Depois de visitar o Golfo de Obelia em Ys X: Nordics, continuamos a nossa jornada para conhecer as histórias do aventureiro Adol Christin em Ys: Memories of Celceta.
Lançado em 2012, Memories of Celceta é uma reimaginação pivotal do capítulo esquecido de Ys IV na lendária série de RPGs de ação da Nihon Falcom. Combinando combate acelerado, exploração rica e uma história profundamente pessoal sobre identidade perdida, ele une o design clássico e moderno de Ys.
O aventureiro amnésico: uma história de perda e descoberta
Memories of Celceta começa com o protagonista da série, Adol Christin, chegando à cidade fronteiriça de Casnan sem memória, após aventurar-se na mortal Grande Floresta de Celceta. Incumbido pelo Império Romun de mapear esse território inexplorado (de onde nenhum explorador retorna), Adol une-se ao astuto Duren – que afirma conhecer seu passado esquecido.
A floresta esconde um reino caído, máscaras seladoras de deuses e conflitos entre semideuses – certas revelações expandem o universo de Ys além do reino perdido homônimo (visto em Ys Origin e Ys I e II), pavimentando caminho para títulos futuros. Para ajudá-lo nessa empreitada perigosa, Adol encontra aliados como a arremessadora de facas Karna e a estudiosa Calilica, que afirmam ter ligações com seu passado. A confiabilidade do protagonista permanece ambígua, criando intriga.
A narrativa desdobra-se em arcos episódicos pelas cidades: o retorno de Adol a povoados isolados desencadeia flashbacks que revelam fragmentos de sua jornada anterior. Essa estrutura transforma a exploração em uma escavação psicológica, onde marcos físicos duplicam-se como âncoras emocionais – essa estrutura lembra o ritmo de Dragon Quest, aprofundando a lore entre ações.

Evolução da gameplay: dinâmica de grupo e artefatos estratégicos
Aprimorando o sistema de Ys Seven, Celceta introduz um combate refinado com três personagens simultâneos, focando em sinergias elementais e trocas táticas. Inovações-chave incluem:
- Sistema de gauge de habilidades: ataques básicos preenchem uma barra azul usada para desferir habilidades únicas (ex: o golpe Crimson Line de Adol). Acessórios que reduzem custos permitem combos devastadores.
- Flash Move/Guard: esquivar ou bloquear no momento certo ativa efeitos de bullet time, recompensando precisão com contra-ataques poderosos.
- Habilidades de campo específicas: progressão exige troca de personagens – Karna corta trepadeiras para criar pontes, Ozma escala paredes com garras, e Calilica abre fechaduras.
A exploração é revolucionada por artefatos como as Gale Shoes (permitem correr em paredes) e a Dwarf Bracelet (reduz o grupo para entrar em fendas). Esses itens transformam o backtracking em sequências dinâmicas de plataforma – embora as limitações da época restrinjam a complexidade ambiental comparada a títulos posteriores, como Lacrimosa of Dana.

Um capítulo pivotal na cronologia de Ys
Memories of Celceta reinicia o legado confuso de Ys IV. Originalmente, dois jogos contraditórios — Mask of the Sun (SNES) e Dawn of Ys (PC-Engine) — foram terceirizados pela Falcom em 1993–94. Celceta sintetiza suas narrativas como um capítulo canônico, situado entre Ys II e Oath in Felghana (remake de Ys III).
Este posicionamento a torna a terceira aventura documentada de Adol, estabelecendo arcos cruciais:
- A amnésia de Adol: explica inconsistências em seus diários iniciais e aprofunda sua obsessão por documentar o desconhecido.
- Preparação para o Império Romun: introduz a facção imperialista como antagonista, pavimentando seu papel em Ark of Napishtim e Monstrum Nox.
- A ausência de Dogi: o amigo icônico de Adol aparece brevemente, contextualizando sua participação limitada em Felghana.

Identidade visual: charmes e limitações da era Vita
Como título de PlayStation Vita (2012) portado para PS4 (2020) e PC (2018), a estética de Celceta reflete restrições técnicas e criatividade:
- Perspectiva de cima para baixo: diferente da câmera livre de Ys VIII, os cenários usam ângulos fixos, criando vistas pictóricas mas limitando a percepção espacial.
- Paleta de cores vibrantes: a floresta exalta tons de musgo, áureas outonais e efeitos de partícula mágica (ex: Templo do Sol).
- Diversidade de cidades: vilas como Selray (pescadores) e Comodo (mineração) mostram o environmental storytelling da Falcom – algo ausente em Ys VIII, por exemplo.
Também é válido comentarmos sobre Ys Memoire: Memories of Celceta, uma nova versão lançada apenas no Japão para Nintendo Switch/Switch 2 em 2025 e que traz atualizações e bônus diversos:
- Trilha sonora aprimorada: inclui arranjos inéditos pela banda JDK da Falcom, com opção de trilha original. Temas como Iris (calabouço final) ganham instrumentação mais rica.
- Atualizações técnicas: rodando suavemente no Switch/Switch 2, mas mantém a estética visual do Vita. Texturas e iluminação foram polidas, embora a câmera fixa persista.
- Bônus físicos (Japão): inclui capa reversível, pôster de pano e CD duplo de OST.
Ys Memoire tem sua localização incerta, sem nenhum tipo de anúncio feito pela Falcom até o momento. Apesar disso, historicamente falando, o remaster de Felghana (próximo jogo da linha temporal de Ys) levou cerca de dois anos para ser localizado, dando esperança de uma janela de lançamento para 2026 ou 2027 – até lá, mods de fãs tentam tornar o jogo acessível para o ocidente com traduções em inglês.

Legado: ponte entre o clássico e o moderno
Celceta consolidou o sistema de grupo da Falcom, influenciando a dupla Dana/Rosvita em Lacrimosa of Dana e as habilidades sobrenaturais de Monstrum Nox.
Seu mecanismo de desvendar o mapa – preencher áreas brancas ao explorar – inspirou RPGs como Xenoblade Chronicles. Historicamente, unificou o legado fragmentado de Ys IV, fundindo a lore de Mask of the Sun e The Dawn of Ys num cânone coeso.
Embora superado por jogos mais recentes em escala, Memories of Celceta permanece essencial para entender os anos formativos de Adol – um testemunho de como a perda (pessoal e histórica) molda o maior aventureiro do mundo.

Ys: Memories of Celceta está disponível para PC e Playstation.
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