Luna Abyss é o jogo de estreia do estúdio britânico Bonsai Collective, uma aventura de ação em primeira pessoa que une plataforma fluida com tiroteio bullet-hell intenso.

Lançado em 21 de maio de 2026 para PC, Playstation 5 e Xbox Series X|S, e disponível desde Day One no Xbox Game Pass, o jogo chega com suporte completo para português-brasileiro. Nele, calçamos as botas de Fawkes, uma prisioneira enviada para vasculhar as profundezas de uma lua artificial conhecida simplesmente como Luna, sob o olhar frio e constante da carcereira IA Aylin.

A missão — escavar tecnologia perdida das ruínas de uma colônia fracassada — traz a promessa de redução de pena. Na prática, essa promessa se transforma em uma jornada muito mais estranha e pessoal por um mundo de concreto em ruínas, pavor cósmico e balas que pintam o ar como pinceladas luminosas.

O mundo e seus mistérios

Luna Abyss constrói sua identidade sobre os ossos de uma civilização caída. O jogo nos lança na Cidade Cinzenta, um posto colonial enterrado dentro da lua oca, onde uma arquitetura brutalista imponente se debruça sobre vastos abismos cavernosos. A linguagem visual bebe fortemente de mangás sci-fi como BLAME! — corredores infinitos, escalas incompreensíveis e a sensação de sermos uma formiga vagando pela caixa torácica de um deus morto. As ruínas vibram com uma atmosfera soturna de catedral, e a Bonsai Collective usa esse cenário não apenas como pano de fundo, mas como o principal veículo da narrativa.

Como Fawkes, nunca estamos verdadeiramente sós. Aylin fala conosco pelo capacete, sua voz sintética ao mesmo tempo distante e perturbadoramente íntima, guiando, vigiando e, por vezes, confessando. A história vai removendo camadas de mistério em torno de um evento catastrófico chamado simplesmente de Calamidade, enquanto a figura enigmática do Pai dos Deuses se insinua nos limites da compreensão.

É o tipo de mundo que recompensa quem vasculha registros de dados espalhados e pistas ambientais, e o texto carrega ecos nítidos de Bioshock e NieR: Automata — ficção científica que deseja fazer perguntas sobre controle, propósito e o que significa ser humano quando a humanidade parece ter desaparecido há muito tempo.

A trilha sonora taciturna de David Housden costura tudo isso, crescendo e recuando em perfeita sincronia com os humores cambiantes da lua.

Luna Abyss
Reprodução/Bonsai Collective

Movimento e caos

A jogabilidade momento a momento é um tango cinético entre graça e caos. Luna Abyss nos presenteia com um arsenal de movimentos feito para a velocidade — correr, arremeter e saltar por passarelas fraturadas e abismos vertiginosos, com uma capacidade de resposta que lembra os melhores títulos de plataforma em primeira pessoa. A geometria brutalista não é apenas atmosfera; é o próprio espaço de jogo, exigindo saltos precisos e controle aéreo rápido enquanto o mundo desmorona ao redor.

Então as balas começam a voar e o jogo revela sua outra metade: um shooter bullethell implacável, onde projéteis inimigos preenchem a tela em padrões hipnóticos. As armas nunca ficam sem munição, mas geram calor. Deixar o medidor encher significa ficar momentaneamente indefeso, obrigando ao gerenciamento de um ciclo de resfriamento semelhante aos cartuchos térmicos de Mass Effect.

Essa mecânica simples de superaquecimento transforma cada confronto em um ritmo frenético de atirar, esquivar, ventilar e atirar de novo. Melhorias de vida e novas habilidades escondem-se nas margens, incentivando uma exploração leve e o retorno a áreas anteriores, enquanto fragmentos de história arquivados dão peso narrativo à descida.

O combate se alimenta do impulso, e a ausência de tempo de recarga mantém a adrenalina sempre alta. Os encontros com chefes, em particular, levam o sistema ao limite, exigindo a leitura de padrões densos de disparos sem nunca deixar os pés tocarem o chão por muito tempo. É fácil ver como influências que vão da velocidade de Doom à elegância de NieR foram filtradas por uma lente bem própria.

Luna Abyss
Reprodução/Bonsai Collective

Veredito

Luna Abyss não é uma expedição impecável. Embora o ciclo central seja empolgante, o elenco de inimigos pode se mostrar um tanto limitado a longo prazo, e alguns jogadores sentirão falta de maior variedade nas ameaças que a lua lança contra nós. Dito isso, os pontos fortes superam de longe as dores do crescimento.

O casamento entre uma movimentação de tirar o fôlego e um tiroteio estiloso e pautado pelo superaquecimento entrega originalidade e qualidade, e a história — impulsionada por uma forte dinâmica central entre Fawkes e Aylin — confere a cada tiroteio um peso emocional que os shooters puramente arcade costumam não ter.

Para quem já desejou um jogo que canalizasse a solidão filosófica de um mangá de Tsutomu Nihei através do corpo de um shooter em primeira pessoa turbinado, Luna Abyss é uma recomendação fácil. É um mergulho assombroso no abismo, que deixa a gente ansioso para ver o que a Bonsai Collective fará a seguir.

Luna Abyss
Reprodução/Bonsai Collective

*Análise escrita com chave para PC cedida por Masamune

REVER GERAL
Enredo
Direção
Trilha Sonora
Jogabilidade
Design
Matheus
Fã de Yu-Gi-Oh!, Drakengard/NieR, Ys e Trails. Nas horas vagas, analista de Relações Internacionais e professor de inglês.
critica-luna-abyss-casa-movimentacao-estilosa-e-tiroteio-intensoLuna Abyss não é uma expedição impecável. Embora o ciclo central seja empolgante, o elenco de inimigos pode se mostrar um tanto limitado a longo prazo, e alguns jogadores sentirão falta de maior variedade nas ameaças que a lua lança contra nós. Dito isso, os pontos fortes superam de longe as dores do crescimento. O casamento entre uma movimentação de tirar o fôlego e um tiroteio estiloso e pautado pelo superaquecimento parece genuinamente original, e a história — impulsionada por uma forte dinâmica central entre Fawkes e Aylin — confere a cada tiroteio um peso emocional que os shooters puramente arcade costumam não ter. Para quem já desejou um jogo que canalizasse a solidão filosófica de um mangá de Tsutomu Nihei através do corpo de um shooter em primeira pessoa turbinado, Luna Abyss é uma recomendação fácil. É um mergulho assombroso no abismo, que deixa a gente ansioso para ver o que a Bonsai Collective fará a seguir.