Desenvolvido pela Brownies Inc. e publicado pela Bandai Namco, Towa and the Guardians of the Sacred Tree é um roguelite de ação lançado hoje (18).
O jogo apresenta aos jogadores um mundo vibrante e desenhado à mão que está sob ameaça de uma força malevolente conhecida como Magatsu. Você assume o papel de Towa, a sacerdotisa divina e guardiã eterna da Vila Shinju: seu dever não é lutar diretamente na linha de frente, mas guiar e apoiar as oito Crianças da Oração, um grupo de guardiões únicos, enquanto eles se aventuram em uma dimensão semelhante a um purgatório para purificar a terra de sua corrupção.
Esta premissa cria uma estrutura narrativa convincente que é igualmente bela e comovente, estabelecendo os temas centrais de sacrifício e resiliência que definem toda a experiência.
Jogabilidade inovadora: uma dança de dois guerreiros
A característica mais marcante e definitiva de Towa and the Guardians of the Sacred Tree é seu sistema de combate com dois personagens. Os jogadores controlam diretamente um personagem, o Tsuguri, que atua como o principal causador de dano com armas corpo a corpo. Preso a ele está o Kagura, um personagem de suporte que lança feitiços e fornece ataques à distância.
Esta dupla opera como uma única unidade, com o Kagura sendo conduzido principalmente pela IA, mas podendo ser direcionado para habilidades específicas e poderosas. Esta mecânica cria um ritmo de combate dinâmico e cativante que parece uma dança cuidadosamente coreografada. Dominar a sinergia entre os dois personagens é profundamente recompensador, à medida que você aprende a posicioná-los de forma eficaz e a cronometrar seus assaltos combinados.
Este sistema é ainda mais enriquecido pela estrutura roguelite do jogo. Cada incursão nos reinos corrompidos envolve lutar através de salas geradas proceduralmente, coletar power-ups temporários conhecidos como Graças e enfrentar chefes formidáveis. A verdadeira genialidade, e crueldade, do design surge após uma luta de chefe bem-sucedida: para restaurar o mana de Towa e permitir que a vila progrida, o Kagura deve realizar um sacrifício ritual, removendo-o permanentemente de sua equipe para todas as incursões subsequentes.
Esta mecânica de sacrifício é um golpe de mestre narrativo e de jogabilidade. Ela força os jogadores a se adaptarem e experimentarem constantemente com todos os oito guardiões, cada um dos quais possui armas e habilidades totalmente diferentes, garantindo que nenhuma partida seja igual e promovendo uma conexão profunda com todo o elenco.

Uma vila viva e um mundo deslumbrante
Entre as árduas incursões nas fronteiras perigosas, o jogo permite que você respire e reflita dentro do sereno centro da Vila Shinju. Isso é muito mais do que uma simples tela de menu; é uma comunidade viva e evolutiva que serve como o coração emocional do jogo. Aqui, você pode forjar novas armas, melhorar seu equipamento e, mais importante, interagir com os guardiões e aldeões restantes.
Essas interações são cruciais para aprofundar os laços e desbloquear novos momentos da história, fazendo com que os sacrifícios que você fez pareçam profundamente pessoais. Observar a vila mudar e crescer ao longo do tempo, influenciada por seus sucessos e perdas, proporciona um poderoso senso de propósito que eleva o jogo além de um simples ciclo de combate.
Complementando esta jogabilidade rica está uma apresentação audiovisual da mais alta qualidade. O estilo de arte desenhado à mão é simplesmente deslumbrante, transbordando cor e charme. Cada personagem e ambiente é elaborado com imenso detalhe e personalidade, tornando o mundo de Towa um genuíno prazer de explorar.
A trilha sonora, composta pelo renomado Hitoshi Sakimoto, reforça perfeitamente os tons emocionais do jogo, desde a tensão do combate até a melancolia do adeus de um guardião e a tranquilidade esperançosa da vila.

Uma joia imperfeita: ritmo e dificuldade
Apesar de todo o seu brilho, Towa and the Guardians of the Sacred Tree não está isento de frustrações. O ritmo do jogo pode muitas vezes ser interrompido por diálogos excessivos, que por vezes retardam o momentum entre as sequências de ação.
Além disso, embora o combate com dois personagens seja inovador, controlar o Kagura pode parecer pouco intuitivo às vezes, levando a momentos de frustração quando um suporte preciso é mais necessário. Esses problemas são agravados pelos picos significativos de dificuldade do jogo, particularmente durante as batalhas contra chefes, que podem ser brutalmente punitivas e exigir uma execução quase perfeita.
O modo cooperativo local, embora seja uma adição bem-vinda, também parece uma oportunidade perdida. O segundo jogador fica restrito a controlar apenas o personagem Kagura, o que oferece uma experiência limitada e menos envolvente em comparação com o jogador principal que controla o Tsuguri. Esta limitação dificulta recomendá-lo como uma aventura cooperativa primária.

Veredito
Towa and the Guardians of the Sacred Tree é uma experiência ousada e emocionalmente ressonante que consegue criar seu próprio nicho dentro do gênero roguelite. Seu combate único com dois personagens e sua comovente mecânica de sacrifício proporcionam uma jogabilidade fresca e convincente, enquanto o mundo belo e os relacionamentos profundos entre os personagens criam um forte apelo narrativo.
Apesar de alguns problemas com o ritmo, a intuitividade dos controles e uma curva de dificuldade íngreme, os pontos fortes do jogo sobressaem de forma esmagadora. É uma jornada comovente sobre dever, perda e perseverança que permanecerá com os jogadores muito tempo depois que o chefe final for derrotado.
Esta é uma joia imperfeita, mas ainda assim uma joia, oferecendo uma aventura rica e inesquecível para aqueles dispostos a abraçar seus desafios e suas tristezas.

Towa and the Guardians of the Sacred Tree está disponível para Playstation 5, Xbox Series X|S, Nintendo Switch e PC.
*Análise escrita com chave para PC cedida pela Bandai Namco









