Se Dante de Devil May Cry consumisse um cogumelo do Mario, muito provavelmente o resultado seria a viagem que vemos em Romeo is a Dead Man. Lançado em 10 de fevereiro de 2026 para PC (via Steam), Xbox Series e PlayStation 5, o game – desenvolvido e publicado pela GRASSHOPPER MANUFACTURE INC. – é único em muitos sentidos. Isso é válido para sua experiência narrativa, gameplay e escolhas estéticas.
O amor de Juliet e Romeo
Sua narrativa coloca o jogador na pele de Romeo, um delegado de uma pequena cidade que é atacado por um monstro e se encontra à beira da morte. Para não perder seu neto, o avô de Romeo – que é um gênio da ciência – o transforma em um humano com uma tecnologia que o leva a ser um agente do FBI quando os assuntos se trata do espaço-tempo.
Partindo dessa premissa, que explica os poderes do protagonista, também temos sua relação com Juliet. A garota foi resgatada por Romeo e ambos desenvolveram sentimentos recíprocos. Entretanto, seu relacionamento é afetado por ela ser uma singularidade, que pode comprometer as realidades. Agora, Romeo e os demais membros da equipe do FBI irão caçar criminosos pelo espaço-tempo, também procurando a verdadeira Juliet e eliminando suas versões malignas.

Se o que descrevi anteriormente parece muita loucura é porque realmente é. A narrativa ganha no caos que ela apresenta e na forma como trabalha suas propostas absurdas. E quando analisamos a forma com que ela é contada de forma episódica e escolhas estéticas, o texto se mostra coerente e funciona bem.
A abordagem da história traz um tom cômico, carregado de piadas e momentos divertidos em meio ao banho de sangue que as batalhas mostram. Um ponto que diverte é a mudança perspectiva da narrativa e a forma alternada de utilizar cutscenes, imagens estáticas e formatos de hqs para contar os acontecimentos.
Misturando todos esses elementos, temos uma história que pode não ser profunda, mas diverte e abraça o caos e a estranha por completo. Se jogar nessa proposta faz bem a ela e a torna única.

O que estou jogando?
O título deste tópico é bem representativo com o sentimento inicial com o game. Começando pelo básico e que destaca o estilo do jogo, enquadrando-o como hack and slash, temos a gameplay em fases e batalhas contra chefes. Neste momento, o game é marcado por muita ação, batalhas sangrentas, e claro, bem humoradas. Munido de um arsenal composto por quatro armas corpo a corpo e a mesma quantidade de armas de fogo, temos em cada uma delas uma gameplay diferente em que é possível sentir o peso na velocidade e impacto dos movimentos.
Os inimigos são apresentados em uma variedade boa e as fases apresentam basicamente uma estrutura fixa: ambientes amplos em que coletamos itens, somos encaminhados para uma dimensão especial – chamada de Ciberespaço – para encontrar as partes da chave que libera o portal para o chefe da fase. Mesmo parecendo um caminho burocrático, os combates são divertidos e o direcionamento que o jogador deve tomar para concluir os objetivos intuitivos, o que torna a experiência agradável e eletrizante devido a boa composição da ambientação e suas trilhas sonoras. Quanto aos chefes, eles apresentam um bom design e seus embates são significativamente diferentes, forçando uma análise dos melhores equipamentos para usar.

Passada a parte da fase convencional temos os eventos entre fases, que são as missões secundárias e a vida dentro das nave Last Night, que serve como QG de sua equipe. As missões secundárias – chamadas de Templo de Atenas – são dungeons que seguem o mesmo formato das fases, porém mais lineares e com diferentes níveis de dificuldade. Já a gameplay na Last Night … bom aí temos uma mudança bem brusca!
Isso porque, quando estamos na nave, o visual do jogo muda completamente e temos gráficos pixelados, interações com os npcs e atividades extras. Além de sabermos mais das missões e realizarmos updates, também temos minigames como cozinhar refeições e plantar zumbis. Sim, plantar zumbis. Esses podem ser equipados e utilizados nas batalhas como itens, sendo que cada zumbi plantado ganha um nome e uma habilidade aleatória. Por exemplo, ser um zumbi metralhadora ou até mesmo um que corre e explode em direção aos inimigos.
Todos estes elementos diversificam bem a gameplay e torna o avanço na narrativa marcante dentro de toda sua estranheza. Os gameplays contrastantes conversam com a temática do jogo e torna tudo ainda mais divertido.

A dificuldade como um chocolate
Seguindo o tom bem humorado, logo no começo selecionamos a dificuldade do jogo relacionado a tipos de chocolates. Assim, fazendo uma alusão que após escolher e comer, não é possível voltar o doce para a caixa da mesma forma que a escolha da dificuldade é definitiva para a gameplay que está sendo iniciada. Com uma dificuldade bem acentuada, vale a pena ler bem a descrição de cada uma para adequar a experiência de jogo que você deseja.

De forma geral, sua gameplay no modo normal já é bem desafiadora. Não é difícil de te fazer desistir em uma batalha de chefe ou área com muitos inimigos, mas o suficiente para fazer você tentar algumas vezes e ter que aprender a movimentação, tempo de ataque, esquiva e quais equipamentos irão te permitir tirar mais vantagem das condições apresentadas. Essa dificuldade base do jogo já permite explorar bem as mecânicas, tirando a gameplay da mesmice de um simples esmagar de botões.

Veredito
Romeo Is a Dead Man impressiona pelo conjunto de seus elementos. O combate é sangrento e divertido, tendo bons cenários e inimigos – principalmente os chefes – estranhos e criativos, e a gameplay em pixel arte na nave Last Night muda a jogabilidade juntamente com o visual. Assim, criando momentos únicos em cada etapa da sua gameplay.
Sua narrativa parte de uma premissa simples, porém ganha força não necessariamente no seu conteúdo, mas sim pela forma com que é contada. Toda a loucura nos eventos combina com as mudanças estéticas para o formato de HQ e torna a direção de arte do jogo um dos seis pontos altos. Nesse balaio todo a trilha sonora não fica de fora ao combinar com o tom dos embates e elevar a ação do gameplay.
Romeo is a Dead Man é um jogo obrigatório para os fãs de hack and slash! Seja pela gameplay precisa, cadenciada e responsiva ou pela sua estética. É uma indicação certa.
*Chave para análise enviada para Xbox Series pela GRASSHOPPER MANUFACTURE INC.









