Um ponto que há muito tempo é discutido entre os fãs dos livros e jogos de The Witcher é a questão da estrutura de formação dos bruxos. Enquanto os jogos apresentam as “escolas” como diferentes tipos de treinamento, o autor Andrzej Sapkowski atribui essa ideia a uma interpretação errônea do que foi escrito.
Bora discutir os dois pontos de vista e adicionar as informações do novo livro “Encruzilhada dos Corvos”?
As escolas nos jogos
Quando falamos das escolas de bruxos pelo ponto de vista dos jogos, a CD Projekt Red estendeu a interpretação dos livros. Assim, sendo Kaer Morhen a Escola do Lobo, também foram criadas as Escolas da Víbora, do Gato, da Mantícora, do Urso e do Grifo.
A principal diferença entre elas está em seus valores morais, refletindo diretamente em como os bruxos agem pelo Continente. Por exemplo, bruxos das Escolas do Gato e da Víbora são conhecidos como instáveis ou insanos, chegando até a aceitar contratos de assassinato. Já outras, como a do Grifo, são guiadas por fortes valores morais, quase como cavaleiros honrados.
Em The Witcher 3, encontramos alguns representantes da escola do Gato, como Gaetan e Kiyan, que enlouqueceu após ser usado como cobaia por um mago. Outros elementos e detalhes das escolas são mostrados em pergaminhos encontrados pelo jogo, bem como nas armaduras que revelam como a desenvolvedora idealizou a estética de cada grupo.
Livros x Escolas
Enquanto a CDPR ampliou a interpretação, o autor dos livros rejeita fortemente a ideia, chegando a afirmar que elas são “desnecessárias”. Segundo Sapkowski, em toda a obra, a única menção à “Escola do Lobo” aparece no conto O Último Desejo, sem ser um tema desenvolvido na narrativa.
“No entanto, aquela única frase foi suficiente. Os adaptadores, particularmente as pessoas dos videogames, se agarraram à ideia com notável tenacidade e multiplicaram maravilhosamente essas ‘escolas de bruxos’. Completamente desnecessário.”
Um ponto que pode ter favorecido a interpretação das “escolas” são os diferentes medalhões. Entretanto, a narrativa dos livros dá a entender que cada bruxo poderia ter o medalhão que desejasse. Porém, ao unir a citação da Escola do Lobo em O Último Desejo com os diversos medalhões que Leo Bonhart possuía após matar bruxos, abre-se uma brecha para a interpretação feita nos jogos.
Argumentos de “Encruzilhada dos Corvos”
Dentro desses “conflitos” narrativos do universo de The Witcher, o novo livro “Encruzilhada dos Corvos” traz explicações que parecem buscar preencher essas lacunas. Entre os tópicos que mais chamam a atenção estão a reinterpretação do que seriam as “escolas” e o verdadeiro significado de “Gato” para um bruxo.
Começando pela releitura, em seu novo livro Sapkowski fala de escolas, mas não de bruxos, e sim de magos. A divisão ocorreria pela fórmula usada para criar o mutante, e não por princípios ou valores morais, como é estabelecido nos jogos.
Vinculada a essa explicação está a ideia de “Gato”, descrito não como um bruxo formado por uma escola específica, mas como o resultado de uma fórmula defeituosa. Ou seja, não se trata de princípios ou doutrinas, mas de uma mutação que originou um ser habilidoso, porém psicologicamente instável.
É verdade que Preston Holt menciona a escola de um bruxo classificado como “Gato”, mas não da forma que se imaginaria. Segundo Holt, um bruxo Gato teria fundado uma escola de esgrima, não uma instituição de formação de novos bruxos — uma interpretação que parece tentar ressignificar o que foi apresentado nos jogos.
Conclusão
No fim das contas, toda a brecha deixada pelos livros serviu para que a CD Projekt Red expandisse a lore do universo de forma interessante. Ver as explicações de Sapkowski também é curioso, pois estamos testemunhando novos livros e detalhes do Continente que se encaixam coerentemente com o que já foi contado — oferecendo novos materiais para os fãs explorarem.
Aceitar uma ou outra explicação faz pouca diferença. Ambas podem coexistir, e quem ganha com isso são os fãs, com a riqueza e profundidade deste universo!









