Como parte do nosso artigo sobre a franquia Ys (que, caso você não tenha lido ainda, pode encontrá-lo mais abaixo), falamos um pouco sobre por onde entrar nessa saga tão longa com histórias tão individualistas entre si.

Hoje daremos início a uma série de artigos que ajudarão aqueles interessados em conhecer Ys mais a fundo, começando pelo começo: Ys Origin, como o nome sugere, constrói as fundações para o começo da história do aventureiro Adol Christin.

Uma prequel autossuficiente

Situado 700 anos antes dos eventos de Ys I: Ancient Ys Vanished, Ys Origin (2006) habilmente ignora a cronologia da série para oferecer aos novatos uma narrativa independente.

O jogo se passa durante a catastrófica invasão demoníaca ao reino flutuante de Ys, onde as deusas gêmeas Reah e Feena desaparecem misteriosamente. Os jogadores se juntam a um grupo de elite que desce pela Darm Tower (que tem a mesma estrutura de Ys I & II) para resgatar as divindades e desvendar a verdade por trás da queda de Ys.

Essa separação temporal significa que nenhum conhecimento prévio das aventuras do protagonista Adol Christin é necessário, tornando-o um ponto de entrada narrativo ideal.

Ys Origin
Saber quem é quem em Ys não é necessário para Origin, que faz um ótimo trabalho apresentando sua história. Reprodução/Nihon Falcom

Gameplay revolucionário para a série

Desenvolvido pela Nihon Falcom sob a direção de Toshihiro Kondo (atual presidente da empresa), Ys Origin refinou o sistema de combate dinâmico introduzido em Ys VI: The Ark of Napishtim:

  • Três estilos de jogo distintos:
    • Yunica Tovah: Neta de um sacerdote, usa machados/espadas em combate corpo a corpo com manobras aéreas como down-thrusts (golpes descendentes).
    • Hugo Fact: Um prodígio da magia que ataca com projéteis de energia através de seus satélites Olhos de Fact.
    • The Claw (desbloqueável): Um especialista em combate aproximado com garras demoníacas.
  • Mecânicas Inovadoras:
    • O Boost Gauge permite aumentos temporários de poder e ataques Burst que limpam a tela.
    • Inimigos dropam multiplicadores de EXP baseados em combos e bônus temporários de status.
    • Bênçãos de estátuas das deusas permitem melhorias permanentes usando SP coletados.
Ys Origin
As diferentes perspectivas são trabalhadas de forma tão essenciais, que as três jornadas para saber a história completa nem são sentidas. Reprodução/Nihon Falcom

Uma aula de design com limitações

Ys Origin surgiu durante anos difíceis da Falcom – período em que talentos-chave saíram, o desenvolvimento para consoles foi abandonado e o estúdio focou apenas em títulos para PC. A equipe do diretor Kondo transformou limitações em virtudes:

  • Brilhantismo de local único: todo o jogo ocorre na Darm Tower, permitindo que os desenvolvedores focassem recursos na diversificação de ambientes. Cada andar tem temas, inimigos e desafios de plataforma únicos, desde cavernas de lava até labirintos de engrenagens.
  • Eficiência narrativa: como prequel, o jogo reutilizou lore estabelecida de Ys I & II, incluindo o artefato Black Pearl e as origens da Darm Tower. Isso reduziu o trabalho de construção de mundo enquanto aprofundava a mitologia existente.
  • Design econômico: trilhas reorquestradas de jogos anteriores complementaram a icônica trilha sonora de Yuzo Koshiro, enquanto três campanhas maximizaram a rejogabilidade em ambientes compartilhados.
Ys Origin
Por economizar no design, Origin foca totalmente em seus personagens. Reprodução/Nihon Falcom

Renascença crítica e comercial

Apesar de seu status de nicho, Ys Origin alcançou sucesso notável:

  • Aclamação da crítica: recebeu críticas geralmente favoráveis em todas as plataformas (Metacritic). Revisores elogiaram seu combate ultrarrápido e dificuldade exigente, mas notaram escrita desigual para personagens e falta de mapas in-game.
  • Marco de vendas: vendeu mais de 200.000 cópias na Steam até 2015, revitalizando o interesse no Ocidente.
  • Legado multiplataforma: Originalmente exclusivo para Windows (2006), os ports da Dotemu (PS4/Vita 2017, Xbox One 2018, Switch 2020) adicionaram idiomas, modos de speedrun e efeitos de sangue, apresentando-o a novas audiências.
Ys Origin
Descobrir como cada personagem lida com os desafios do game é um dos pontos altos de Origin. Reprodução/Nihon Falcom

Por que começar sua jornada em Ys por aqui?

1. Lore acessível: nenhum conhecimento prévio sobre Adol é necessário – a trama independente se sustenta sozinha.
2. Variedade de gameplay: três campanhas com filosofias de combate distintas (10-15 horas cada).
3. Mecânicas modernizadas: o combate refinado da engine de Napishtim parece atual apesar de ser de 2006.
4. Dificuldade escalonável: do Fácil para fãs de história ao Pesadelo para masoquistas, todos aproveitam a experiência.
5. Porta de entrada para clássicos: compreender as origens de Ys enriquece jogatinas posteriores de Ys I & II.

Para quem busca a gênese de um dos legados de RPGs de ação mais influentes dos jogos – tanto na ficção quanto na história de desenvolvimento –, Ys Origin permanece uma peregrinação essencial às raízes de Ys.

Ys Origin
Chegar ao cume da torre é necessário nas três gameplays, mas a jornada é extremamente recompensadora. Reprodução/Nihon Falcom

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