Anunciado pela primeira vez em 2017, Metroid Prime 4: Beyond foi marcado por um longo desenvolvimento e muitos problemas até chegar ao seu lançamento. Quase duas décadas depois a Nintendo e a Retro Studios lançaram o aguardado título em 04 de dezembro de 2025 para Nintendo Switch e Nintendo Switch 2. Trazendo Samus Aran de volta a ação e com novos recursos para explorar o vasto mundo do novo capítulo da franquia.
Sua narrativa se passa logo após os eventos de Corruption. Recebendo um pedido de ajuda da Federação Galáctica, Samus tem o objetivo de ajudar a deter um ataque de Piratas Espaciais a um centro de pesquisa, situado no planeta Tanamaar. Ao chegar, a protagonista se depara com o caçador de recompensas Sylux. Movido por ressentimentos contra Samus e a própria Federação, Sylux deseja roubar um misterioso artefato que está na base de pesquisa. Durante o combate para tentar evitar o roubo, o artefato é acidentalmente atingido e abre uma fenda espacial que leva Samus para um local desconhecido.
Após essa introdução, que já traz algumas das mecânicas de combate, exploramos o novo local, onde descobrimos que se trata da Cronotorre, no planeta de Viewros. Neste início também somos introduzidos a narrativa que leva ao objetivo principal, pois o planeta é apresentado como o lar dos Lamorn, que é uma poderosa raça alienígena, conhecida por seus poderes psíquicos. Samus encontra o último ser vivo desta raça, que revela a ela que para retornar a seu planeta precisa coletar cinco chaves e ativar a Cronotorre, no processo ajudando a preservar as memórias dos Lamorn.

Se na introdução contra Sylux somos introduzidos, ou lembrados, do combate básico, após o encontro com o alienígena somos apresentados aos poderes psíquicos que guiarão boa parte da jornada pelos cenários. Sendo esta uma das novidades, os poderes psíquicos servem para a resolução de puzzles, navegação por cenários e combates. Este recurso foi anunciado como uma das grandes novidades do título, porém se mostra algo tão comum e já utilizado de forma geral, que é funcional e interessante, mas não inovador.
Outras novidades são os gadgets da Samus, estando entre eles a bota psíquica e a moto, além dos já conhecidos mísseis e tiros que são incrementados na jornada. Com destaque para a moto, ela se mostra bem útil não só para abrir certas portas, mas também para navegar nos amplos cenários e podendo ser usada para combate. A sua obtenção, que ocorre logo no início do jogo, inclui completar alguns circuitos que exploram as diferentes dimensões e potenciais do veículo e se mostram uma “carta de habilitação” para sua utilização.

Por mais novidades que o jogo tente apresentar, a moto, – chamada Vi-O-La – se destaca por representar uma mudança na filosofia de design da franquia. Em títulos anteriores, os cenários se destacavam pela sua exploração mais comedida, mas com muitos caminhos e elementos que faziam natural o backing track dos cenários. Em Metroid Prime 4: Beyond temos uma abordagem que torna os cenários menos complexos e mais amplos. Os cenários antes com diversos caminhos estão mais lineares e ligados por áreas vazias em que a Vi-O-La ganha destaque. O backing Track do cenários ainda está presente, porém mais custoso e cansativo pelo design dos ambientes para fazer uso dos novos recursos.
Outra mudança visível que o novo capítulo traz é a tentativa de tornar sua história mais acessível a partir da adição de npcs. Durante a jornada, Samus pode contar com Myles para obter certas informações, decifrar a tecnologia alienígena e realizar a instalação de novos equipamentos em seu canhão. Ao mesmo tempo que Myles é um personagem legal e torna a gameplay menos solitária, é estranho ver a protagonista (supostamente uma escolhida) dependendo dele para a tradução e instalação. Ações que na teoria ela seria capaz de realizar sozinha. Todo o conjunto de ação citado reforça um backing track que pode ficar cansativo.

Visualmente o jogo está bonito, com cenários detalhados e apresentando uma boa trilha sonora, principalmente nas lutas contra chefes. Seu combate continua funcional, porém menos desafiador e apresentando inimigos fracos para as evoluções da Samus e chefes com padrões praticamente iguais, o que torna as batalhas um ciclo de desviar, esperar o inimigo expor seu ponto fraco e atacar. Também vale a pena comentar que o jogo tem um fator replay baixo devido às poucas novidades que o jogo traz após a sua finalização.
Veredito
Metroid Prime 4: Beyond se mostra um jogo competente para a franquia, mas não tão interessante quando falamos de novidades. Sua gameplay chama a atenção e se mantém divertida em sua essência, porém ao adicionar a Vi-O-La em combinação ao novo design de cenários, temos momentos um pouco cansativos e com backing track forçado. Seu visual está caprichado e traz melhorias visuais significativas.
Para quem já é familiarizado com a franquia, os defeitos podem ficar marcados e não ser o melhor jogo já lançado, mas serão momentos divertidos e que encerram um conturbado desenvolvimento. Para os novatos, Beyond traz a essência dos jogos anteriores, mas com adições que não aparecem necessariamente uma novidade e reflexos da produção de jogos atuais que tentam estender sua gameplay artificialmente.
*Chave para análise enviada pela Nintendo para Nintendo Switch









