Yakuza Kiwami 3 & Dark Ties: Crítica — O mês de fevereiro é marcado por mais um grande lançamento da SEGA em parceria com a Ryu Ga Gotoku Studio: Yakuza Kiwami 3 & Dark Ties, remake do clássico Yakuza 3 de PlayStation 3.

Mas não se trata apenas de um remake tradicional. O pacote inclui uma campanha inédita chamada Dark Ties, totalmente focada em Yoshitaka Mine, o antagonista do game original.

Entre tantas polêmicas e expectativas, fica a pergunta: será que a SEGA e a Ryu Ga Gotoku Studio realmente fizeram um bom trabalho nesse remake?

Conhecendo Kiwami 3

Lançado para as plataformas atuais e também para os consoles da geração passada, Kiwami 3 & Dark Ties traz diversas mudanças em relação ao original. Logo de início, o jogador já pode explorar a clássica Kamurochō, agora recriada na moderna Dragon Engine, a engine atual da franquia.

Visualmente, o salto é claro. Além disso, há novos minigames e atividades espalhadas pelo mapa, buscando aumentar a imersão nesse mundo.

Para quem está chegando agora e é um jogador de primeira viagem, o jogo oferece um resumo completo dos acontecimentos de Yakuza Kiwami e Yakuza Kiwami 2 logo no início. Isso ajuda bastante — mas não significa que seja o melhor ponto de partida da franquia. Ainda assim, se você começar por aqui, não ficará completamente perdido.

Reprodução/SEGA

Um remake recheado de problemas

Kiwami 3 poderia ter seguido o padrão positivo dos remakes anteriores da série. Entretanto, infelizmente, o jogo acumula alguns problemas.

O primeiro deles são as animações durante as cutscenes. Comparadas aos títulos mais recentes, como Like a Dragon: Infinite Wealth e Like a Dragon: Pirate Yakuza in Hawaii, há um claro downgrade. Muitas cenas parecem reaproveitadas diretamente da versão de PS3, apenas com gráficos atualizados.

Isso levanta uma questão importante: até que ponto estamos realmente diante de um remake? Em vários momentos, o jogo soa mais como um remaster visual do que um remake completo.

Outro problema recorrente da franquia atual também aparece aqui: o reaproveitamento de minigames.

Em Kiwami 3, dois exemplos chamam atenção:

  • O minigame das tarefas das crianças no Orfanato Glória Manhã é essencialmente uma variação das atividades de provas vistas em Yakuza: Like a Dragon e Like a Dragon: Infinite Wealth, onde Ichiban realiza desafios para aumentar seus atributos.

  • A atividade da gangue de moto, em que Kiryu recruta membros para batalhas, é extremamente semelhante ao sistema de recrutamento naval de Pirate Yakuza, que culmina em confrontos no estilo musou.

São mecânicas disfarçadas de novidade, mas que, no fundo, são apenas um barato reaproveitamento.

Reprodução/SEGA

A verdadeira novidade

Apesar dos problemas, há um ponto muito positivo: Okinawa — especialmente o Orfanato Glória Manhã.

No orfanato, Kiryu precisa realizar atividades para arrecadar dinheiro, comprar e vender itens e fortalecer relações com pessoas do bairro. Existe até um painel administrativo onde você gerencia recursos e descobre as “fofocas” locais.

Essa parte do jogo acaba sendo uma das mais divertidas, quase como uma campanha paralela. Em vários momentos, ela é mais envolvente do que a própria campanha Dark Ties.

Reprodução/SEGA

Dark Ties

Dark Ties funciona como uma segunda campanha, colocando o jogador no controle de Yoshitaka Mine e explorando sua trajetória até se tornar membro da Yakuza.

A ideia é interessante: aprofundar o antagonista de Yakuza 3 e explorar suas motivações.

Mine possui um sistema próprio de combate baseado no consumo de “corações”, algo semelhante ao despertar de Kiryu em Kiwami 3, porém mais agressivo. O problema? O combate lembra muito o estilo de Majima em Kiwami 2. Mais uma vez, temos a sensação de reaproveitamento em vez da tão aguardada inovação na franquia.

No fim das contas, a campanha parece uma adição artificial para aumentar a duração do jogo, mas sem trazer algo verdadeiramente marcante.

A principal polêmica

Além da cena final (que não comentaremos para evitar spoilers), existe um fator externo que alimentou as discussões sobre o jogo: a escalação de Teruyuki Kagawa como Goh Hamazaki.

Kagawa confessou em 2019 um caso de assédio contra uma hostess, o que resultou no cancelamento de diversos contratos publicitários na época.

A polêmica se intensificou porque, anteriormente, a SEGA havia substituído o modelo de Masayoshi Tanimura em Yakuza 4 Remastered devido a acusações (não comprovadas) envolvendo o dublador original. Já no caso de Kagawa, mesmo com confissão pública, o ator foi mantido.

Isso gerou revolta em parte da comunidade e até movimentos nas redes sociais com a hashtag #RemoveKagawa, pedindo sua substituição.

Reprodução/SEGA

Veredito

Yakuza Kiwami 3 & Dark Ties é um bom jogo, até certo ponto.

A parte do orfanato em Okinawa é divertida e traz momentos genuinamente interessantes. Porém, fora isso, o jogo peca em inovação, recicla mecânicas antigas e entrega uma campanha extra que parece artificial.

Outro problema são os retcons na história. Elementos que não existiam no jogo original agora acontecem, e alguns deles acabam enfraquecendo momentos importantes da obra original.

Somando isso à polêmica envolvendo Teruyuki Kagawa e à sensação constante de reaproveitamento estrutural, fica a impressão de que a Ryu Ga Gotoku Studio precisa repensar sua abordagem, tanto em decisões criativas quanto na forma como lida com sua comunidade.

No fim, é um remake que tinha potencial para ser definitivo, mas que acaba ficando no meio do caminho por conta de diversas polêmicas e incompetência do próprio estúdio.

*Review escrita com chave para PlayStation 5 cedida pela SEGA

REVER GERAL
Enredo
Direção
Trilha Sonora
Jogabilidade
Gráficos
Luis Nascente
Apresentador do canal Lulu Checkpoint e do podcast Café com Nerdice, formado em marketing, fanboy da Square e nerdão dos animu!
critica-yakuza-kiwami-3-dark-ties-e-uma-das-maiores-decepcoes-da-franquiaYakuza Kiwami 3 & Dark Ties é um remake competente, mas que recicla mecânicas, reaproveita animações e entrega poucas novidades reais. A parte do orfanato em Okinawa é o grande destaque, enquanto Dark Ties parece uma adição artificial. Somado às polêmicas externas, o jogo acaba ficando abaixo do potencial que tinha.