Pacific Drive foi lançado originalmente em fevereiro de 2024 para PC (via Steam) e PlayStation 5. Agora, em 23 de outubro de 2025 chegou de surpresa aos consoles da Microsoft, Xbox Series X|S, juntamente com a sua DLC “Whispers in the woods”. Desenvolvido pela Ironwood Studios e publicado pela Kepler Interactive, o jogo é único por misturar um enredo curioso, com sobrevivência, crafting e pilotagem de carros.

Vem conferir a nossa análise do game!

Por dentro da zona de exclusão

Sua narrativa coloca o jogador na pele de um repórter que está investigando a zona de exclusão Olímpica. A mais de 20 anos antes do início da história, a região, localizada próxima a Washington, noroeste dos Estados Unidos, guardava uma base de testes que causou um grande problema que levou ao seu isolamento.

Ao chegar na região com nosso protagonista somos puxados para a zona de exclusão por uma espécie de tele transporte, restando como auxílio para nos ajudar a sair um grupo de personagens com diferentes intenções e um carro especial. Sobre o carro, logo no início já é falado que o carro se vincula a seu piloto, podendo criar uma dependência e o levar à loucura. A partir deste ponto, iremos enfrentar diversas missões, melhorar o veículo para atingir novos marcos e entender o que aconteceu e como poderemos escapar da situação.

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Reprodução/Kepler Interactive

É interessante ver como a premissa do jogo é bem explorada, mostrando ao jogador não só uma ambientação imersiva, que o coloca na história e o convence dos acontecimentos, mas também trabalha bem os personagens secundários. Por exemplo, Oppy, a dona da garagem, que apesar do seu jeito ranzinza é uma boa guia e tem sua narrativa bem trabalhada. Através dela descobrimos um dos pontos de vista da história e detalhes importantes do que podemos desvendar.

O ritmo das descobertas é consistente, o que anima as explorações e melhorias que realizamos no veículo para conseguir explorar cada vez mais longe. Ao longo das áreas visitadas iremos ver ambientações variadas, predominando a mistura de florestas, velhas fábricas e vilas abandonadas.

Por se tratar de uma zona de exclusão que sofreu com experimentos, teremos o incremento de anomalias que tornam chegar a cada localização um desafio. Assim, iremos nos deparar com alterações de física, tempestades e muitos outros elementos que tornam cada viagem praticamente única e cada incursão por recursos (ou respostas) ameaçadora.

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Reprodução/Kepler Interactive

Craft e mais craft!

A base de gameplay de Pacific Drive se baseia em três pilares: exploração, sobrevivência e craft. Porém, mesmo que sejam mecânicas conhecidas, o jogo adiciona uma cama de burocracia em todas as suas ações, o que força o jogador a ser mais cuidadoso e entender quais itens levar para a incursão em um território desconhecido em que qualquer anomalia bizarra pode acontecer sem muito alarde.

Já iniciando pelo craft, devemos construir não só itens básicos para utilizar, mas também as peças do carro e suas subsequentes melhorias. Entretanto, só construir não basta e é preciso anexar as peças uma a uma no veículo, com ferramentas específicas que têm durabilidade limitada.

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Reprodução/Kepler Interactive

Por exemplo, anexar quatro novas rodas ao carro exige que todas sejam fabricadas individualmente. Colocá-las no veículo segue o mesmo processo, sendo preciso remover as que estão sendo utilizadas uma a uma e fixar as novas. Trabalhoso? Sem dúvida! Mas no contexto que o jogo apresenta torna-se uma atividade que você aceita e acostuma pela proposta mais manual que o jogo apresenta desde o princípio.

Explorar e sobreviver são atividades realizadas de mãos dadas. Isso porque, na garagem selecionamos um destino e seremos encaminhados para a localização da missão. Fora da garagem devemos buscar por mais recursos e também não morrer pelas anomalias que estão orbitando a região ou que despertamos enquanto colhemos os materiais.

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Reprodução/Kepler Interactive

Se a busca por recursos não é tranquila e a construção/melhoria do carro é burocrática, o retorno para a garagem não poderia ser diferente. Prestando atenção para não acabar a gasolina e a bateria do veículo, devemos encontrar um item que ativa o portal de teletransporte. Ao remover o item necessário uma onda de dano se fechará no portal (ao estilo battle royale) e então devemos correr o mais rápido possível para o ponto, assim, evitando tomar mais dano pela onda de anomalia.

