Os livros jogos estão presentes na literatura a bastante tempo e podem apresentar as mais diversas temáticas. Assim, abordando assuntos que vão desde eventos em épocas medievais a contos futuristas.
Focados em uma abordagem independente, eles permitem que os jogadores naveguem de formas diferentes pela sua narrativa, tal qual um RPG, e proporciona horas de diversão. Trazendo uma nova abordagem para estes livros, a Editora Devir publicou no Brasil o título “Nas Cinzas”, de Pablo Aguilera, no final de junho de 2025.
Nesta análise não iremos abordar spoilers, justamente por ser uma experiência única para cada jogador e variante de suas escolhas, apenas o contexto narrativo geral e suas diferenças para os livros jogos mais tradicionais. Em Nas Cinzas, iremos encarar um mundo tipicamente medieval com mistérios, magia, monstros (humanos e não humanos) e muitas possibilidades de ação. As opções tornam cada aventura única e aumenta a rejogabilidade do material.

Em materiais do gênero mais tradicionais, teremos a leitura de parágrafos numerados, os quais levarão o jogador para diferentes partes do livro a depender de suas escolhas. Encontros e batalhas normalmente podem ser resolvidos com rolagem de dados, que também estão presentes nos rodapés das páginas. Essa estrutura, juntamente com uma ficha com elementos reduzidos, tornam a jogatina muito divertida e prática.
Toda a facilidade permite que muitos públicos sejam atingidos e se encontrem neste universo. Dada a variedade, eles conseguem agradar jogadores e entusiastas de boas histórias.
Mas e Nas Cinzas? Bom, falando da publicação da Devir diretamente, ela inova ao trazer os elementos conhecidos dos livros jogos, mas também por misturar ainda mais elementos de RPG e jogos de tabuleiro. E sim … tudo isso sem a necessidade de componentes extras que não sejam um lápis ou caneta.

Além das escolhas, o material traz grids de batalha e opções de ação que resultam em diferentes cenários. Cada escolha pode impactar de forma impressionante a narrativa e as batalhas futuras. Sobre regras de movimentação e combates é tudo muito bem explicado e cada elemento adicionado no decorrer da história é detalhado no momento certo. Isso alinha a curva de aprendizagem e torna o material muito acessível ao público fã de fantasia.
Em relação a suas artes, todas as ilustrações são muito caprichadas e bem coloridas, o que traz um gosto a mais na gameplay. Tal capricho também ajuda na imersão e envolvimento com a proposta. Além disso, todo o acabamento está muito bem feito ao trazer um material de capa dura e papel de boa gramatura.

Já tendo experiências com livros jogos tradicionais e visitando alguns universos assim, Nas Cinzas aprofundou ainda mais a vontade de mergulhar de cabeça nestes tipos de materiais. Além de seu bom acabamento, as adições mecânicas de grids e táticas de movimentação/ataques dão um toque especial e irão agradar muito aos jogadores de RPG.
Claro, sua narrativa também é envolvente e bem estruturada, ressaltando os impactos das escolhas de forma a criar uma viagem única não só a cada pessoa, mas sim a cada vez que é revisitado.
Quanto ao público mais geral, a indicação também é algo certeiro e que pode introduzir muitos leitores em outro hobby. Suas regras são claras e bem explicadas, contando inclusive com glossários e textos mais robustos no final do material.
* Material para análise enviado pela Devir Editora









