Com uma mistura estética e de gêneros que chamam a atenção, Kernel Hearts foi lançado em 17 de setembro deste ano para as plataformas PC (via Steam), Xbox Series X|S e PlayStation 5. Desenvolvido pela Ephemeral Games e publicado pela Whitethorn Games, o título mistura o roguelike com action RPG e batalhas de arena, sendo sua arte fortemente inspirada nos animes dos anos 90.

Inspirações nipônicas

Logo antes de seus menus, Kernel Hearts já apresenta ao jogador uma introdução de sua narrativa muito bem feita. Funcionando como um epílogo, o trecho mostra a evolução do mundo em que o jogo se passa até o seu colapso, que é justamente após ele que o jogo começa.

Kernel Hearts - 3
Reprodução/Whitethorn Games

Trazendo um pouco mais da narrativa, o jogo tem início após conflitos que trouxeram a Torre de Babel como um monumento central e que continua propagando caos. Com suas arenas e seres “angelicais”, a missão da nossa protagonista se torna vencer os andares da torre e eliminar os seres que lá habitam. A questão toda é que mesmo com um mundo bem construído e uma premissa promissora, a história se perde um pouco no seu gênero e cai no papel de ser um bom plano de fundo sem se expandir mais.

A utilização de ideias bíblicas para compor a narrativa juntamente com temática anime combinaram muito bem. A questão temática também se torna visualmente atrativa e com bom alcance de público.

Gameplay

Quando o assunto é gameplay, o jogo se divide em duas frentes: a parte antes e depois de entrar na Torre de Babel. Fora da run dos andares da torre temos uma cidade que funciona como hub para a escolha e melhoria da protagonista, bem como a entrada do multijogador. Após cada tentativa iremos voltar para a sala principal com possibilidades de utilizar os recursos recebidos para upgrades de chips.

Ao todo o jogo apresenta quatro personagens. Com apenas uma desbloqueada no começo, as demais têm sua liberação associadas a avanços no game. Por exemplo, ao enfrentar Lúcifer pela primeira vez liberamos outra guerreira, ao chegar até determinado ponto outra e por aí vai. Por mais que elas sejam visualmente entre si, seus ataques se assemelham em pontos como no ritmo de golpes e movimentação.

Kernel Hearts - 2
Reprodução/Whitethorn Games

Agora, o que acontece ao entrar na torre? Bom, neste ponto o jogo assume a persona de um action roguelike em que você tem um tempo limitado para subir de nível na arena. O medidor lateral indica quando um golpe fatal virá do céu e encerrará a sua run, logo, use o tempo para evoluir a personagem, pegar itens e habilidades e encontrar o ascensorista. Este personagem levará você até o elevador, que poderá ou não ser precedido por um encontro com um dos chefes.

Diferente das batalhas da arena comum, os chefes têm ritmos diferentes e são bem desafiadores. Lógico, jogando sozinho a batalha pode durar um bom tempo, o que reforça o elemento multijogador do título. Vale comentar que por mais que as arenas funcionem e sejam divertidas, suas repetições tornam estes momentos bastante cansativos. Mais objetivos ou estruturas diferentes trariam maior variabilidade e possibilidades de explorar as mecânicas do jogo.

Kernel Hearts - 1
Reprodução/Whitethorn Games

Veredito

Kernel Hearts é um jogo que impressiona logo de cara pela sua animação. Remetendo diretamente aos mangás dos anos 2000, desde sua introdução o jogo já coloca seu tom e cria curiosidade pelo que está por vir. Sua gameplay, mesmo que seja padrão para o gênero, tem um ritmo bom e estimula a busca por melhorias nas personagens devido às novas magias e força para vencer os chefes, assim, podemos dizer que os upgrades vão para além dos números e causam um impacto que pode ser sentido.

Mesmo com tantos pontos positivos nas suas mecânicas, o level design deixa um pouco a desejar pela repetição de arenas e objetivos para chegar aos chefes. Sozinho pode cansar, enquanto a opção de multijogador torna o jogo menos enjoativo neste aspecto.

*Chave para análise enviada pela publisher Whitethorn Games para Xbox Series

REVER GERAL
Narrativa
Gameplay
Visual
Ambientação
Level design
Renan Alboy
Mestre em Ciência da Computação e Jornalista. Editor Chefe do O Megascópio e apaixonado por jogos!
critica-kernel-hearts-tem-otimas-inspiracoes-e-mecanicas-curiosasKernel Hearts é um jogo que impressiona logo de cara pela sua animação. Remetendo diretamente aos mangás dos anos 2000, desde sua introdução o jogo já coloca seu tom e cria curiosidade pelo que está por vir.