Comemorando os 30 anos da franquia, Resident Evil Requiem é o mais novo capítulo na longa série de jogos que definiram o gênero Survival Horror e que é um grande ode ao que tivemos nos primeiros jogos da série e seu legado.
Com uma campanha dividida entre dois protagonistas que jogam de formas totalmente distintas, mas ambas familiares a série, Requiem acaba entregando um jogo muito familiar aos fãs, mas que mesmo assim não deixa de ser empolgante, competente e super divertido.
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Dois protagonistas
Resident Evil Requiem enquanto jogo se define pela campanha dividida entre seus dois protagonistas, a novata Grace Ashcroft e o veterano Leon S. Kennedy que se alternam diversas vezes ao decorrer do jogo. Essa divisão se dá em todos os elementos do jogo e até mesmo na filosofia de gameplay.

Grace é uma agente de inteligência do FBI, sem nenhuma experiência de campo ou de combate. Nesse quesito inclusive é até fácil assumir que ela é menos preparada que até mesmo o Ethan (protagonista dos últimos jogos numerados) que era apenas um Civil. As sequências dela são primariamente em primeira pessoa e mais próximas em gameplay da trilogia original de Resident Evil.
Com a Grace você frequentemente vai estar no limite da tensão e tendo que planejar bem os próximos passos e como driblar os zumbis no seu caminho e avançar um pequeno passo de cada vez na jornada do game.
Já com o Leon, o veterano da série, nós temos o que podemos esperar de um herói de ação. Várias sequências com hordas de zumbis que você pode se livrar com várias armas diferentes, animações especiais de execução e até mesmo objetos interativos no cenário que vão desde armas para serem arremessadas à barris explosivos. Com o Leon o gameplay é uma sequência espiritual do 4 Remake.
Ambos os protagonistas ganham muito espaço de tela para serem eles mesmos em cena, algo que em jogos anteriores poderia ter um sentimento de sub aproveitamento. A performance da atriz que faz a Grace é incrível, principalmente nas cutscenes onde ela está apavorada. É difícil ver em um jogo de terror uma atuação tão boa quanto a dela no que tange entregar uma personagem genuinamente aterrorizada.

Já o Leon é um personagem que a interpretação dele atingiu a perfeição de como um herói cool deveria ser. Ele deixa de ser o personagem até um pouco arrogante do 4 e entrega um homem perfeitamente seguro de si e que sabe o que falar e como falar já que o papel dele é ser a autoridade em qualquer contexto que ele esteja e acima de tudo, proteger os inocentes como a Grace. O homem pode ter envelhecido, mas dá pra sentir toda a experiência dele na interpretação.
Jogabilidade
Algo que me animou em Requiem logo de cara é que nós últimos jogos da série havia uma clara distinção de gameplay entre os jogos do Ethan (Biohazard e Village) e os remakes que tivemos até então (2, 3 e 4).
Nos jogos do Ethan, havia um grande foco no terror e essa lógica mais clássica de progressão da série além da visão em primeira pessoa e de que os inimigos não eram tão reativos às suas ações enquanto nos remakes. Apesar do 2 e 3 também terem a estrutura mais clássica, houve também um esforço muito grande em tornar os zumbis mais perigosos em troca de serem mais reativos ao dano recebido.
Por exemplo, focar seus ataques nos membros dos inimigos nos Remakes sempre gerava alguma reação dos inimigos. Seja parar momentaneamente ou até mesmo perder esses membros, fazendo com que os zombies perdessem a habilidade de agarrar caso perdessem os braços ou terem que se rastejar caso se perdessem as pernas. Já nos jogos do Ethan, não fazia parte da proposta dos jogos ser tão reativo e focar partes específicas do seus alvos não fazia muita diferença.

Contudo, em Requeim nós temos o quê seria o melhor de dois mundos na campanha da Grace, com o maior foco em um processo metódico como os jogos clássicos, mas com esse nível maior de interatividade com os inimigos. Os zumbis aqui não chegam a perder membros, mas uma opção que você tem com frequência é atirar na cabeça ou nos joelhos de um zumbi e empurrar ele para poder chegar até o seu objetivo.
Isso sem contar que os segmentos da Grace, em especial no Centro Clínico Rhodes, onde há vários tipos de zumbis diferentes com características únicas devido ao novo tipo de mutação do vírus que permite que os inimigos fiquem apegados a algumas das suas memórias e por consequência possuem características especiais.
Um exemplo disso seria a empregada, que é consideravelmente mais rápida que os outros zumbis, os zeladores que reagem sempre que há uma luz ligada no ambiente ou até mesmo as cantoras que tem a capacidade de atordoar a Grace com seus gritos.
Troca de Marcha
Já os segmentos do Leon são quase que um BIS do Resident Evil 4 Remake, só que com um detalhe um pouco frustrante que é uma certa falta de variedade de inimigos que havia no jogo anterior.
Leon em Requiem tem a função muito bem vinda de ser o alívio da tensão que temos com os segmentos da Grace. Nesse ponto na linha do tempo da série o homem já é um super soldado. Ele tem acesso a uma multitude de armas diferentes e a função dele é atirar em tudo que se mexa e isso não é ruim. O gameplay de ação ainda é super divertido, com um pouco de gerenciamento de munição e os ataques e finalizações que já tínhamos no 4 Remake, mas com a adição do machado que é um upgrade do que era a faca capaz de dar parry em virtualmente todos os ataques que vierem na sua direção.

