Escrita pelo polonês Andrzej Sapkowski, a saga de livros The Witcher contou com oito livros, sendo os sete primeiros publicados entre 1992 a 1999 (originalmente) com Tempo de Tempestade, oitavo livro, chegando somente em 2013. Entretanto, a série já publicada finaliza de forma clara a história do querido bruxo Geralt de Rívia, Yennefer e Ciri.

Mas cá estamos nós com uma nova publicação de Sapkowski neste universo! Lançada no final de 2024 na Polônia e em 30 de setembro de 2025 nos demais países, The Witcher: Encruzilhada dos Corvos revisita o Continente por um outro ponto de vista ao trazer em sua narrativa Geralt como um jovem bruxo. 

No Brasil, o material foi publicado pela editora WMF Martins Fontes, assim como os demais livros da franquia. Sendo que a editora já publicou os demais materiais da série em capa dura e capa mole, o novo romance chega já em ambos os formatos, além do digital. Com 247 páginas, papel Lux Cream com gramatura 60 g/m, o material tem um bom acabamento e uma arte interessante em sua capa. 

Agora, que tal conferir mais detalhes do livro?  

Novo livro de The Witcher

Aventuras de um jovem bruxo

Em sua narrativa iremos acompanhar Geralt, que ainda não era “de Rívia”, em suas andanças pelo continente como um bruxo recém formado na região de Kaedwen. Por mais que o texto aborda diferentes contratos e embates pelo caminho, o texto se estrutura na forma de um romance e deixa claro o tempo em que está situado. Diferentemente de “A Espada do Destino”, que trabalha com contos, os eventos aqui são marcados por datas precisas e passagens de tempo.

Logo nas primeiras páginas, já vemos Geralt preso por matar um soldado. Mesmo que ele tenha defendido uma jovem do soldado, os comandantes locais não estão felizes em perder um soldado. Não demora muito para que mais militares cheguem e o que fazer com bruxo é uma questão: chicotear e colocar para proteger os trabalhadores da estrada em construção ou enforcá-lo. 

Bom, nada disso acontece, pois somos apresentados ao bruxo Preston Holt. Já descrito como um bruxo muito experiente, que ajuda Geralt em seus treinamentos e lições fora de Kaer Morhen, Holt esconde alguns segredos e também se torna parte importante da trama. A partir deste ponto, a narrativa se desenvolve.

Lendo “Encruzilhadas dos Corvos” me fez relembrar como a escrita do autor é gostosa. Fluida, leve e sabe navegar muito bem entre a ação, tensão e bom humor. Além da escrita se mostrar eficiente na narrativa proposta, ela também continua abordando temas políticos e mostrando o quão consistente foi o universo fantástico criado pelo autor.  

Novos elementos, velhas temáticas

Para os amantes do universo de The Witcher, o novo livro adiciona de forma canônica uma série de informações interessantes. Entre elas estão mais detalhes da criação dos bruxos, uma pitada do que seriam as “escolas“ estendidas de forma inteligente e que tenta não dialogar com o que foi apresentado no jogo.

A adição destas informações mostram uma elaboração um pouco mais aprofundada do universo. Enquanto os demais livros tratam certos tópicos de forma mais superficial devido à urgência e missão que Geralt, aqui temos diálogos mais diretos, mas que soam naturais devido a forma e por quem são contados.

De forma geral, temos não só uma nova aventura de Geralt em seus primeiros anos fora da fortaleza do bruxo, mas também elementos que enriquecem o Continente de forma substancial. É um prato cheio para os fãs ou quem quer cair de cabeça neste universo!

Vale a pena ler?

The Witcher: Encruzilhada dos Corvos traz a escrita afiada de Sapkowski, que continua abordando com maestria o que já foi apresentado nos livros anteriores. A leitura do texto é rápida, leve e consegue navegar muito bem nas temáticas propostas. Além de diálogos bem interessantes e claros, a ação é ágil e bem descrita, bem como a tensão consegue ser sentida em diálogos mais intensos e sérios.

Lido como um episódio à parte da franquia tem tudo para atrair novos leitores devido a sua boa construção de universo. Nas mãos de alguém já familiarizado com os personagens, é uma revisitação muito boa ao Continente, que não só adiciona mais detalhes ao que já é conhecido, mas também deixa aquele gosto de querer novas histórias do jovem bruxo.