Unir a meticulosidade de um city builder à estratégia de um deck building é uma aposta ousada que poucos estúdios fizeram. O jogo Ironhive, dos brasileiros do Wondernaut Studio, abraça essas duas mecânicas e as envolve em uma atmosfera densa e sombria, quase lovecraftiana.
Conversamos com Bruno Klipel, diretor de tecnologia do estúdio, na gamescom latam 2026 para entender como a ideia nasceu, de que forma o cenário independente nacional impulsionou o projeto e o que os jogadores podem esperar desse game que está prestes a chegar ao PC.
O começo
Ironhive chama a atenção pela mistura de deck building com city building, dois gêneros que não tem um longo histórico de associação. Perguntamos para Bruno como foi chegar até essa ideia:
Isso surgiu em 2022, durante uma Game Jam que na época ainda era o BIG Festival. Meu sócio já vinha pensando em algo relacionado a construção de baralho, e, conversando, chegamos à questão: e se a gente misturasse as duas? Não existia nada igual, era algo diferente, e a Game Jam era o ambiente rápido e perfeito para testar. Testamos, funcionou, e dali seguimos em frente.
Além da excentricidade no que diz respeito às mecânicas, Ironhive também se destaca pela atmosfera mais pesada, muito diferente do trabalho anterior do estúdio em Aspire: Ina’s Tale. Bruno falou um pouco sobre o que a equipe levou de um projeto para o outro:
Realmente, os jogos são completamente diferentes. Nosso estúdio é muito versátil. Gostamos de experimentar, e o lema aqui é ‘Dreamers Only’. Acreditamos que somos sonhadores, e um sonhador não tem um único sonho, tem vários. Aspire: Ina’s Tale representa isso, e Ironhive também: uma experiência única. Mas não achamos que os jogos precisam ter conexão direta. Cada um tem seu mundo e sua história, bem opostos, inclusive.

Complexidade no desenvolvimento
Quando se trata de gameplay, Ironhive se destaca pela necessidade de pensar no legado, onde o jogador tem que preparar o terreno para turnos futuros tanto literal quanto figurativamente, mostrando muita complexidade em seu design:
Em termos de desenvolvimento, a complexidade é alta. Houve várias dificuldades, que fomos superando junto com o game designer. Mas essa noção de legado esteve presente desde o início. Queríamos que o jogador criasse um legado e que o jogo demonstrasse isso, que a cidade erguida fosse a marca dele. E ainda fosse possível comparar essa dimensão com o legado de outros jogadores.

Crescimento no cenário indie
Com um espaço já consolidado dentro do mercado indie brasileiro, a Wondernaut Studio se voltou à publisher Critical Reflex para formar uma parceria buscando o lançamento do Ironhive. Perguntamos para Bruno como ele enxerga o mercado como um todo e como essa parceria beneficia o estúdio:
O cenário independente brasileiro cresceu muito e está cada vez mais forte. Sempre houve muita qualidade por aqui, mas era difícil mostrar isso para fora do país. Acho que isso começou a mudar antes da pandemia, e durante a pandemia se intensificou: o mundo passou a olhar para o Brasil com outros olhos. A qualidade que sempre tivemos ficou muito mais nítida. Isso nos ajudou. Chegamos à Critical Reflex por causa daquela Game Jam de 2022. Ganhamos o prêmio de melhor jogo de console/PC, o que facilitou o contato com publishers. Conversamos com várias, e o melhor match foi com a Critical. Eles curtiram muito o jogo e avançamos juntos.

Janela de lançamento próxima
Como todo bom jogo esperado pelo público, finalizamos nossa conversa com Bruno perguntando sobre o lançamento de Ironhive – se já existe uma janela de lançamento e se o jogo chegará para outras plataformas além do PC:
Ainda não temos uma data definida, mas o jogo está em polimento, nos últimos ajustes. Acreditamos que em mais alguns meses ele estará disponível na Steam.
Hoje nosso foco é totalmente PC. O caminho para PC é mais simples, enquanto consoles envolvem processos mais complexos. Além disso, Ironhive usa mouse e é um jogo de estratégia, o que o torna muito mais interessante no PC. Não descartamos um lançamento futuro para consoles, mas no momento não estamos olhando para esse lado.

Com um conceito que desafia gêneros e uma atmosfera que prende o jogador, Ironhive se prepara para ser mais um título brasileiro a conquistar espaço no mercado global.
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