Atomic Owl, título de estreia da desenvolvedora Monster Theater, chega com uma premissa intrigante e um visual ainda mais impactante.

Você assume o papel de Hidalgo Bladewing, um shinobi coruja traído pelo corvo feiticeiro Omega Wing, que corrompe seus amigos e o aprisiona em uma árvore eterna. Dois anos depois, Hidalgo desperta com apenas uma aliada: Mezameta, uma espada falante e senciente, pronta para uma jornada pelo mundo futurista e neon de Judanest.

Visuais

A pixel art feita à mão do jogo explode em cores vibrantes, misturando motivos japoneses feudais com o futurismo synthwave. Cenários urbanos iluminados por néon, seções celestes etéreas e cutscenes meticulosamente animadas criam uma estética coesa, ao mesmo tempo nostálgica e inovadora.

Esse esplendor visual é potencializado por uma trilha sonora híbrida, com influências de synthwave e JRPG, que ganha energia nos combates e serenidade nas fases de plataforma. É uma festa para os sentidos, e a direção de arte é, sem dúvida, o maior trunfo de Atomic Owl.

Atomic Owl
Reprodução/Monster Theater

Gameplay e progresso

Por baixo da superfície deslumbrante, há um jogo de ação e plataforma funcional, porém irregular. Hidalgo maneja quatro armas intercambiáveis: uma espada ágil, um martelo pesado, um chicote para longo alcance e machados arremessáveis, cada uma útil em cenários distintos.

Trocar de arma fluidamente incentiva a adaptação, especialmente contra inimigos com escudos, que exigem armas específicas para serem quebrados. O combate é rápido e caótico, com habilidades especiais como a foice Yutameta e a transformação devastadora Corvo do Vácuo.

A estrutura roguelite rege o progresso: ao morrer, Hidalgo retorna ao hub Twilight Perch, onde orbes azuis de Meza (coletados durante as runs) podem ser trocados por melhorias permanentes, como vida extra ou revives. Inimigos também soltam Fragmentos de Asa, itens temporários que concedem habilidades como pulo triplo ou dano elemental.

Embora esses sistemas funcionem, faltam profundidade. As melhorias permanentes são decepcionantes e não alteram significativamente a jogabilidade, enquanto os Fragmentos de Asa são raros e mal distribuídos, falhando em trazer variedade às runs.

Atomic Owl
Reprodução/Monster Theater

Falhas técnicas

Infelizmente, escolhas de design e falhas técnicas minam o potencial do jogo. O maior problema é a repetição. Diferente de outros roguelites, os cenários são totalmente fixos — mesmo layout, mesmos inimigos, mesmos objetivos — transformando runs subsequentes em tarefas tediosas, não desafios dinâmicos.

Essa rigidez conflita com a proposta do gênero, fazendo o progresso parecer uma punição. A estrutura fixa também expõe problemas de ritmo: fases iniciais como Bladewing City precisam ser repetidas à exaustão, gerando fadiga antes mesmo do clímax.

A jogabilidade de plataforma, embora competente, sofre com inconsistências frustrantes. Plataformas móveis às vezes “engolem” Hidalgo sem aviso, saltos às cegas são forçados por zooms de câmera imprevisíveis, e obstáculos pouco visíveis em áreas escuras causam mortes baratas.

Os combates, inicialmente satisfatórios, tornam-se confusos quando a tela enche de inimigos e efeitos visuais, ocultando projéteis cruciais e dificultando a localização do sprite pequeno de Hidalgo. Esse caos visual, somado a danos por mero contato com inimigos, faz a luta parecer injustamente punitiva.

A instabilidade técnica agrava a experiência: chefes que não ativam cutscenes após derrotados, personagens atravessando paredes e crashes. Um bug crítico permitia farmar infinitas almas Meza de um chefe “travado”, quebrando o sistema de progressão. Embora patches possam corrigi-los, o estado atual parece mal polido.

A narrativa, conduzida por diálogos dublados entre Mezameta e aliados corrompidos, oferece apenas uma simples trama de vingança, sem evolução emocional relevante.

Atomic Owl
Reprodução/Monster Theater

Veredito

Atomic Owl é um paradoxo: um mundo visualmente deslumbrante e sonoramente imersivo, acorrentado a uma estrutura repetitiva e técnica instável. Seus pontos fortes — a pixel art hipnotizante, a trilha sonora contagiante e o combate frenético — fazem dele fácil de torcer, especialmente nas primeiras horas. Porém, a ausência de geração procedural, sistemas de progressão decepcionantes e bugs persistentes impedem que ele decole.

Para fãs de estética synthwave ou jogadores em busca de um roguelite curto e direto (uma run completa leva 4-6 horas). Contudo, a maioria deve ser cautelosa: talvez valha esperar patches para melhorar a estabilidade e torcer por conteúdo futuro que alivie a repetição.

Atomic Owl tem lampejos de brilhantismo, mas, como Hidalgo após sua derrota, parece aprisionado — aguardando um despertar mais completo.

Atomic Owl
Reprodução/Monster Theater

Atomic Owl já está disponível para PC via Steam e GOG.

*Análise escrita com chave para PC cedida por Eastasiasoft

REVER GERAL
Enredo
Direção
Trilha Sonora
Jogabilidade
Design
Matheus
Fã de Yu-Gi-Oh!, Drakengard/NieR, Ys e Trails. Nas horas vagas, analista de Relações Internacionais e professor de inglês.
critica-atomic-owl-e-um-roguelite-visualmente-deslumbrante-mas-repetitivo-e-com-falhasAtomic Owl é um paradoxo: um mundo visualmente deslumbrante e sonoramente imersivo, acorrentado a uma estrutura repetitiva e técnica instável. Seus pontos fortes — a pixel art hipnotizante, a trilha sonora contagiante e o combate frenético — fazem dele fácil de torcer, especialmente nas primeiras horas. Porém, a ausência de geração procedural, sistemas de progressão decepcionantes e bugs persistentes impedem que ele decole.