Escrito por Alain T. Puysségur e ilustrado por Mathilde Marlot, O Manual do Bruxo, lançado originalmente em 2023, é uma carta de amor ao universo de The Witcher criado por Andrzej Sapkowski. Publicado no Brasil pela WMF Martins Fontes em 15 de agosto de 2025, com tradução de Flávia Lago, o livro coloca o leitor como um bruxo em treinamento lendo as palavras do bruxo erudito da Escola do Lobo chamado Ekaitz.
Sua narrativa se mescla com a ideia do manual, assim, tratando o leitor como uma pessoa minimamente iterada na vida do Continente, mas com toques pessoais do personagem narrador. Tendo isso como base, praticamente todo o livro mistura esses elementos de forma bem interessante, pois traz informações técnicas de criaturas, povos do continente, geografia, política e muito mais ao mesmo tempo que registra vivências particulares do bruxo escritor.

Um bom exemplo desta mistura é a necessidade que o bruxo apresenta de justificar o porquê está escrevendo. No caso, ele assume que se não fosse bruxo, seu sonho seria ser um bardo ou um poeta e “dedilhar instrumentos ou manusear uma pena” ao invés da espada. Devido a um ferimento em batalha que irá demorar um pouco mais de tempo para curar, ele utiliza de seu descanso no Templo de Melitele para começar o manual.
A abordagem de Puységur ao universo do romance de Sapkowski torna a leitura interessante , mesmo que já conheça o universo de The Witcher de forma aprofundada a leitura é leve, divertida e retoma bons pontos dos livros canônicos quando falamos de mitologia e origens. Outro ponto interessante é como é retratado o tempo da narrativa, uma época em que os monstros eram mais abundantes, bruxos ainda eram criados e a antipatia contra eles estavam começando a se tornar ódio.
Acompanhando a escrita e compondo a parte mais manual do que literária, temos as páginas ilustradas com ótimos desenhos. Nelas, podemos conferir não só retratos de criaturas, mas também de posicionamentos de mão para a execução de sinais, mapas cartográficos, dentre outros símbolos do Continente.
Em relação à qualidade do material, a publicação da WMF Martins Fontes acompanha o padrão da coleção capa mole de The Witcher. Assim, trazendo qualidades e gramaturas semelhantes de papel, inclusive a mesma coloração para um branco amarelado.

Para quem é o livro?
O Manual do Bruxo tem uma boa qualidade de publicação e traz uma proposta que desperta a curiosidade pela intenção de ser um manual, mas com as peculiaridades de seu narrador. Sua leitura pode se encaixar de forma ideal para aqueles curiosos sobre o Continente e sua mitologia, sendo bem interessante aos que já são leitores da franquia e tem um conhecimento básico de The Witcher. Isso porque, o que os livros exploram de forma fracionada durante toda narrativa, temos aqui um aglutinado que sintetiza os elementos do universo de forma clara e direta.
Com isso não quero dizer que novos leitores deveriam ficar longe do material. Diferentemente disso, coloco como uma boa oportunidade de entrar de cabeça na franquia, tendo como guia o romance e incluindo O Manual do Bruxo em sua leitura para se familiarizar ainda mais com conceitos e ideias que cercam este rico universo.
*Material para análise enviado pela Editora WMF Martins Fontes