A ambientação do jogo também tem uma variação um pouco curiosa. O jogo é dividido principalmente entre o Centro Clínico Rhodes mencionado anteriormente e uma extensa passagem pela Raccoon City desolada 30 anos após o ataque de míssil comandado pelo governo. Há alguns ambientes intermediários menores entre essas duas sessões, mas elas são dois extremos estéticos do jogo.
No Centro Clínico, além de haver um level design um pouco mais segmentado e “estratégico” por ser uma sessão da Grace, existem muitas decisões estéticas e até mesmo um senso de iluminação muito particular de bonito. Não é algo extremamente único desse jogo, mas há uma diferença gritante se comparado com Raccoon City que é um tanto sem cor, dessaturado e também dá a impressão que não teve muita consideração pela iluminação nessa parte se comparada com a anterior. Há a desculpa de ser uma cidade pós-apocalíptica, mas a diferença é tão gritante que essas duas partes parecem jogos diferentes.
Apesar de ser um dos jogos da franquia com a campanha principal mais longa (aproximadamente 13 horas), as duas campanhas ficaram com um gostinho de quero mais no final. Mesmo o Leon tendo uma sequência muito longa alí no meio do jogo, eu senti que mais uma sequência um pouco mais longa com ambos os personagens seria perfeito pra dar uma saciedade e um sentimento mais de “jogo completo” antes de partir e rejogar a campanha.
Ao contrário de outros títulos da série, infelizmente Requiem não tem um conteúdo endgame dedicado como era comum nos últimos jogos da franquia, como é o modo mercenários, mas não seria uma surpresa caso fosse adicionado após o lançamento ou se houvesse uma DLC dentro de alguns meses com uma campanha extra.
História
Sendo um jogo comemorativo de 30 anos da franquia, muito do jogo acaba girando em volta da nostalgia pela primeira trilogia da série. Muitos elementos são paralelos diretos com o primeiro jogo e até mesmo o vírus principal que assombra Leon e Grace é o mesmo T-Virus que ocasionou o acidente na mansão Spencer de RE1 e a epidemia em Raccoon City.

Ver esses elementos de volta, recontextualizados e sendo apresentados aos poucos e de forma vaga por arquivos de texto que é o meio padrão da série vai alimentando muito a curiosidade do jogador.
Também é muito interessante ver mais desses elementos antigos atualizados pros contexto de onde a série se encontra hoje com todas as facções e intrigas que são oferecidas à conta-gotas desde Biohazard.
O vilão principal do jogo, Victor Gideon, apesar de não receber muito destaque durante a campanha de marketing do jogo, também é um personagem super interessante tanto pelos laços que ele tem com a história de fundação da Umbrella quanto pelos ideias que motivam ele a botar os eventos do jogo em movimento.
Uma coisa é certa sobre a trama do jogo. É difícil alguém que jogou o primeiro Resident Evil não ser pego por esses resgate que Requiem faz.
Requiem é traduzido e localizado em Português do Brasil além de também estar dublado. A pesar do jogo também possuir uma aba separada para acessibilidade, não existe de fato opções especificas, mas sim conjuntos de configurações que podem auxiliar jogadores com limitações físicas ou cinetose.

Veredito
No fundo, Resident Evil Requiem tem um gostinho de mais do mesmo, mas isso não tira o valor do jogo nem um pouco. Ele continua tenso e extremamente divertido de uma forma que só essa franquia consegue entregar.
Grace é uma ótima nova personagem para contrastar com o veterano Leon e ela tem uma ligação genuína com a trama do jogo, deixando tudo que ocorre na história com muito mais peso.
No fim das contas, uma das campanhas é muito mais interessante que a outra, mas isso não é um demérito tão grande. Eu amei Requiem e o meu primeiro instinto depois de terminar, foi revisitar os outros jogos da série enquanto não temos uma DLC.
Resident Evil Requiem já está disponível para para PlayStation 5, Xbox Series, Nintendo Switch 2 e PC via Steam.
*Chave para review cedida por Capcom