Todos estes elementos tornam a gameplay de Pacific Drive lenta, burocrática e bastante manual. Até mesmo ligar o carro e baixar o freio de mão são atividades separadas. Porém,ela funciona bem e consegue engajar o jogador na sua proposta e criando um clima de tensão único pelos fatores do medo do que nos aguarda em relação às anomalias e se estamos equipados o suficiente para o desafio.

DLC: Whispers in The Woods

Trazendo uma história independente do jogo base, Whispers in the Wood pode ser jogada após algumas horas de gameplay. Nela, o jogador é transportado para uma outra região mais ao oeste da zona de exclusão. Na nova área os perigos são ainda maiores e é trabalhado o tema do horror ambiental, com uma escuridão que se intensifica ao longo da exploração e sussurros que podem tirar o norte do personagem.

Ganhando mais destaque no novo conteúdo, “A Sociedade” – que também está presente no jogo base – fornece mais recursos ao jogador, porém cobra como preço a sanidade. Entre os pontos mais importantes da entidade está o sistema de artefatos, que o jogador pode carregar consigo e alterar de forma imprevisível a sua volta. Com eles podemos encontrar vantagens, perigos ou ambos ao mesmo tempo.

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Reprodução/Kepler Interactive

Com relação a sua gameplay, o DLC mantém toda a complexidade dos sistemas do jogo base e adiciona ao ambiente as mecânicas de Sinergia e da Maré Sussurrante. Esta última que aumenta se caracteriza por ser uma força crescente que se torna mais perigosa quanto mais tempo a exploração durar. Para controlá-la usamos a Sinergia, que juntamente com o item Ressonador (dado pela Sociedade) ajuda a equilibrar o ambiente.
Quando somadas com as mecânicas de gerenciamento, os novos perigos apresentam cenários novos e desafiadores até mesmo para os mais experientes. Além disso, traz um tempo considerável de jogo, podendo ser completado com cerca de 10 horas de gameplay.

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Reprodução/Kepler Interactive

Som e desempenho

Um ponto que vale muito a pena elogiar é o trabalho sonoro feito no jogo. Seja no jogo base ou na DLC, os sons ambientes são bem trabalhados e conseguem imprimir bem as sensações de urgência, tensão e perigo. Além disso, o jogo conta com uma trilha sonora variada – com cerca de 20 músicas – que tornam a exploração mais variada e tira um possível sentimento de “apenas dirigir”.

Em relação ao seu desempenho, no console da Microsoft não mostrou grandes problemas que impedissem a gameplay ou afetasse o salvamento do jogo. O mais comum foi alguns bugs visuais e de interação com a porta do passageiro. Durante a ação de colocar itens no maquinário que ativa o tele transporte, o personagem atravessou a porta ou a mesma fechava sozinha.

Veredito

Pacific Drive chega bem ao Xbox e sua DLC mostra o quanto o jogo pode se expandir. É impressionante como a combinação inusitada de sobrevivência, gerenciamento de itens, craft e dirigir carros ficou bem encaixada e com uma narrativa interessante e que engaja. Por mais que sua gameplay seja burocrática, ela combina bem com a proposta, o que torna o processo de aprender as mecânicas intuitivo e relativamente rápido.

Aos jogadores de Xbox, é um título que vale muito a pena jogar! Para quem já tem o jogo base no PC ou PlayStation 5, a DLC se mostra completa e é muito recomendada.

*Chave para análise enviada para Xbox Series pela Kepler Interactive

REVER GERAL
Narrativa
Gameplay
Trilha sonora
Visual
Ambientação
Renan Alboy
Mestre em Ciência da Computação e Jornalista. Editor Chefe do O Megascópio e apaixonado por jogos!
critica-pacific-drive-jogo-base-e-dlc-chegam-com-tudo-ao-xboxPacific Drive chega bem ao Xbox e sua DLC mostra o quanto o jogo pode se expandir. É impressionante como a combinação inusitada de sobrevivência, gerenciamento de itens, craft e dirigir carros ficou bem encaixada e com uma narrativa interessante e que engaja.