Sendo lançado quase um ano depois do primeiro Remake em HD-2D da série com Dragon Quest III, Dragon Quest I-II HD-2D Remake fecha a primeira trilogia da série sendo toda reformulada para uma nova linhagem e uma nova era.
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Legado
Dragon Quest é uma das séries que tem uma relação curiosa com nós ocidentais por ser aquela série que sempre soubemos que existia, principalmente se você tem interesse em JRPG e que era gigantesca no Japão, mas meio que nunca marcou presença de verdade nesse lado do mundo.

Dragon Quest é nada menos que o grande responsável por tudo que conhecemos hoje como RPG japonês e uma influência gigantesca dentro e fora do próprio gênero e nicho. Tão formativo pro seu meio quanto o próprio Dungeons & Dragon que é a verdadeira origem do RPG de aventura.
Nos últimos anos e principalmente após o lançamento de Dragon Quest XI, a série tem ganhado mais e mais atenção nos últimos anos. Tivemos spin-offs do próprio DQXI, um revival do anime de Fly, O Pequeno Guerreiro e nada menos que 4 remakes dos jogos principais da série, com Dragon Quest I & II HD-2D Remake entre eles.
Contudo algo curioso desse Remake que claramente foi uma decisão criativa, é que agora tanto DQ1 quanto DQ2 foram meio que homogeniziados para encaixar mais esteticamente tanto com o Remake de DQIII que fecha a primeira trilogia da série, mas por consequência também trás muita coisa reaproveitada do próprio DQXI que foi o jogo projetou bastante a série nos últimos anos.

O ponto que mais se destaca nesse reaproveitamento é a música, que nem de longe é ruim, mas tendo jogado ambos os jogos é plenamente perceptível. Porém também dá pra sentir um pouco disso nos menus do jogo.
Porém, pra sorte desse Remake, tem algo que é inestimável em Dragon Quest. É difícil de descrever, mas o clima que o jogo oferece, com essa música animada, cores vibrantes e esse sentimento primordial de aventuras genuínas e leves acaba que
Um Mundo Quase Aberto
Uma coisa curiosa desse remake é que, diferente do original, ele chega a ser mais mais linear e o jogo tem alguns recursos a disposição do jogador caso ele queira uma experiência guiada ou descobrir o próximo objetivo apenas com diálogos de NPCs.
Por exemplo, tem um recurso onde o jogador pode guardar diálogos de NPC e “lembrar” deles apenas com um toque no menu, mas isso acaba sendo um recurso que fica inteiramente na mão do jogador utilizar.
O jogador também pode, se quiser, apenas configurar o jogo para apontar no mapa o próximo grande objetivo para a história principal. Ainda é possível avançar a história em outros pontos do mapa de forma limitada, mas sempre vai ter esse guia para te manter nos trilhos.

Como o JRPG quintessencial, é curioso ver esse Remake não tendo medo algum de fazer áreas vastamente mais difíceis que outras e chefes que são um pulo muito grande de dificuldade. O grind por experiência no jogo é bem real, mas nada que algumas horas com a estratégia correta não dê conta.
Luta à Moda Antiga
No combate é onde o Remake acaba se distanciando um pouco mais do jogo original. Onde antes todas as batalhas eram um contra um, agora isso foi mais expandido. É comum haver encontros com mais de 5 monstros ao mesmo tempo.
O combate aqui no caso não é muito diferente de títulos mais recentes, com inimigos separados por grupos e o jogador tendo que selecionar qual grupo será alvo dos seus ataques e algumas magias “em área” na verdade causam dano apenas ao grupo selecionado.

