Já lançado para PC (via Steam) em 2024, “Acre Crisis” fará sua estreia nos consoles em 23 de outubro de 2025. Desenvolvido por David Pateti e publicado pela Sometimes You no Xbox Series X|S e PlayStation 5, o game se passa em terras tupiniquins e mistura experimentos científicos, sobrevivência e dinossauros com visuais inspirados em jogos de Playstation 1.

Narrativa

Se passando no Brasil, mais especificamente no estado do Acre, o game tem em sua narrativa a mescla de teorias da conspiração, guerrilheiros e experimentos científicos projetados por um cientista nazista. Tudo isso culminando na volta dos dinossauros que ficaram fora de controle e então aterrorizando a população.

A introdução do jogo é bastante direta, já contando ao jogador que os experimentos – intitulado de “Projeto Traíra” – foram iniciados em 1942 com o acolhimento de um cientista nazista. Porém, o projeto foi encerrado, a região deixada às mínguas e não se falou mais do que estavam pesquisando.

Acre Crisis - 1
Reprodução/Somentimes You

Já no ano de 1992 uma equipe da Polícia Militar do Brasil é enviada para a região a fim de investigar o ataque de animais selvagens. Como desgraça pouca é bobagem, o helicóptero é derrubado e os membros do esquadrão se perdem, tendo como tarefa para a Subtenente Tais D. Oliveira resgate do esquadrão e solucionar os misteriosos ataques.

Sem dúvida a narrativa é bizarra, porém ela é bem contada e bem direta ao ponto. Podendo ser finalizado em pouco mais de três horas, Acre Crisis é coerente e divertido dentro de sua proposta. Os personagens de maneira geral são bem elaborados e os diálogos coerentes para a narrativa, o que torna a campanha boa.

Visual e Som

Visualmente o jogo segue a estética dos jogos de PlayStation 1, podendo ser tomado como referência os jogos feitos para serem demakes de títulos atuais. Devido a escolha artística temos personagens sem expressões faciais muito diferenciadas e inimigos não tão definidos em suas movimentações. Quando unimos os detalhes comentados anteriormente com a ambientação, temos uma boa composição devido ao alinhamento estéticos dos elementos que formam o jogo.

Ainda na questão de ambientação, os cenários são amplos e bem trabalhados. Ao longo da campanha encontraremos vilas de moradores, cidadezinhas abandonadas, aeroportos e campos de garimpo. Todos bem caracterizados e com elementos suficientes para caracterizá-los como um local que você esperaria ver na localidade em que se passa o jogo.

A parte sonora do jogo passa um pouco batida. Primeiramente, porque os diálogos são representados por ruídos de rádio e apresentados escritos na tela. Além disso, nas andanças pelas florestas, o som não apresenta muita diferença. Por mais que ele tente direcionar para qual lado está o dinossauro, é muito mais prático correr para uma área aberta do que se guiar por ele para o combate.

Acre Crisis - 3
Reprodução/Somentimes You

Combate e Modos de jogo

Falando em combate, vale ressaltar que Acre Crisis não apresenta apenas o modo campanha. Caso o jogador queira caçar mais dinossauros, ele pode optar pelo modo horda solo ou multi jogador. Neste modo serão enviadas ondas de inimigos para serem derrotados, assim, podendo tentar se superar a cada nova tentativa.

Agora, sobre o combate de forma geral ele funciona muito melhor em sua versão PC do que consoles. Isso porque o mapeamento do controle impede que movimentos como andar (analógico l), mirar (analógico R), erguer a arma (RT) e atacar (B) sejam feitos de uma única vez. Assim, a gun play fica comprometida quando feita contra muitos inimigos ou aqueles que são mais rápidos.

Procurando nas configurações, não há a possibilidade de mapear o controle, o que poderia ajudar nesta situação. Como recurso para amenizar o mapeamento foi implementado o auxiliar de mira, bastante funcional na luta contra os pterodátilos que atacam sozinhos em um ponto do jogo, porém não muito eficiente nas demais situações.

Assim, a forma com que os comandos estão dispostos acaba deixando o jogo um pouco travado no embate direto e trazendo mortes em situações bobas pela lentidão do processo de mirar. Em muitos cenários acaba sendo mais fácil evitar os combates e correr floresta adentro.

Acre Crisis - 4
Reprodução/Somentimes You

Uma sopa de referências

Em poucos minutos de gameplay já ficam claras algumas das referências utilizadas para o game. De Resident Evil a Dino Crisis, temos uma ambientação escura, vilar e garimpos abandonados e elementos mais óbvios como os experimentos que levaram aos acontecimentos do jogo. A própria protagonista, Tais, que em personalidade também lembra a icônica policial de Racoon City, Jill Valentine.

Ao matar os dinossauros ganhamos pontos que são utilizados para comprar armas e skins em zonas seguras. Reforçando as inspirações, entre as skins disponíveis encontramos a personagem com a camiseta do Brasil, ao estilo Resident Evil e muito mais. são novos modelos que trazem um ar bem humorado e divertido para o jogo.

Veredito

Acre Crisis é um jogo exótico. Por mais que tenha problemas com o mapeamento de controle, que torna sua gameplay lenta para o combate, sua narrativa chama a atenção. Seja por suas referências divertidas e bem utilizadas ou por sua ambientação e estilo artístico que são envolventes, o título desperta desperta curiosidade e traz uma narrativa competente no final das contas. Seu modo horda pode estender a gameplay para quem quiser caçar mais dinossauros.

*Chave para análise recebida para Xbox Series pela publisher Sometimes You

REVER GERAL
Narrativa
Gameplay
Visual
Ambientação
Sonorização
Renan Alboy
Mestre em Ciência da Computação e Jornalista. Editor Chefe do O Megascópio e apaixonado por jogos!
critica-acre-crisis-traz-dinossauros-e-experimentos-ilegais-ao-brasilAcre Crisis é um jogo exótico. Por mais que tenha problemas com o mapeamento de controle, que torna sua gameplay lenta para o combate, sua narrativa chama a atenção. Seja por suas referências divertidas e bem utilizadas ou por sua ambientação e estilo artístico que são envolventes, o título desperta desperta curiosidade e traz uma narrativa competente no final das contas.