Seguindo a jornada d’O Megascópio pela cronologia da franquia Ys, hoje visitamos Ys: The Oath in Felghana.
Originalmente lançado em PC em 2005 e otimizado para a Steam, esta reinterpretação de Ys III: Wanderers from Ys transformou um jogo lateral controverso em uma obra-prima do gênero.
História: um retorno ao caos
Adol Christin e seu leal companheiro Dogi chegam à terra natal de Dogi, Felghana, após oito anos de ausência, esperando descanso. Em vez disso, encontram um reino em caos: infestações de monstros assolam as regiões fronteiriças, o Vulcão Valestein adormecido despertou, e o tirânico Conde McGuire oprime os cidadãos de Redmont.
Enquanto Dogi reconecta-se com seu passado, Adol descobre uma conspiração que une corrupção política, artefatos ancestrais e uma ameaça demoníaca capaz de engolfar o mundo.
Embora o enredo siga clichês clássicos de JRPG — governantes cruéis, traições familiares e males ressuscitados —, sua força está na intimidade emocional. Através das relações de Dogi com amigos de infância como Elena e o conflituoso Chester, a narrativa equilibra grandes apostas com dramas pessoais.
As 10–15 horas de duração garantem um ritmo ágil, focando em momentos impactantes sem enrolação.

Jogabilidade: combate preciso e exploração ágil
Oath in Felghana exemplifica a Napishthim Engine da Falcom, unindo combate ultrarrápido a exploração ambiental intrincada.
Mecânicas Principais
- Sistema de combate: golpes de espada, pulos e três braceletes mágicos (Fogo, Vento, Terra) permitem combos fluidos. O Boost Gauge aumenta temporariamente velocidade, defesa e sequências de ataques, transformando batalhas em danças rítmicas de evasão e agressão.
- Progressão: derrotar inimigos concede buffs temporários (bônus de EXP, defesa reforçada), dispensando inventários abarrotados. Poder permanente vem de equipamentos e relíquias como o Double Jump ou a Spirit Cape.
- Chefes: inimigos gigantes como o Fire Dragon ou Chester exigem leitura de padrões e uso preciso de magias. Os quadros de invencibilidade do Earth Shield, por exemplo, tornam-se vitais no final do jogo.
Elementos metroidvania e plataforma
As masmorras alternam perspectivas — de quebra-cabeças isométricos a plataformas laterais — incentivando backtracking com novas habilidades. A torre espiral do Valestein Castle, com sua câmera rotativa, exemplifica como o level design alia desafio e criatividade.

Visuais: charme retrô com polimento moderno
A versão Steam supera remasters recentes como Ys Memoire com suporte nativo a alta resolução (até 4K) e efeitos de sangue originais preservados (censurados nas edições PSP/Memoire).
Embora os modelos dos personagens mantenham uma estética chibi encantadora, cenários como a cidade de madeira de Redmont ou as montanhas cinzentas de Eldeme exibem cenários pré-renderizados vibrantes. Algumas texturas repetidas são visíveis em HD, mas a direção de arte consistente compensa.

Trilha sonora: uma obra-prima da Falcom
A trilha de Felghana é lendária entre fãs, fundindo guitarras elétricas, arranjos orquestrais e melodias sintetizadas em hinos de batalha eletrizantes. A edição Steam inclui duas trilhas:
1. Modern (2005): os icônicos arranjos de rock de Jindo Yukihiro.
2. X68000 & PC-88: versões chiptune retrô de lançamentos antigos de Ys III.
Canções como The Boy’s Got Wings e Valestein Castle transformam exploração e chefes em experiências transcendentais. Mods permitem até adicionar arranjos de fãs (ex: versões SNES) via substituição de arquivos .ogg.

Posição na cronologia de Ys
Oath in Felghana ocorre em 19 DC (Depois de Christin), sendo a quarta crônica documentada de Adol aos 18 anos:
1. Ys I & II (17 DC): o confronto de Adol com a Darm Tower e as Deusas de Ys.
2. Ys Nordics (17 DC): a viagem de Adol para o Golfo de Obelia.
3. Memories of Celceta (18 DC): mapeamento do reino florestal de Celceta.
4. Oath in Felghana (19 DC): a crise na terra natal de Dogi.
Embora autônomo, o jogo aprofunda o passado de Dogi e consolida a reputação de Adol como herói errante antes de épicos como Ys VIII: Lacrimosa of Dana (21 DC).

Por que a versão Steam ainda reina soberana
Custando menos de R$30, o jogo na Steam inclui:
- Todo o conteúdo da versão de PSP: dublagem, trilhas alternativas e Boss Rush Mode.
- Recursos de PC aprimorados: cloud saves, conquistas e suporte a controles.
- Performance superior: supera a versão Memoire, para Switch, em escalonamento de resolução e estabilidade.
Para fãs de RPGs de ação, este continua sendo uma das experiências de combate mais refinadas da Falcom — uma sinfonia de espadas, exploração e chefes que influenciou gerações de ARPGs.










