Lançado originalmente em 2019, The Sinking City – desenvolvido e publicado pela Frogwares – é um jogo single em terceira pessoa que tem como temática central o horror cósmico e mecânicas de investigação que chegou para Xbox One, Xbox Series, PlayStation 4, PlayStation 5, Nintendo Switch e PC. Em 2025, o game teve a sua versão remasterizada lançada para Xbox Series, PlayStation 5 e PC (via Steam), apresentando melhorias visuais consideráveis para as plataformas e dando uma nova vida ao jogo. Parte da chegada do jogo melhorado também tem a ver com The Sinking City 2, já anunciado e podendo ser relançado em 2026.
Cidade afogada
No papel do investigador particular Charlie Reed, o jogador chega à afastada cidade americana de Oakland. Boa parte da cidade encontra-se inundada devido a uma tempestade e o homem que o convidou para ir até lá promete que pode ajudar com as visões que a algum tempo atormentam Reed. Logo em uma primeira exploração já podemos ver os elementos básicos de uma boa narrativa inspirada em Lovecraft: a influência do mar, cultos e religiões estranhas, visões oriundas de uma fonte desconhecida e bestas ameaçadoras.
A partir do plot simples que envolve parar com as visões que aterrorizam nosso protagonista também somos apresentados à sociedade de Oakland. Claro, dentro dela estão as diferentes classes sociais, famílias magnatas, instituições de pesquisas e organizações religiosas marcando os conflitos e contradições.
Olhando por este ponto e como as missões desenvolvem a narrativa temos um jogo bem imersivo e que consegue propor uma variedade de missões razoáveis e com sub tramas que chamam a atenção. Para fãs de horror cósmico a história pode ser já previsível, porém ela se entretém ao colocar o jogador como um personagem afetado pelas influências e o poder que ela parece dar ao permitir a interpretação das pistas no Palácio da Mente.

Mesmo que esteja vinculado ao gameplay, o Palácio da Mente é um elemento narrativo que permite a tomada de decisão e continuidade na história. Basicamente, sendo uma das mecânicas do jogo a investigação, podemos reconstruir as cenas após adquirir todas as pistas para sintetizar o acontecimento geral. A leitura do ambiente leva a criação de pistas que devem ser combinadas no Palácio da Mente, assim, tornando os fatos em conclusões e permitindo ao jogador uma leitura mais ampla e aprofundada da situação. Tais conclusões podem ser simples ou permitir escolhas que irão impactar o destino de personagens, mas não da narrativa como um todo. Isso porque, independente da escolha que você faça, o jogo mantém aberto os três finais possíveis, o que acaba minimizando o poder das escolhas feitas durante a campanha.

Atire com sabedoria
Quando falamos em mecânicas no contexto de The Sinking City, a que mais se destaca é a investigação já citada acima. Entretanto, vale a pena comentar que uma camada mais superficial a investigação também está presente e ela é a localização dos objetivos. O jogador será guiado por falas de personagens e bilhetes, sendo que estes não irão aparecer automaticamente onde estão localizados. Assim, é obrigação do jogador pegar o endereço e adicionar o ponto no mapa. Mesmo que inicialmente seja custoso, se torna divertido com o tempo e traz uma boa sensação real de investigação.
Mas nem só de investigação e montagem de pistas no Palácio da Mente vivem as mecânicas do jogo. O combate também está presente e pode ocorrer corpo-a-corpo – com o uso de uma pá – ou com armas de fogo variadas que são liberadas no decorrer da campanha. Seguindo a lógica de trazer uma gameplay mais manual, a munição é limitada, não é carregada em quantidades altas e poucas são encontradas já feitas, o que sobra para o jogador coletar recursos e construir no menu inventário suas balas, armadilhas e itens curativos.

Com isso, o jogo consegue criar uma sensação de urgência e apelar para o bom senso do jogador de escolher seus combates. Logicamente, melhorando o personagem ele fica mais forte e efetivo na luta, o que traz uma margem mais alta para combates, mas sem deixar que o personagem se torne um Rambo.
Já tendo jogado a versão de 2019, e revisitando agora o Remaster no começo de 2026, o combate continua a parte mais problemática do gameplay. Não que seja ruim, mas mostra uma falta de precisão que pode incomodar principalmente em ambientes mais fechados.
Uma atualização na precisão do combate e hitbox dos inimigos seria muito bem vinda na versão remaster, como não veio fico na torcida de que o próximo jogo da franquia corrija esses pontos. Na parte gráfica o Remaster fez um trabalho bastante competente ao melhorar os visuais e demais efeitos.
Estruturas repetidas
Quando pensamos na ambientação e mapa de Oakland, vemos uma área generosa e com vários bairros identificados por cores diferentes para facilitar a localização e diferenciação de regiões. Por se tratar de uma região bastante alagada é prático o método que os desenvolvedores escolheram para a locomoção: o barco para as áreas alagadas e a pé para as áreas secas. Não ter carros ou trens vai um pouco além de mostrar que as ruas estão intrafegáveis, parecendo querer mostrar as influências do mar com corais que crescem pela cidade, a passividade dos cidadãos frente às bestas e a bizarra normalidade que toda aquela loucura se tornou.

Todas essas escolhas ajudam e muito na imersão e tornam o cenário mais sombrio e estranho. Entretanto, a questão do interior dos locais tira o jogador desta magia ao se repetir à exaustão. Isso porque, as missões vão consistir em sua maioria de investigações em casas de diferentes partes da cidade, velhas fábricas e lojas.
A estrutura do interior dos locais acabam se repetindo demais e após algumas missões realizadas praticamente eliminam o fator imprevisibilidade, já entregando onde pode haver uma parede secreta ou spawn de criaturas. Tudo bem que a sonorização do jogo consegue manter um pouco o clima, mas a criação de estruturas únicas – ainda mais para as missões principais – poderiam tornar os momentos do jogo mais marcantes.
Veredito
The Sinking City é uma indicação certa para os fãs de H.P Lovecraft e da temática do Horror Cósmico, sendo uma quase certa para quem gosta de uma boa história. Mesmo pecando em não apostar mais nas consequências das escolhas que o próprio jogo fornece ao jogador e uma certa imprecisão no combate, é um título imersivo e divertido cujo Remake cumpriu o papel de aprimoramento gráfico.









