No inquietante universo dos jogos de terror independente, VILE: Exhumed se destaca ao explorar o medo voyeurístico de found footage por meio de uma interface retrô de computador.

Conversamos com Cara Cadaver, a desenvolvedora do jogo, para explorar sua abordagem única de narrativa de horror, o tratamento responsável de temas sensíveis e as influências pessoais que moldaram essa experiência marcante.

Found footage, interface retrô e ritmo orgânico

VILE: Exhumed equilibra a narrativa do subgênero de found footage ao utilizar a interface de um computador com o ritmo tradicional de jogos de terror – apesar da mistura ter combinado, essa não era a intenção inicial de Cara:

Honestamente, eu não estava pensando nisso enquanto fazia o jogo. A forma como a história se desenrola para o jogador aconteceu de maneira muito orgânica, e provavelmente foi por isso que funcionou. Meu foco não estava em me prender ao ritmo tradicional. Eu só queria entregar a história ao jogador.

Essa abordagem orgânica foi essencial. Ela destaca o poder único da interface retrô para o horror:

Achei que usar a interface de computador retrô é uma forma muito interessante de entregar uma narrativa de terror. Adoro filmes de found footage e sou obcecada em criar atmosfera assustadora e tensão, em vez de jump scares — e a natureza voyeur de bisbilhotar um computador funciona muito bem com o desconforto que busquei criar em VILE: Exhumed.

VILE: Exhumed
Reprodução/Final Girl Games

Enfrentando a escuridão: autenticidade em vez de salvaguardas

Quando se trata da escolha de uma abordagem crua com temas tão sensíveis, Cara é bem direta:

Acho que lidar com esses temas de forma responsável e respeitosa não significa necessariamente implementar ‘salvaguardas’. Significa ser realista e ter os pés no chão, sem elevar esses comportamentos a algo mais fantasioso ou ‘assustador’ só para causar choque — apenas falar sobre eles com honestidade.

Seu objetivo principal era autenticidade e provocar uma reação específica: “Era muito importante contar essa história de uma forma que parecesse orgânica e autêntica. Eu só queria deixar as pessoas desconfortáveis.”

VILE: Exhumed
Reprodução/Final Girl Games

Nostalgia e mecânicas: deixando o jogo falar

Durante o período de divulgação do jogo, Cara sempre deixou bem claro como suas experiências pessoais moldaram a estética de VILE:

Em termos de mecânicas, sempre fui obcecada por jogos e estéticas retrô. Sou uma pessoa muito nostálgica, então, ao criar uma interface para contar uma história, naturalmente optei por essas escolhas mais ‘old-school’.

Quanto à perspectiva narrativa mais profunda e o que os jogadores devem absorver, a desenvolvedora adota uma postura concisa e evocativa: “Quanto à história, acho que o jogo fala por si mesmo.”

VILE: Exhumed
Reprodução/Final Girl Games

Conclusão: desconforto proposital

VILE: Exhumed surge como um projeto guiado por instinto e paixão pessoal. O compromisso da desenvolvedora com uma narrativa orgânica, aliado ao voyeurismo inerente a uma interface retrô de computador, cria uma forma única de tensão atmosférica.

Seu tratamento de temas perturbadores e reais prioriza a autenticidade em vez de táticas de choque ou salvaguardas explícitas, mirando diretamente em provocar desconforto genuíno.

Alimentado pelo amor pela estética retrô e uma intenção narrativa clara (embora não dita), VILE: Exhumed convida os jogadores a uma escavação digital profundamente inquietante, onde o horror reside tanto no ato familiar de clicar em arquivos quanto nos segredos perturbadores que eles revelam.

VILE: Exhumed
Reprodução/Final Girl Games

VILE: Exhumed já está disponível para PC via Steam e você pode conferir nossa crítica sobre o jogo abaixo: