Outra diferença crucial é que é mostrada apenas uma carta por vez, fazendo com seja obrigatório lidar com as cartas inseridas para “sujar” o seu deck.

Entre as batalhas podemos realizar melhorias significativas nas cartas, como por exemplo dividir uma carta em duas – o que aumenta a parte boa do nosso deck e facilita a otimização do uso das cartas -, realizar trocas e eliminações de cartas desnecessárias para o momento e até mesmo fazer updates. Ao final da run, o jogador pode liberar novas cartas e ao longo do gameplay ter acesso a novas classes de personagens. Estes que trazem diferenças significativas em suas estratégias.

Mori Carta - 2
Reprodução/Nevergreen Games

Porém, o que mais afeta negativamente o jogo é como a escolha de novas cartas para o deck afeta a ideia de deckbuilding. Tal qual a gameplay, escolher uma nova carta implica em ver apenas uma carta de todas as disponíveis por vez. Assim, sendo obrigado a ficar com ela ou descartá-la. Este formato obriga o jogador a escolher suas cartas às cegas, quebrando a ideia de criação de combos e consequentemente frustrando em muitas escolhas não por falha do jogador, mas sim por mecânicas naturais do game.

Veredito

Apesar do uso de IA, Mori Carta é divertido e consegue se destacar por trazer uma gameplay diferente ao cumprir parcialmente bem o que se espera de um deck building roguelike. As mecânicas das classes carregam ideias diferentes e proporcionam experiências variadas a cada tentativa com boas interações entre as cartas. Porém, a forma com que a escolha de novas cartas é feita prejudica a construção de boas estratégias e deixa a sorte o elemento de construção, podendo frustrar o jogador por perder uma carta que teria melhor desempenho.

*Chave para review enviada pela Nevergreen Games para Xbox Series X|S e Nintendo Switch

REVER GERAL
Gameplay
Deckbuild
Visual
Ambientação
Sonorização
Renan Alboy
Mestre em Ciência da Computação e Jornalista. Editor Chefe do O Megascópio e apaixonado por jogos!
critica-mori-carta-e-divertido-mas-peca-em-mecanicas-de-deckbuildApesar do uso de IA, Mori Carta é divertido e consegue se destacar por trazer uma gameplay diferente ao cumprir parcialmente bem o que se espera de um deck building roguelike