Beholder: Conductor foi lançado em abril de 2025 para PC (via Steam), sendo desenvolvido e publicado pela Alawar. Agora, no início do segundo semestre de 2026, o game chegou para as plataformas Playstation 5 e Xbox Series X|S com todos os seus desafios de tentar controlar tudo à sua volta com as mais variadas atitudes e variações morais para sobreviver.
Para jogadores que já curtem um bom simulador de ações políticas e que suas ações podem alterar drasticamente os rumos das vidas dos personagens, Beholder já é um nome conhecido. Trazendo esse título, um primeiro jogo foi lançado em 2016 para PC, sendo Conductor um spin off que mantém premissas semelhantes, porém com mudanças de ambiente e de decisões que cria outro tipo de tensão.

Enquanto o jogo de 2016 colocava o jogador no papel de um síndico, no spin off nosso protagonista assume o papel de condutor de um trem. Sua tarefa principal não é só levar as pessoas de um lado para o outro, mas se estende para vigiar, expulsar e até mandar prender caso encontre provas de contravenções. Mas que contravenções seriam essas? Bom … aí temos algumas das mecânicas do jogo e o que o torna divertido por exigir sua atenção.
Tudo é permitido até que não é mais
Se passando em um país com um contexto político ditatorial, o jogo deixa claro desde o início sua ideia de simulação política e o quão opressiva é a situação em que o país se encontra. Essa repressão é exercida pelo próprio jogador, que no papel de um membro do estado está submetido ao que pode ou não fazer. Em um dia é permitido cantar, no seguinte é passada uma nova lei que torna cantadas um ato passível de ser reportado ao governo como uma contravenção.
As adições de regres estação após estação é o que dá gancho para como jogar, pois a partir disso podemos buscar provas bisbilhotando ou revistando as bagagens dos passageiros. Dentro desta possibilidade, roubando ou os incriminando também. Aceitar proposta de suborno dos revolucionários ou se submeter ao sistema é possível, mas por conta e consequência do jogador.

Cada caminho tomado afeta a moral do condutor, caso ela fique muito baixa sua partida termina e retorna ao último save point. Já se atingir uma moral alta, o condutor pode ser promovido e ter ainda mais acesso, favores e missões.
Um bom exemplo de consequência dos seus atos já pode ser visto logo no começo do jogo. Ao ajudar uma passageira ela oferecerá um prêmio: um ursinho de pelúcia ou uma arma. Caso você pegue a arma, em uma ação futura, você irá confrontá-la, podendo atirar nela ou deixar ela passar. Dependendo novamente de sua escolha os caminhos vão se ramificando ainda mais e envolvendo mais personagens.
Quando comparado ao primeiro jogo, que trazia como plano de fundo o gerenciamento de um conjunto de apartamentos, temos em Beholder: Conductor mecânicas mais expansivas em seus desdobramentos. Mesmo que boa parte da jogabilidade se mantenha, a mudança de cenário consegue trazer uma visão mais ampla da situação política da nação representada, juntamente com novos dilemas.

Visual e controle
Visualmente o jogo está bem interessante com sua pixel arte caprichada e trilha sonora que consegue criar a tensão necessária na ambientação da narrativa. Os menus são intuitivos e mesmo que tenhamos que lidar com diferentes relatórios, os momentos de tutoriais são explicados de forma entendível.
Agora, comparando a jogabilidade do PC com os consoles, é necessária uma certa adaptação do jogador para movimentar a câmera junto com o personagem pelo trem. Não é uma tarefa tão árdua assim, porém não é incomum que num primeiro momento você perca o personagem de vista pelos vagões. Devido a forma com os analógicos são usados em comparação ao mouse a tarefa de investigar o bagageiro dos passageiros também fica um pouco mais lenta.
Veredito
Behold: Conductor é um jogo que supera as expectativas de quem já teve contato com seu anterior. Ele se expande em termos geográficos e coloca o jogador para ver os acontecimentos de perto, não mais de forma distante como no gerenciamento dos apartamentos que transmitia resultado a partir dos jornais. Aqui tudo acaba sendo mais visceral. Seu visual e trilha sonora são competentes, mostrando bem a par do antecessor.
Dito isso, é um jogo surpreendente que vale muito a pena ser jogado! É uma daquelas gameplay que podem começar casualmente, mas se tornar aquele pensamento intrusivo que tenta prever quais serão os resultados das ações nos personagens que cercam o nosso protagonista.
*Chave para análise enviada para Xbox Series pela Alawar









