Showgunners foi lançado inicialmente para PC (via Steam) em 2022. O título, desenvolvido pelo estúdio Artificer e publicado por Good Shepherd Entertainment, chegou aos consoles Xbox Series e PlayStation 5 em 19 de fevereiro de 2026. O game tem como proposta trazer combates em turnos e puzzles rápidos, tudo isso mergulhado em uma ambientação cyberpunk que explora a transformação da violência como um show de entretenimento.
Sua narrativa traz como protagonista a personagem Scarlet, em que logo que somos apresentados a ela, já estamos em uma arena em meio a um combate. Luzes, público e narrações fervorosas já deixam claro para o jogador que se trata de um show televisivo, porém um daqueles bem macabros. Em cada arena, mercenários enfrentam uma leva de psicopatas, sendo a única forma de avançar matar os inimigos que tentam te impedir de progredir para o próximo cenário. Logo após o primeiro mapa, já recebemos mais informações da protagonista e suas motivações, assim, incrementando elementos como vingança ao show de horrores louvado pelo público no universo do game.

A adição de elementos que destacam as motivações da protagonista e trazem uma profundidade para além do show não tornam sua história fantástica. Porém, esse tempero dá uma personalidade a mais e torna a experiência do jogo menos banal e com maior grau de importância para o que aconteceu para a personagem Maria se tornar Scarlet. Esses trechos são contados de forma bastante direta entre as fases, como se fossem lembranças ao dormir e utilizam uma série de imagens estáticas com artes que conseguem transmitir o peso do que a personagem sofreu. Visualmente combina em tom e estilo com Showganners.
Já falando da ambientação, a temática cyberpunk é bem explorada principalmente no que diz respeito ao visual, habilidades e modificações dos personagens e inimigos. A presença de implantes que melhoram atributos e modificações que trazem uma estética e funcionalidades mais agressivas não deixam claro quando o jogo se passa, mas caracteriza a temática. Arenas com luzes neon, tecnologias de drones e outras robóticas e fases que mostram partes destruídas de uma antiga cidade ou ambientes fabris contrastam com trechos luxuosos também reforçam as contradições características. Assim, unindo esses elementos de ambientação com a proposta de um show suicida, temos visual e narrativa se encaixando bem.

Quando o assunto é gameplay teremos os seguintes momentos: as fases em si (divididas em batalhas, puzzles e exploração de mapa) e o hub entre os eventos. Começando pelo hub, é nele que seremos apresentados ao eventos da vida de Scarlet e poderemos conversar com os companheiros que iremos encontrar na jornada. Nessa área também temos uma sala de TV em que a protagonista pode deixar mensagem para os fãs do show, bem como ouvir mensagens de participantes anteriores. Os impactos destes trechos refletem em ganhos de atributos para conseguir patrocinadores, que são marcas do universo do jogo que disponibilizam benefícios para o personagem durante a gameplay.
Agora, quando entramos na arena é que o show começa. Para avançar devemos explorar, se livrar de armadilhas e resolver puzzles, que em sua maioria consistem em descobrir combinações de botões ou plataformas para obter cartões e chaves para avançar no mapa. Na exploração também encontramos caixas que liberam novas armas e itens secundários como granadas, kits médicos e chips para o update do personagem. Como uma atividade secundária, podemos encontrar fãs próximos às grades da arena e dar diferentes respostas a eles. Cada resposta aumenta um atributo e conta no que foi comentado dos patrocinadores. Por fim, mas com maior grau de importância, temos os combates que podem ocorrer em emboscadas – quando em uma área qualquer do mapa – e nas arenas obrigatórias ou opcionais.
Independente de onde ocorra o combate ele ocorre interrompendo a exploração dinâmica e se tornando um jogo de turnos. Podendo realizar 2 ações, cada personagem tem movimentos que podem ser considerados bastante rápidos e não tão profundos em relação a sua build. As habilidades trazem sim uma profundidade estratégica, ainda mais considerando que iremos encontrar personagens que podem desempenhar funções específicas, porém comparando com RPGs, Showgunners preza mais pela ação do que uma elaboração estratégica muito trabalhada. Isso se mostra nas árvores de evolução dos personagens, que em sua maioria irão liberar poucas habilidades e mais buffs para as opções básicas de cada personagem.

Em relação a sua dificuldade, o jogo tem seus níveis bastante balanceados. O balanceamento ocorre não necessariamente pela inteligência dos inimigos, mas sim pela dificuldade de matá-los, o que faz com que você busque outras estratégias para explorar os cenários. Por exemplo, procurando lugares melhores de cover e uso das habilidade disponíveis. Ao aumentar a dificuldade eles não só se tornam mais resistentes, mas os seus percentuais de acerto tendem a aumentar e os seus personagens ficarem mais vulneráveis sem que os oponentes mudem de comportamento.
Pequenos bugs de interações e visuais existem no jogo, mas não atrapalham a experiência ou afetam o gameplay como um todo. Além disso, vale comentar que a variedade de inimigos é boa. A cada fase são adicionados inimigos temáticos, que perduram para os próximos níveis, mas que tem uma boa inserção. A chegada do game aos consoles já acompanha sua DLC que adiciona fases extras e novos inimigos bastante desafiadores. Em um fluxo normal de jogo, a DLC pode ser acessada antes do final do jogo e nela podemos obter novos equipamentos que podem ajudar no confronto final.

Veredito
Showgunners surpreende tanto com sua ação quanto com sua tática. Mesmo sem muitas habilidades diferenciadas para um mesmo personagem, as ações disponíveis são suficientes para permitir que o jogador explore interações com o cenário e inimigos de forma criativa. Sua narrativa adiciona uma camada interessante ao contexto apresentado e somos apresentados a personagens carismáticos, mesmo que muitos deles não apresentem seus backgrounds. Pensando em Scarlet como protagonista, ela é uma boa protagonista de ação. Os visuais do game combinam com a ambientação e são bastante caprichados.
Assim, o game é uma indicação certa até mesmo para aqueles que tem um pé atrás com jogos de turno. Ele é dinâmico e apresenta diferentes formas de gameplay para avançar na fase. Vale muito a pena conhecer!
*Chave para análise recebida pela X para Xbox Series









