Vindo como uma total surpresa aos fãs do seu estúdio mãe, Elden Ring: Nightreign é um “modo multiplayer” para o jogo que mais vendeu em 2022.

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Nightreign sendo essa primeira grande aposta multiplayer da FromSoft decide pegar algumas coisas de fórmulas já populares de jogos múltiplayer e principalmente de battleroyales, mas transforma ela em um formato que que pode acomodar as equipes de 3 personagens que compõem a “visão de jogo” do estúdio.

Reprodução/Bandai Namco

Como mencionado acima, todo o design do jogo é feito em volta de um mundo que acomode 3 jogadores, desde a posição inicial no mapa que é decidida pelo próprio jogo, a área disponível para exploração ser delimitada por círculos. Tudo isso grita battle royale, mas como uma experiência PvE co-op.

Aliado a isso a maior diferença e adaptação para esse formato é a agilidade e versatilidade de travessia que o jogador tem. Um botão de corrida ilimitado e muito mais rápido que a corrida comum? Impensável. Poder pular nas paredes e escalar paredões? Inimaginável.

Cada partida é dividida em 3 dias. Os dois primeiros são bem similares onde os jogadores passam pelo mapa por pontos de interesse coletando recursos e com chefes poderosos ao fim de cada dia e com fim do segundo dia o jogador é transportado para a batalha final contra o chefe escolhido no início da expedição e tentar superar o grande desafio da partida.

Contando com 8 chefes conhecidos como os lordes da noite no lançamento e seus respectivos remixes, eles proporcionam o maior sentido de progressão do jogo, formando um caminho claro até o grande objetivo e final do jogo. Inclusive é totalmente possível que você “termine” o jogo apenas com esse foco e se sinta satisfeito dessa forma. 

Reprodução/Bandai Namco

O seu único impeditivo de aproveitar o jogo nesse ponto é que você precisa de um bom time do seu lado.

O jogo permite expedições solo e futuramente irá adicionar um modo de duplas, mas o jogo foi pensado em trios e nada menos que isso seria o ideal. Além disso, se mesmo um dos jogadores não tiver um bom desempenho, isso pode atrasar muito o jogo.

Somando isso ao fato que não há meios de comunicação dentro do jogo a não ser por um sistema de pings e também há crossplay no jogo, é impossível conseguir coordenação com outros jogadores pelo matchmaking. Eu mesmo só consegui finalizar o jogo com ajuda da comunidade do jogo no Discord.

Reaproveitamento e Ressignificação

Uma das práticas mais curiosas da FromSoftware é também a principal razão de por que ela consegue lançar tantos jogos em intervalos de apenas alguns anos e recheados de conteúdo: o reaproveitamento de assets. 

Seja conteúdo, animações ou o que for; e no caso de Nightreign em específico, além de quase 90% de tudo que tem no jogo ser puxado diretamente do título base de Elden Ring ele também recontextualiza algo que eu pessoalmente sempre achei muito curioso no jogo: a montanha de itens, magias e funcionalidades que eram pensadas para o online e que quase nunca seria utilizado em seu potencial máximo no jogo base.

Reprodução/Bandai Namco

Elden Ring tinha sim um componente multiplayer, mas até hoje é algo muito convoluto e até um pouco limitante. O jogo foi pensado para ser um single-player primeiramente que eventualmente poderia ter alguma interferência de um outro jogador. Seja para invadir o seu jogo ou te auxiliar a realizar alguma atividade, mas essa era a intenção: interações ocasionais. 

Tudo bem que isso foi extrapolado em muitas magnitudes de escala com o público basicamente fazendo do jogo uma experiência co-op ou dedicando dias da sua vida ao PVP do jogo. Inclusive, sempre foi engraçado ver pessoas se afundando no PVP do jogo e criando o próprio meta dedicado e técnicas envolta de como mal otimizado o jogo era para um “competitivo online”. 

Porém aliado a isso, o jogo base de Elden Ring tinha dezenas de itens, magias e habilidades pensadas para quando há mais de um personagem jogador presente e apesar de Nightreign não ser o sonho molhado dos jogadores de PVP, ele consegue se aproveitar 100% do que já existia no título base para esse novo formato co-op e apesar de eu ter alguns problemas com o quanto Nightreign reaproveita de Elden Ring, a dinâmica dele funciona perfeitamente. 

As Almas Perdidas na Noite

Para adicionar um elemento mais diversificado pro jogo e também prover o mais próximo de uma linha narrativa, temos uma pequena gama de personagens que adicionam um pouco de sabor para o gameplay do jogo. 

