Aether & Iron chega como um híbrido confiante, um jogo que se pergunta o que aconteceria se a complexidade narrativa de um romance policial colidisse de frente com a precisão tática do xadrez.

Desenvolvido pela Seismic Squirrel e lançado para PC via Steam em 31 de março, este RPG narrativo entrega uma ambição estética e mecânica que vai muito além de suas raízes independentes. Ambientado em uma Nova York alternativa dos anos 1930, reimaginada através de uma lente decopunk deslumbrante, o game coloca o jogador ao volante de uma história e de uma frota de automóveis personalizados que desafiam a gravidade.

Narrativa

O mundo de Aether & Iron consegue ser imediatamente cativante: a descoberta do éter, uma força antigravitacional, fraturou a cidade verticalmente. Os ricos deslizam por vias aéreas douradas enquanto o restante da população se apega às sombras das torres inferiores. É aqui que conhecemos Gia Randazzo, uma contrabandista cujo cinismo é tão confiável quanto o motor de seu carro a éter.

A narrativa evita a armadilha simplista do bem contra o mal. Em vez disso, ela mergulha o jogador em uma teia de acenos históricos e políticas de facções, onde uma simples entrega de carga pode desvendar uma conspiração que ameaça derrubar os bairros flutuantes. O texto é afiado e realista, permitindo que o cenário decopunk sirva como algo mais do que mero enfeite; ele é o próprio motor do conflito, criando uma tensão palpável entre o glamour Art Déco das alturas e a sobrevivência manchada de graxa das profundezas.

Aether & Iron
Reprodução/Seismic Squirrel

Mecânicas

Onde o jogo realmente se distingue é em seu sistema de combate tático. Em vez de recorrer a um loop padrão de RPG de ação ou tiroteios por turnos, Aether & Iron deposita sua confiança na máquina. As batalhas se desenrolam em mapas baseados em grades, onde posicionamento, impulso e modificações veiculares são primordiais. Não se trata de uma mera perseguição de carros com rolagens de dados; é uma dança deliberada e estratégica.

Os jogadores devem gerenciar uma frota de veículos, cada um personalizável com um arsenal de equipamentos apropriados à época, porém fantásticos. A decisão de instalar um dispersor de fumaça para uma rota de fuga em vez de um lança-chamas para controle de zona tem peso em cada encontro.

Essa novidade mecânica é reforçada pelo sistema de tripulação: os indivíduos que você recruta não fornecem apenas bônus passivos de atributos; seus talentos distintos alteram as possibilidades do que sua frota pode alcançar em uma escaramuça, reforçando o tema de que, em uma cidade construída sobre éter e ambição, a sobrevivência é um esforço coletivo.

A integração dessas duas metades é perfeita, garantindo que o tempo gasto na garagem ajustando o motor seja tão envolvente quanto o tempo gasto navegando pela perigosa verticalidade da cidade.

Aether & Iron
Reprodução/Seismic Squirrel

Visual e trilha sonora

Essa profundidade mecânica é envolta em uma apresentação que parece nostálgica e inovadora ao mesmo tempo. A direção de arte traça uma linha direta com os traços fortes das revistas de detetive dos anos 1930 e a majestade imponente da arquitetura Art Déco, resultando em um estilo visual que é nítido, melancólico e repleto de atmosfera. É um mundo que implora para ser examinado, desde o brilho do painel de instrumentos de um carro até a silhueta distante de uma torre de atracação de zepelim.

A trilha sonora, criada pelos compositores vencedores do Grammy Christopher Tin e Alex Williamson, eleva ainda mais a experiência. Essa trilha é reativa, crescendo com uma intriga de influência jazzística durante os momentos calmos de diálogo e mudando para ritmos mecânicos e pulsantes quando o combate tático começa. É uma trilha sonora que entende a dualidade do próprio jogo: parte drama humano, parte máquina de metal.

Aether & Iron
Reprodução/Seismic Squirrel

Veredito

Aether & Iron é o tipo de projeto que poderia facilmente ter sucumbido sob o peso de suas próprias ambições, mas permanece como um testemunho de design focado. Ele entende que um cenário único é melhor servido por uma maneira única de interagir com ele. Ao ancorar uma narrativa profundamente humana e orientada por escolhas na emoção inesperada do combate veicular tático, a Seismic Squirrel criou algo que parece familiar e refrescantemente novo.

Para aqueles que buscam um RPG mais interessado no ronco de um motor e na sujeira de uma rua da cidade do que em feitiços mágicos ou dragões, esta jornada por uma Nova York alternativa vale bem o preço da passagem. É um passeio confiante, estiloso e mecanicamente satisfatório que deixa você ansioso para ver o que está por trás da próxima curva.

Aether & Iron
Reprodução/Seismic Squirrel

Aether & Iron já está disponível para PC via Steam.

*Análise escrita com chave para PC cedida pela Theogames

REVER GERAL
Enredo
Direção
Trilha Sonora
Jogabilidade
Design
Matheus
Fã de Yu-Gi-Oh!, Drakengard/NieR, Ys e Trails. Nas horas vagas, analista de Relações Internacionais e professor de inglês.
critica-aether-iron-usa-estetica-decopunk-para-entregar-um-mundo-extremamente-interessanteAether & Iron é o tipo de projeto que poderia facilmente ter sucumbido sob o peso de suas próprias ambições, mas permanece como um testemunho de design focado. Ele entende que um cenário único é melhor servido por uma maneira única de interagir com ele. Ao ancorar uma narrativa profundamente humana e orientada por escolhas na emoção inesperada do combate veicular tático, a Seismic Squirrel criou algo que parece familiar e refrescantemente novo. Para aqueles que buscam um RPG mais interessado no ronco de um motor e na sujeira de uma rua da cidade do que em feitiços mágicos ou dragões, esta jornada por uma Nova York alternativa vale bem o preço da passagem. É um passeio confiante, estiloso e mecanicamente satisfatório que deixa você ansioso para ver o que está por trás da próxima curva.