Battlefield 6 tinha uma árdua tarefa a cumprir: trazer de volta uma base de fãs que apesar de gostar de partidas multiplayer online, também esperavam uma campanha single player interessante. Antes de sua chegada aos consoles Xbox Series X|S, PlayStation 5 e PC, o game, desenvolvido pela Battlefield Studios e publicado pela Electronic Arts, já focava neste ponto ao divulgar elementos deste modo de jogo que retornaria com força ao novo título da franquia.
História de guerra
Começando por sua narrativa, sua história se passa em 2027 como mundo à beira de uma nova guerra mundial. A antiga força da aliança da OTAN está se desfazendo, com suas fundações comprometidas pela desconfiança e pela incerteza. Instabilidade financeira, guerras por procuração e disputas políticas deixaram alguns países à deriva em um mar de turbulência geopolítica.
Neste cenário surge Pax Armata, organização financiada por uma coalizão de países que inclui algum ex-membros da OTAN. Enquanto alguns países recorrem a ela como um recurso de proteção, ela usa seu poder de fogo para espalhar o caos e promover ataques para terminar de vez o que sobrou da organização dos demais países.

Durante a campanha temos o gosto desta trama política controlando diferentes personagens, cada um deles sendo de classes diferentes, o que passa boa noção de suas funções, podendo já instruir os jogadores de como utilizá-los no multiplayer. Além disso, a história busca trazer um tom de realidade, mas com mais elementos cinematográficos que os jogos anteriores da franquia.
Os personagens que controlamos, bem como outros NPCs, são bem desenvolvidos, o que colabora para o engajamento na história e a mantém em um bom nível durante todo seu modo campanha. Ao todo, Battlefield 6 traz nove missões divertidas, variadas e bem planejadas, que foram completadas em pouco mais de sete horas de gameplay.
Gameplay
Pensando no modo singleplayer, a gameplay funciona bem e é responsiva. Seguindo padrões de jogos em primeira pessoa, o jogo traz as possibilidades de armas primárias e secundárias. Além, claro, da arma de ataque físico, e explosivos, como granadas, lança mísseis para destruir veículos, C4, drones e armas para abrir caminhos destruindo paredes. Ou seja, permite ao jogador uma ampla liberdade de como ele deseja jogar a fase.
Um dos pontos já comentados, e que tem grande impacto na gameplay, são as classes dos personagens. Cada um deles são inseridos em missões específicas e focam em um tipo de ação. Por exemplo, podemos comparar Dylan Murphy, que é Sargento da Artilharia e classe engenheiro, com a Simone “Gecko” Espina, Sargento de Primeira Classe e do reconhecimento.

Como engenheiro, Murphy se destaca em uma parte que mescla o assalto com a tática. Assim, é bem equilibrado no aspecto de ser agressivo em batalha, mas lidar bem com veículos, podendo por exemplo, realizar concertos no tanque de guerra em uma das missões.
Enquanto isso, Gecko tem como prioridade um combate mais tático e sorrateiro, sendo essencial em eliminações com snipers e em lidar com ameaças que possam ser explodidas. Essas diferenças são bem trabalhadas e aplicadas em cada missão que jogamos.
Nas missões também se destaca a possibilidade de utilizar diferentes veículos. Como uma marca já conhecida da franquia Battlefield, jogar com tanques, jipes e veículos aéreos são pontos interessantes e que trazem uma maior variação da gameplay.
Claro, é válido comentar que mesmo no modo normal de jogo, o jogador não é o Rambo e pode ser abatido com poucos tiros. Isso não só continua marcante no novo episódio da franquia, mas também destaca o nível estratégico que combina com as classes presentes.

Multijogador
Agora, abordando especificamente o modo multijogador e seus modos de jogo, posso dizer que ele está polido e bastante variado. Como os jogadores da franquia já devem saber, estão presentes as batalhas grandiosas que envolvem diferentes tipos de veículos aéreos e terrestres e infantarias com as diferentes classes de soldados (engenheiro, reconhecimento, assalto e suporte). Alguns mapas que trazem essa abordagem são: Pico da Liberação, Vale de Mirake e Operação Fogo Cruzado, mapa clássico de Battlefield 3.
Entretanto, também vale o destaque para modos mais “intimistas”, que privilegiam as interações entre times e focam no combate de infantarias. É o caso das partidas no mapa Cerco ao Cairo, em que brilha o mata-mata em esquadrão. São 16 jogadores, ou seja, quatro times de quatro pessoas, que trazem um ar ainda mais tático e colaborativo. Por mais que as classes importam em todos os mapas, são nestes com menos veículos que mais vemos seu impacto.
Independente do tamanho do mapa, um ponto positivo que é comum a todos (estendo também ao single player) é o grau de realismo presente em Battlefield 6. Não que chegue perto de uma simulação, mas a física e aplicação de demais elementos de forma mais pé no chão combina com a proposta do jogo e traz uma jogabilidade sólida. Além disso, ela também é rápida, porém não descontrolada.

Cenário aos pedaços
Os mapas do jogo são um elemento bem a parte. Desenvolvido na engine Frostbite, o que é feito com os mapas mostra um conhecimento do potencial do motor gráfico pela qualidade do visual e o trabalho feito com partículas.
Praticamente todo o cenário é destrutivo e integrado à parte estratégica. Não é incomum que durante uma missão seja incentivado destruir uma parede para pegar inimigos de surpresa ou usar um tanque para destroçar tudo que está pelo caminho.
Retomando o modo campanha, seus mapas também refletem bem a boa estruturação dos cenários. Hora jogando com objetivos mais lineares e mapas fechados, hora em mapas mais abertos, a utilização deles é aplicada de forma cirúrgica de quando deixar o jogador livre para explorar um pouco mais ou fazê-lo focar em corredores e estruturas fechadas para passar um sentido de progressão narrativa.
Veredito
Battlefield 6 impressiona com sua gameplay precisa, divertida e variada. Além disso, cumpriu bem o que prometeu ao entregar uma campanha competente e intrigante, focada em jogadores que preferem a experiência single player. Quanto ao seu multiplayer e modos de jogo, eles estão bem diversificados e conseguindo explorar a diversidade estratégica que o jogo oferece.
Sem dúvida vale muito a pena jogar o novo episódio da franquia! Além disso, tem grandes chances de ser não só um bom retorno, mas também estar entre os grandes títulos lançados dentro desta linha da EA Games.
*Chave para análise enviada para Xbox Series pela Eletronic Arts









