Etrange Overlord é um RPG de ação musical desenvolvido sob a direção criativa de Sohei Niikawa, o criador de Disgaea e Rhapsody.

Com lançamento marcado para 26 de março para Playstation, Switch e PC, o game coloca o jogador no papel de uma nobre obcecada por doces que acaba governando o submundo após ser executada injustamente.

Com personagens desenhados por Shinichiro Otsuka, conhecido por Re:Zero, e uma música tema interpretada pela VTuber Tsunomaki Watame, da hololive, o título já mostra sua proposta excêntrica logo de cara.

Humor absurdista

No centro de Etrange Overlord está uma história movida por um humor absurdo. A protagonista, Étrange von Rosenburg, é traída por seu noivo e enviada à guilhotina, mas desperta no inferno com seu amor por doces intacto. Em vez de se desesperar, ela decide montar um exército demoníaco e conquistar o submundo em nome das sobremesas.

O que começa como uma premissa cômica aos poucos revela uma profundidade emocional inesperada, mas o tom nunca perde sua consciência humorística. A escrita é consistentemente espirituosa, e os objetivos das fases vão de confrontos diretos a variações bizarras, como batalhas contra chefes inspiradas em pinball.

Essa disposição em subverter expectativas impede que a narrativa se torne mais uma simples história de vingança, e o elenco com mais de quinze personagens jogáveis, cada um com suas próprias peculiaridades, adiciona bastante personalidade à jornada.

Etrange Overlord
Reprodução/NIS America

Combate excêntrico

A jogabilidade combina ação acelerada com algumas mecânicas incomuns. O combate é construído em torno de um sistema de pistas giratórias — uma espécie de esteira que move itens, power-ups e até mesmo os membros do grupo pelo campo de batalha. Isso força o jogador a pensar rápido, cronometrando os movimentos para pegar o que precisa ou reposicionar os aliados em meio ao confronto.

O esquema de controle é propositalmente simples, utilizando poucos botões, o que torna o jogo fácil de aprender. No entanto, simplicidade não significa superficialidade: a variedade de fases é imensa, e o jogo muda constantemente os objetivos para evitar a repetição. É possível levar até três aliados controlados pela IA para a batalha, cada um com habilidades únicas, e há ainda um modo multiplayer coop separado para duas a quatro pessoas.

Apesar da boa qualidade, os jogadores podem enfrentar alguma dificuldade com os menus de progresso, que podem ser bem confusos no início, além de ter que lidar com uma câmera que é errática nos momentos mais frenéticos dos combates.

Etrange Overlord
Reprodução/NIS America

Veredito

A apresentação de Etrange Overlord entrega um estilo vibrante e exagerado, que combina com sua narrativa peculiar. A arte de personagens de Shinichiro Otsuka confere um traço marcante e expressivo ao elenco infernal, e a trilha sonora — com destaque para a música tema de Watame — abraça a energia divertida do jogo.

As primeiras horas podem parecer um tanto brutas, com uma curva de aprendizado que não exibe imediatamente os pontos fortes da obra. Porém, para quem supera esse início, a experiência se transforma em um RPG de ação genuinamente inventivo.

Mesmo não sendo uma obra-prima sem falhas, o jogo precisa ser elogiado pelo humor, pela variedade mecânica e pelo pedigree criativo por trás dele. Apesar de suas peculiaridades, Etrange Overlord se firma como um título confiante e fora do comum, que recompensa a paciência com muitas risadas e um combate surpreendentemente estratégico.

Etrange Overlord
Reprodução/NIS America

Etrange Overlord estará disponível em 26 de março para Playstation 4 e 5, Nintendo Switch e PC.

*Análise escrita com chave para PC cedida por NIS America

REVER GERAL
Enredo
Direção
Trilha Sonora
Jogabilidade
Design
Matheus
Fã de Yu-Gi-Oh!, Drakengard/NieR, Ys e Trails. Nas horas vagas, analista de Relações Internacionais e professor de inglês.
critica-etrange-overlord-faz-uso-de-toda-a-criatividade-peculiar-de-sohei-niikawaA apresentação de Etrange Overlord entrega um estilo vibrante e exagerado, que combina com sua narrativa peculiar. A arte de personagens de Shinichiro Otsuka confere um traço marcante e expressivo ao elenco infernal, e a trilha sonora — com destaque para a música tema de Watame — abraça a energia divertida do jogo. As primeiras horas podem parecer um tanto brutas, com uma curva de aprendizado que não exibe imediatamente os pontos fortes da obra. Porém, para quem supera esse início, a experiência se transforma em um RPG de ação genuinamente inventivo.