Lançado hoje (14) para PC, Arashi Gaiden é um jogo de ação por turnos que conta com um combate frenético ao estilo dash ‘n slash.

O game foi desenvolvido em conjunto pelos estúdios brasileiros Statera Studio e Wild Dreams Studio, com publicação realizada pela Vsoo Games e pela Nuntius Games.

Situado no mesmo universo do sucesso Pocket Bravery, Arashi Gaiden tem uma premissa bem ambiciosa: redefinir o que é um jogo de turnos.

A jornada de um ronin no japão dos grids

Ambientado no universo do jogo de luta indie brasileiro Pocket Bravery, Arashi Gaiden coloca o jogador no papel de Shinji Arashi, um ronin (ninja sem mestre) desonrado, recrutado a contragosto por seu antigo mentor, Lobo.

Sua missão é recuperar três relíquias orientais roubadas pelo sindicato criminoso Matilha — que se aliou a ninjas renegados para dominar o submundo do Japão.

A narrativa, embora minimalista, tece temas como traição e redenção, criando um pano de fundo envolvente para os desafios meticulosamente desenhados do jogo. A jornada de Arashi não é apenas física, mas uma busca espiritual por resgate.

Arashi Gaiden
Reprodução: Statera Studio/Wild Dreams Studio

A dança das lâminas: estratégia em turnos encontra o caos em tempo real

À primeira vista, Arashi Gaiden parece enganosamente simples. O jogador navega por salas baseadas em grids, direcionando Arashi para dashes em quatro direções cardeais, cortando inimigos no caminho.

Sob essa simplicidade, porém, esconde-se uma fusão engenhosa de estratégia em turnos, reflexos em tempo real e quebra-cabeças ambientais. Cada turno exige antecipação: um único dash pode eliminar vários inimigos, mas também lançar Arashi contra espinhos ou adversários.

O jogo eleva sua complexidade ao longo de sete mundos (cada um com 20 salas), introduzindo upgrades como shurikens (ataques à distância), flechas direcionais (redirecionamento durante o dash) e correntes (para imobilizar oponentes). Essas ferramentas consomem energia limitada, forçando o jogador a equilibrar agressividade e gerenciamento de recursos.

Chefes épicos marcam o fim de cada mundo, exigindo domínio total do arsenal de Arashi em duelos de múltiplas fases — onde inimigos lançam bombas ou ataques que alteram o terreno. O resultado é um ritmo dash ‘n slash que mescla a precisão do xadrez com a adrenalina de um combate relâmpago.

Arashi Gaiden
Reprodução: Statera Studio/Wild Dreams Studio

Pixel art e a alma do design retro

Visualmente, Arashi Gaiden é uma carta de amor à era do SNES. Sua arte pixelizada, meticulosamente artesanal, percorre cenários diversos do Japão — desde telhados urbanos banhados pela chuva até florestas de bambu serenas.

Os inimigos transbordam personalidade: ninjas atacam em explosões de cores vibrantes, e chefes impõem-se com silhuetas ameaçadoras. A trilha sonora chiptune amplifica a tensão, com batidas frenéticas sincronizadas ao combate, criando um ciclo sensorial imersivo.

Apesar da estética nostálgica, toques modernos brilham nas animações fluidas: os golpes da lâmina deixam rastros vermelhos, teleportes crepitam com distorções digitais, e armadilhas ambientais (como serras giratórias) movem-se com letal suavidade. Essa fusão de charme retro e polimento contemporâneo faz o jogo soar ao mesmo tempo familiar e inovador.

Arashi Gaiden
Reprodução: Statera Studio/Wild Dreams Studio

Veredito

Com cerca de 5 horas de campanha principal, Arashi Gaiden opta por profundidade concentrada em vez de duração estendida.

Sua curva de dificuldade dispara já no segundo mundo, exigindo soluções criativas para salas repletas de armadilhas — sem dicas ou opções de força bruta. Essa escolha pode frustrar alguns, mas cativa fãs de quebra-cabeças.

A rejogabilidade surge com medalhas de 3 estrelas por desempenho (velocidade e eficiência), incentivando a maestria das mecânicas para dominar as leaderboards. Lançado inicialmente na Steam (com demo gratuita e desconto de lançamento até 28 de julho), versões para consoles já estão confirmadas.

O jogo é um testemunho da cena indie nacional — ousando reinventar convenções de gênero para entregar uma experiência cerebral e eletrizante. Para fãs de ação tática ou joias indies inventivas, Arashi Gaiden é uma aventura afiada que vale cada dash.

Arashi Gaiden
Reprodução: Statera Studio/Wild Dreams Studio

Arashi Gaiden já está disponível para PC via Steam.

*Análise escrita com chave para PC cedida por Nuntius Games

REVER GERAL
Enredo
Direção
Trilha Sonora
Jogabilidade
Design
Matheus
Fã de Yu-Gi-Oh!, Drakengard/NieR, Ys e Trails. Nas horas vagas, analista de Relações Internacionais e professor de inglês.
critica-arashi-gaiden-e-seu-combate-em-turnos-com-inovacao-dash-n-slashCom cerca de 5 horas de campanha principal, Arashi Gaiden opta por profundidade concentrada em vez de duração estendida. Sua curva de dificuldade dispara já no segundo mundo, exigindo soluções criativas para salas repletas de armadilhas — sem dicas ou opções de força bruta. Essa escolha pode frustrar alguns, mas cativa fãs de quebra-cabeças. O jogo é um testemunho da cena indie nacional — ousando reinventar convenções de gênero para entregar uma experiência cerebral e eletrizante. Para fãs de ação tática ou joias indies inventivas, Arashi Gaiden é uma aventura afiada que vale cada dash.