Lançado mundialmente hoje (07), Chained Echoes: Ashes of Elrant é a tão aguardada expansão narrativa do aclamado JRPG indie de 2022, Chained Echoes.

Desenvolvido pelo estúdio Umami Tiger de Matthias Linda (publicado pela Deck13 Spotlight), este DLC oferece conteúdo novo e substancial para fãs famintos por mais de Valandis.

Acessível diretamente pelo menu principal, a expansão coloca os jogadores de volta no controle das Asas Vermelhas em um momento crítico — imediatamente antes da masmorra final do jogo base. Uma missão aparentemente rotineira (eliminar partidários de Frederick em uma vila) rapidamente se transforma em uma armadilha que teletransporta o grupo para a antiga e mística cidade de Elrant.

Este cenário não é apenas pano de fundo: é o berço do passado de Lenne e a origem do conflito contra o Harbinger, prometendo revelações para quem se interessa pela densa lore do jogo.

Narrativa ambiciosa, mas desigual

Ashes of Elrant tece uma trama de viagem no tempo focada em aprofundar o passado de Lenne e as origens da Ordem de Leonar. A premissa é intrigante, especialmente com a introdução do Lobo Branco, governante misterioso de Elrant que surge como o melhor personagem do DLC — possivelmente a criação mais bem escrita de Linda. Seu carisma rústico e papel fundamental na trama são destaques genuínos; porém, a expansão não aproveita todo seu potencial.

Enquanto a conexão emocional de Lenne com Elrant adiciona peso pessoal, o enredo principal parece apressado, com vilões subdesenvolvidos (relegados a um mal caricato) e membros secundários do grupo muitas vezes esquecidos ou ganhando flashbacks abruptos.

A escrita — que nunca foi o ponto forte do jogo base — soa artificial aqui, com inconsistências de tom minando momentos dramáticos. Crucialmente, o DLC evita alterar o final do jogo original ou resolver mistérios pendentes (como o Homem Mascarado), posicionando-se mais como um filme de anime paralelo que um epílogo narrativo. O resultado é uma história rica em fragmentos de lore para entusiastas, mas sem o peso e a coesão da jornada original.

Chained Echoes: Ashes of Elrant
Reprodução/Umami Tiger

Novidades na jogabilidade: avanços e tropeços

Mecanicamente, Ashes de Elrant oferece uma mistura de refinamentos bem-vindos e experimentos questionáveis. O combate por turnos — centrado na gestão da tensa barra de Overdrive — volta praticamente intacto e continua satisfatório, especialmente nos desafiantes chefes (um superboss com mecânicas de xadrez, onde peões evoluem para rainhas mortais, é um ápice).

A grande novidade é o Lobo Branco como personagem jogável, um tanque físico cuja mecânica de marcas de mordida incentiva buffs estratégicos antes de desferir dano massivo. Junto dele, o sistema de Pontos de Grupo (PP) oferece uma moeda coletiva obtida em batalhas para desbloquear Talentos de Grupo. Estes concedem benefícios como bônus de status, acesso ao novo minigame de pesca ou vantagens em combate (como alargar a zona segura da barra de Overdrive). Embora deem flexibilidade, alguns talentos — como iniciar batalhas em Overdrive — quebram o equilíbrio tático sem ajustes compensatórios.

A exploração ganha destaque: as zonas interconectadas de Elrant (penhascos nevados, ruínas) são mais densas e recompensadoras que no jogo base. Encontrar Poços de Poder para melhorar status permanentemente ou desvendar segredos usando o Quadro de Recompensas resgata a sensação viciante de descoberta. Porém, as recompensas do Quadro parecem pouco impactantes (muitos itens são compráveis em lojas).

Os minigames anunciados são uma aposta arriscada: a pesca é uma distração inofensiva (embora esquecível), mas a escavação — essencial para obter novos Emblemas de Classe — é uma tarefa tediosa e baseada em RNG, que pode consumir 20 minutos de tentativas frustrantes. Outras mudanças, como cristais caírem com tamanho/qualidade fixos de inimigos (em vez de farmados), reduzem a grind mas limitam a diversidade de builds. O combate com Sky Armors, infelizmente, fica desbalanceado até contra superbosses.

Chained Echoes: Ashes of Elrant
Reprodução/Umami Tiger

Veredito

Com duração de 7 a 15 horas (dependendo da vontade do jogador de platinar a DLC), Ashes of Elrant oferece uma experiência robusta. Ela brilha mais como veículo para exploração imersiva e combates desafiadores no mundo de pixel art encantador de Valandis, agora acompanhado por 15 novas trilhas de Eddie Marianukroh que se fundem perfeitamente à trilha sonora original.

Tecnicamente, há problemas: a falta de um menu para alternar entre saves do DLC e do jogo base, por exemplo, força reinícios. No fim, Ashes of Elrant não alcança os picos do Chained Echoes original: sua narrativa parece apressada, ajustes na jogabilidade desequilibram sistemas refinados, e novidades como a escavação falham.

Ainda assim, a pura alegria de revisitar este mundo, enfrentar novos inimigos criativos, desvendar os segredos de Elrant e experimentar o marcante Lobo Branco faz desta uma jornada válida para fãs devotos. É mais uma volta olímpica convincente (ainda que irregular) que uma evolução essencial — provando que até um Chained Echoes menor mantém a faísca mágica de seu predecessor.

Chained Echoes: Ashes of Elrant
Reprodução/Umami Tiger

Chained Echoes e sua DLC Ashes of Elrant já estão disponíveis para PC, PlayStation, Xbox, e Nintendo Switch.

*Análise feita com chave para PC cedida por PR Hound

REVER GERAL
Enredo
Direção
Trilha Sonora
Jogabilidade
Design
Matheus
Fã de Yu-Gi-Oh!, Drakengard/NieR, Ys e Trails. Nas horas vagas, analista de Relações Internacionais e professor de inglês.
critica-o-retorno-a-valandis-na-dlc-ashes-of-elrant-de-chained-echoesCom duração de 7 a 15 horas (dependendo da vontade do jogador de platinar a DLC), Ashes of Elrant oferece uma experiência robusta. Ela brilha mais como veículo para exploração imersiva e combates desafiadores no mundo de pixel art encantador de Valandis, agora acompanhado por 15 novas trilhas de Eddie Marianukroh que se fundem perfeitamente à trilha sonora original. Tecnicamente, há problemas: a falta de um menu para alternar entre saves do DLC e do jogo base, por exemplo, força reinícios. No fim, Ashes of Elrant não alcança os picos do Chained Echoes original: sua narrativa parece apressada, ajustes na jogabilidade desequilibram sistemas refinados, e novidades como a escavação falham.