A mudança no combate com muitos inimigos contra apenas o personagem do jogador acaba tornando as batalhas bem mais longas, mas de certa forma mais investidas.
A série sempre teve um foco muito grande em se aproveitar de séries de buffs e gerenciar eles para conseguir superar os desafios do jogo e nesse remake não é diferente. Pode levar um pouco de tempo, mas aos poucos o jogador vai adquirindo as “peças” necessárias para montar estratégias diferentes em como lidar com cada encontro.
Dragon Quest II e as mudanças dos remakes
Dragon Quest II, claro, acaba sendo muito similar ao primeiro jogo em aspectos técnicos por fazer parte do mesmo projeto, assim como os Pixel Remaster de Final Fantasy foram, mas aqui o ritmo e as maiores diferenças se encontram em relação ao jogo original.
O tempo total de DQI foi dobrado, indo de um jogo de 10 horas para um jogo de 20 horas principalmente pela adição de novas cutscenes, dublagem e até mudança no gameplay que alteraram como algumas coisas funcionam e a ordem dos eventos, mas DQII leva o prêmio nessa parte. Novos personagens para o seu grupo, um novo conjunto de personagens de suporte recorrente, muitas cutscenes e ele também ganhou algo que não fica muito evidente no jogo original, mas com esse panorama maior acaba fazendo muita diferença.
Com os 3 primeiros jogos da série sendo uma trilogia com uma história compartilhada, pode parecer estranho o terceiro jogo ter tido um Remake primeiro, mas isso se deve ao fato que ele se passa antes dos dois anteriores na linha do tempo. Com esses remakes considerando isso, agora DQII teve muitas mudanças para adicionar o peso de ser o fechamento real dessa trilogia.

Trilha sonora
A trilha sonora aparenta ter algumas faixas reaproveitadas de alguns títulos anteriores. Até mesmo alguns temas vindo diretamente do DQXI são imediatamente reconhecíveis, mas é inegável que ainda cai como uma luva esses temas nos remakes.
Isso sempre foi verdade pra série, mas como esses primeiros jogos são mais simples na apresentação, a música acaba preenchendo muito da experiência do jogo e é difícil não ouvir ela e imediatamente ficar com um sorriso no rosto já que ela ajuda muito a compor a vibe ultra positiva do jogo.
Desde a música de viagem pelo mundo, a música das diferentes cidades, das cavernas e até as que enfeitam algumas cenas de diálogo. A música dá muita vida e personalidade pro jogo e é absurdamente única, mas ainda com um sentimento de familiaridade muito forte, já que ela acabou virando a fonte de inspiração pra muita coisa.
Acessibilidade, localização e mudanças de qualidade de vida.
Quanto a localização, infelizmente o jogo não tem dublagem ou legendas em português. O que é um pouco curioso até, pois existem legendas em espanhol e espanhol da América Latina.
Já em acessibilidade, esse conjunto de remakes não oferece um conjunto realmente dedicado a pessoas com necessidades especiais, mas ele oferece muitas opções de qualidade de vida que quase que compensa por essa falta de opções dedicadas.

Além do grande rebalanceamento do jogo e estabelecimento de fast travel, o jogo também tem diferentes velocidades pro combate que podem ser alteradas em tempo real, opções para habilidades sugeridas que marcam as fraquezas dos inimigos, marcador de objetivos e até mesmo opções para ter a vida e magia preenchida com aumento de nível ou até mesmo invencibilidade se você só quiser ver o quê o jogo tem pra oferecer.
Veredito
Dragon Quest I & II HD-2D Remake é com certeza uma experiência diferente dos jogos originais, mas isso é por conta de uma abordagem e proposta diferente, para fazer com que essa nova visão da primeira trilogia da série seja homogênea. Contudo, isso não torna o jogo ruim, bem longe disso.
A apresentação do jogo ainda é fenomenal e ainda é super vivo o sentimento único da série e as animações novas para cada novo monstro são fascinantes, mas dá pra ver que ele tem muito recursos opcionais pensados para essa nova experiência mais guiada que o Remake acabou se tornando.
Sem dúvida é uma ótima porta de entrada para a série e talvez seja um dos melhores remakes de “menor escala” feitos pela Square Enix na última década.
Dragon Quest I & II HD-2D Remake já está disponível para PS5, Xbox Series Nintendo Switch 1 e 2 e PC via Steam.
*Chave para review cedida por Square Enix









