Se Don’t Starve fosse um cozy games ele possivelmente se chamaria Winter Burrow. Lançado em 12 de novembro, sendo desenvolvido pelo estúdio Pine Creek Games e publicado pela Noodlecake, para as plataformas PC (via Steam), Nintendo Switch e Xbox Series X|S e Game Pass Ultimate day one, o game tem um visual meigo e um background trágico que inspira recomeços e mudanças de vida em um mundo antropomorfizado.
Era uma vez
Em um mundo ocupado por muitas criaturas se desenvolveram cidades, mas nem todos se mudaram para elas. O ponto de partida do nosso protagonista é justamente esse: um camundongo filhote que ora com seus pais em uma toca. Em busca de uma vida melhor, a família abandona o campo e muda para a cidade, sendo os pais os pais do camundongo empregados em uma mina.
A vida dos desenhos mostrou-se um caos e extremamente exaustiva e após alguns anos os pais ficaram doentes e vieram a falecer. Reunindo suas forças e economia, nosso protagonista abandona a cidade e volta para a toca na qual cresceu. Já degradada pelo tempo, devemos restabelecer o que antes foi um lar aconchegante e sobreviver aos desafios da natureza e acontecimentos com os quais iremos nos deparar.

Com essa premissa narrativa, já começamos o jogo de volta à toca e a história segue o ritmo dos jogos de sobrevivência. Isso deixa o jogador bastante livre para explorar, conversar com NPCs e realizar eventuais missões conforme a sua vontade. Ao mesmo tempo que isso é bom, também pode trazer uma certa estranheza, já que certas missões parecem urgentes e pesadas para o passado do personagem com potencial de evoluir a história, mas na prática não.
Assim, ele acaba se perdendo no rumo narrativo em prol de beneficiar o aspecto survival. Essa decisão é uma faca de dois gumes, pois constrói expectativas que não se concretizam completamente e pode deixar os jogadores em dúvida em qual aspecto do jogo focar ou algum tipo de frustração.

Sobrevivendo de leve
Tudo o que esperamos de um gameplay de sobrevivência Winter Burrow apresenta de maneira bastante suavizada e pouco punitiva. Temos que buscar comida, nos aquecer, gerenciar estamina, obter materiais para construção de itens e o blueprint para itens melhorados. Estes itens melhorados irão permitir novas áreas ao permitir a remoção de barreiras específicas.
Entre os itens comentados anteriormente, a comida e demais recursos não são escassos e blueprints são obtidos realizando missões ou encontrados pelo mapa em bolsas perdidas. O que é mais punitivo é o frio, ele limita o nosso tempo de exploração e torna cada saída com um planejamento diferente. Caso nosso personagem perca toda vida ele desmaia e volta para a toca, porém sem os itens que estavam na mochila.

Outro motivo que pode levar os jogadores desmaiados para a toca são os combates. Pelo mapa encontraremos os inimigos (normalmente insetos), que poderemos enfrentar para sobreviver e coletar alimento. A ênfase aqui é na palavra “pode”, porque comumente não será esse o motivo do retorno, já que os combates são simplistas é bastante fáceis de lidar.
Dentro da toca a gameplay funciona de outra forma, podendo realizar ações de construir móveis para mobiliar a casa, cozinhar e costurar. Essas ações normalmente liberam novos espaços pela toca e geram recursos mais aprimorados a partir de recursos primários (como galhos, pêlos de raposa, pedras).

A facilidade do combate e o fato de ser pouco punitivo pode alertar os fãs de games hardcore de sobrevivência. Porém, suas mecânicas e outros elementos citados parecem ser implementados propositalmente, focando em um público mais amplo e sendo um game que une o satisfatório com a sobrevivência. Sem dúvida isso torna suas mecânicas mais amenas e acessíveis, o que é positivo e pode ser considerado um bom título de entrada para o gênero.
Planejamento e exploração
Por mais leve que o jogo pegue com o jogador, Winter Burrow pede uma atenção maior quando sua vontade é explorar para além dos limites da sua toca. Planejar quais recursos levar para se aquecer e ferramentas que podem ajudar a extrair a maior quantidade de recursos possíveis é essencial. Não chega a ser complexo, mas mostra uma tentativa de tentar retomar o aspecto narrativo para realizar as missões ativas.
Já na exploração, o jogador está por conta por não ter acesso a mapas ou pontos de referência. Para se localizar temos apenas as pegadas na neve que muitas vezes também ajudam a confundir um pouco mais por onde passamos ou não. Permitir que o jogador criasse pontos de referências ou liberasse o mapa aos poucos seria uma ação interessante e incentivaria a explorar mais.

Ainda no aspecto de exploração, mas com elementos de diálogos dos npcs, o game sofre com a escassez de informação já passada. Basicamente, quando conversamos com um npc e ele nos diz os pontos de referência no qual ele perdeu itens que você terá que buscar, após o diálogo a informação das localizações se perdem.
Seja na tela de missões ou qualquer outro lugar, não podemos rever o que foi dito. Esse tipo de busca pode ter seu propósito, mas não combina a proposta simplificada de gameplay.
Visual impecável
Quando o assunto é visual e ambientação o jogo dá um show! Suas ilustrações são muito bem feitas e conseguem trazer o ar de melancolia quando é preciso, bem como as demais nuances.
Sendo sua arte toda feita à mão, podemos ver o capricho do estúdio nos detalhes apresentados. Como forma de contar momentos da história, temos a utilização de imagens estáticas, o que se mostrou uma escolha certeira e que trouxe um charme ainda maior para o jogo.

Sua sonorização não está menos trabalhada e com atenção aos detalhes. A troca das músicas entre os ambientes e barulhos pelo mapa auxiliam na imersão e transmitem a sensação de segurança, desconforto e ameaça na medida certa para a proposta de Winter Burrow.
Por exemplo, ao explorar o mapa temos uma soundtrack mais dinâmica e que busca criar um clima de tensão. Porém, ao entrar de volta na toca, a música muda para algo mais aconchegante e deixa claro que estamos em um lugar seguro.
Veredito
Winter Burrow é um cozy game de sobrevivência com visual impecável e gameplay acessível pela sua simplicidade de comandos e formas fáceis de realizar as ações. Tudo no jogo é bastante intuitivo e funciona bem. Por não exigir muito do jogador, é facilmente indicado a um amplo público, inclusive para aqueles que não tem um grande apego a jogos survival.
Dois pontos que deixaram a desejar estão relacionados com suas missões e mapas. Elas não sabem impor urgência, o que nos faz questionar acontecimentos mostrados e omitem informações de forma desnecessária. Por parte dos mapas, poderiam ajudar um pouco na localização.
Mesmo com esses pontos jogando contra o game, o título é uma experiência divertida e vale a pena ser jogado!
*Chave para análise enviada pela Noodlecake para Nintendo Switch









