Lançado originalmente em 2019 pela Nihon Falcom, Ys IX: Monstrum Nox é um RPG de ação japonês que acompanha o lendário aventureiro de cabelos ruivos Adol Christin.
O jogo se afasta dos cenários tropicais típicos da série ao confinar Adol na grande e opressiva cidade-prisão de Balduq. Após ser preso nos portões da cidade, uma mulher misteriosa amaldiçoa Adol, transformando-o em uma entidade superpoderosa conhecida como Monstrum.
Preso dentro das muralhas da cidade, ele precisa se unir a outros indivíduos amaldiçoados para desvendar a história sombria da região e reconquistar sua liberdade, enquanto lida com o Grimwald Nox, uma fenda na realidade que liberta monstros nascidos do trauma coletivo da cidade.
Seguindo a deixa de Lacrimosa of Dana, a Dragonwell Publishing agora lança Monstrum Nox, livro baseado no nono game da franquia Ys escrito por Anna Kashina.
Uma adaptação fiel, porém seletiva
Kashina, que já havia adaptado o aclamado Ys VIII: Lacrimosa of Dana para a Dragonwell Publishing, demonstra domínio seguro da narrativa central e dos temas do jogo. Em vez de simplesmente transcrever cada mecânica do game, Kashina faz escolhas editoriais inteligentes para fortalecer a experiência em prosa.
A mudança mais notável é a redução dos segmentos do Grimwald Nox. Enquanto o jogo força o jogador a enfrentar essas batalhas caóticas constantemente, o romance sabiamente as resume logo no início para não interromper o fluxo narrativo.
O livro de 486 páginas, embora longo, se beneficia dessa abordagem enxuta, concentrando a atenção do leitor na dinâmica dos personagens e no intrincado mistério da prisão de Balduq. A forte sensação de história, opressão e ressentimento coletivo que se manifesta fisicamente no mundo do jogo é preservada de forma eficaz, resultando em uma leitura mais coesa e menos repetitiva.

Um Adol mais sombrio e convincente
O ponto mais forte desta novelização é o mergulho profundo na mente de seu protagonista. No meio interativo, Adol costuma ser um avatar silencioso ou quase silencioso para o jogador, um aventureiro perpetuamente positivo e alegre. Kashina aproveita o formato do romance para dar a ele uma voz distinta e uma aresta surpreendente.
Esta versão mais adulta e mais cansada de Adol, agora na casa dos vinte e poucos anos, permite que emoções negativas como raiva e cinismo venham à tona. É uma pequena mudança de tom em relação aos jogos, mas que parece merecida, dado o cenário sombrio e a experiência acumulada do personagem.
A história permanece restrita à sua perspectiva, proporcionando uma jornada profundamente pessoal e introspectiva. Além disso, o romance reduz com sabedoria o elenco inflado do jogo para focar principalmente em um trio de Monstrums, especialmente na dinâmica entre Adol, o espirituoso Gato Branco e o rústico Falcão Selvagem. Esse foco seletivo dá a esses personagens mais espaço para se desenvolver, e um toque adicional de tensão romântica unilateral adiciona uma nova camada interessante às interações do grupo.

Problemas de ritmo e falhas persistentes
Apesar de seus muitos pontos fortes, Monstrum Nox tropeça de algumas maneiras frustrantes. O ritmo é muitas vezes rápido demais para seu próprio bem. Embora seja uma bênção que as cenas de batalha repetitivas tenham sido reduzidas, alguns dos momentos mais envolventes de suspense e ação também parecem apressados. As cenas de luta, embora bem escritas, terminam quase assim que começam, e uma grande reviravolta envolvendo perspectivas duplas é resolvida tão rapidamente que perde grande parte de seu impacto potencial. O livro teria se beneficiado enormemente ao diminuir o ritmo para saborear seus momentos dramáticos mais importantes.
No entanto, a falha técnica mais gritante é o próprio texto. O romance sofre com erros de digitação, incluindo erros ortográficos, gramaticais e de pontuação. Esses erros, que também foram observados na novelização anterior da autora, aparecem com frequência suficiente para tirar um leitor atento da história, fazendo o livro parecer que poderia ter passado por mais uma ou duas rodadas rigorosas de edição.

Veredito
O Monstrum Nox de Anna Kashina é, em última análise, uma tradução bem-sucedida de um jogo profundamente imperfeito. Para os fãs da série, esta é uma maneira curiosa de experimentar a história de Balduq, pois elimina os excessos da jogabilidade e injeta personalidade genuína e introspecção no personagem principal.
Aqueles que acharam o jogo original carente de coesão narrativa encontrarão no foco mais apertado do romance uma melhoria bem-vinda. No entanto, os novatos na série podem sentir um certo estranhamento com o ritmo acelerado. Os erros editoriais podem incomodar, impedindo que o livro – que é bom – se torne verdadeiramente ótimo.
Ainda assim, para aqueles dispostos a ignorar esses descuidos, esta é uma aventura de fantasia sombria convincente e uma continuação digna dos livros de Ys.

*Análise escrita com material cedida pela Dragonwell Publishing