Reprodução/Bandai Namco

Em Nightreign, os personagens jogáveis são um twist nas classes presentes na criação de personagens de outros jogos soulsborne, com a diferença é que existe uma linha mais clara de qual build deveria ser feita para qual personagem. 

Todo personagem tem uma habilidade passiva, ativa e o equivalente a ultimate e cada personagem traz uma “função” diferente pro time. O Olho-de-ferro por exemplo, é um personagem focado em ataques a distância com o arco. Sua habilidade passiva aumenta a taxa de descoberta de itens, a ativa marca um alvo fazendo ele receber mais dano enquanto a sua ultimate lança um grande projétil em linha reta, atingindo inimigos e até mesmo aliados que precisam de uma mãozinha para levantar. 

Todas essas características fazem do Olho-de-ferro um ótimo personagem que adiciona utilidade ao time já que ele pode permanecer a certa distância dos alvos, garantir a efetividade dos seus bônus de dano e também trazer de volta aliados que foram derrubados com facilidade.

Nightreign tem um total de 8 personagens, alguns mais diretos ao ponto que outros, mas todos com uma boa quantidade de particularidades que faz cada um prover experiências bem distintas um dos outros.

Outros bons exemplos são o Executor que é uma classe feita quase que em resposta ao meta game do Elden Ring base de armas que aplicam efeitos nos inimigos ou a Reclusa que seria sua personagem focada inteiramente em magia e que possui uma habilidade de “preparar magias” completamente única e mirabolante que parece ter saído diretamente de um jogo de luta (sim, eu estou falando a Nine de BlazBlue que tem a mesma mecânica, mas não deixa de ser legal em Nightreign também).

Reprodução/Bandai Namco

E graças ao sistema de níveis no jogo, você ainda pode se arriscar a pegar uma arma que não combina com o seu personagem visando o ponto fraco do chefe final e, com níveis suficientes, ser proficiente o bastante para tirar vantagem desse achado. 

Os personagens também é fonte de história paralela do jogo, cada um com uma história própria que adiciona um pouco mais de intriga e expande o mundo de Elden Ring além do que conhecemos das Terras Intermedias.

Progressão, ou a falta dela

Ironicamente, na era dos game as service, Nightreign tem uma proposta um pouco diferente do que você poderia esperar.

Mesmo sendo um jogo stand alone completamente focado no multiplayer, o jogo não só tem um caminho claro para o seu final, como também não dá ao jogador nenhuma forma de progressão paralela que vai além disso.

Tudo que o jogador acumula ao fim das partidas são seu progresso de Night Lords, progresso na história dos personagens e algumas runas que conferem habilidades passivas e vão compor a sua “build” para cada personagem.

Como padrão de jogos da Bandai Namco, o jogo tem todo suporte de legendas e localização em português do Brasil, mas ainda com a dublagem em inglês. 

Reprodução/Bandai Namco

Veredito

Por mais inesperado que seja, Nightreign é um jogo que funciona muito bem, e digo isso tanto no sentido mecânico quanto sobre a intenção do estúdio em fazer uma experiência multiplayer para o público de soulsborne, apesar de ter algumas ressalvas.

O único ponto negativo que eu tenho sobre o jogo é que dado a quantidade de materiais reutilizados, Nightreign poderia muito bem se encaixar como uma DLC ou simplesmente uma atualização ao jogo principal. Além de, claro, um jogo online em 2025 sem crossplay.

Porém, isso não diminui o feito principal de Elden Ring Nightreign: ser o ponto de retorno ideal se eu estiver com minha coceira de soulsborne que vai tomar no máximo 45 minutos por partida e não horas em um jogo novo de Elden Ring.

Elden Ring Nightreign já está disponível no PS4, PS5, Xbox One, Xbox Series e PC via Steam.

*Chave para análise enviada pela Bandai Namco para PlayStation 5

REVER GERAL
Enredo
Direção
Trilha Sonora
Jogabilidade
Localização
Design
critica-elden-ring-nightreignPor mais inesperado que seja, Nightreign é um jogo que funciona muito bem, tanto no sentido mecânico quanto sobre a intenção do estúdio em fazer um multiplayer para o público de soulsborne, apesar de ter algumas ressalvas. O único ponto negativo que eu tenho sobre o jogo é que dado a quantidade de materiais reutilizados, Nightreign poderia muito bem se encaixar como uma DLC ou simplesmente uma atualização ao jogo principal. Além de, claro, um jogo online em 2025 sem crossplay. Porém isso não diminui o feito principal de Elden Ring Nightreign: ser o ponto de retorno ideal se eu estiver com minha coceira de soulsborne que vai tomar no máximo 45 minutos por partida e não horas em um jogo novo de Elden Ring.