Após um longo sono de catorze anos, a clássica série Shinobi foi despertada pelas hábeis mãos da desenvolvedora francesa Lizardcube, o estúdio por trás do aclamado remake de Wonder Boy: The Dragon’s Trap e de Streets of Rage 4.
Publicado pela Sega, Shinobi: Art of Vengeance é um retorno triunfal, oferecendo uma abordagem modernizada, mas ferozmente respeitosa, da ação side-scrolling em 2D que tornou Joe Musashi um nome familiar para uma geração de jogadores.
Lançado em 29 de agosto de 2025 para todas as principais plataformas, o jogo é uma experiência visualmente deslumbrante e mecanicamente profunda que honra seu passado enquanto afia sua própria identidade. É uma história de vingança tanto em sua narrativa quanto em sua própria existência, uma declaração de que a ação arcade clássica, quando executada com tanta paixão e precisão, está longe de ser uma relíquia.
Uma dança de aço e estratégia: jogabilidade e mecânicas
Em sua essência, Shinobi: Art of Vengeance é uma aula de design de ação em 2D. A jogabilidade é construída sobre uma base de velocidade, agilidade e precisão letal. Os jogadores controlam o legendário mestre ninja Joe Musashi, sendo incrivelmente responsivo e poderoso desde o início.
Seu arsenal de movimentos é muito expandido em relação aos clássicos, incluindo um gancho de garra para travessia rápida, garras para escalar superfícies verticais e um planador para cruzar grandes abismos. Essa mobilidade ampliada torna a navegação por cada nível uma experiência fluida e emocionante, incentivando a exploração para descobrir caminhos secretos e valiosos Artefatos Oboro usados para melhorias.
O sistema de combate é onde o jogo realmente brilha. As principais ferramentas de Musashi são sua confiável katana para devastação corpo a corpo e um suprimento de kunais para eliminar inimigos à distância. No entanto, a profundidade estratégica vem do brilhante mecanismo de Execução. Ao enfrentar inimigos com ataques e aparos bem cronometrados, os jogadores enchem uma barra que, uma vez cheia, permite uma morte instantânea na maioria dos adversários.
Esse sistema incentiva brilhantemente uma jogabilidade habilidosa e agressiva, em vez de evasão cautelosa, pois essas execuções recompensam o jogador com recursos cruciais. Isso cria um ciclo de risco e recompensa satisfatório que é constantemente cativante e é complementado por poderosos ataques mágicos de ninjutsu e técnicas especiais ninpo, que oferecem maneiras espetaculares de limpar a tela quando sobrecarregado.
O desafio do jogo é substancial, remetendo à dificuldade de seus antecessores, mas permanece justo e acessível por meio de uma curva de dificuldade bem implementada e um sistema robusto de upgrades, onde novos movimentos, amuletos passivos e roupas alternativas podem ser comprados, permitindo que os jogadores personalizem a experiência para seu estilo de jogo.

Uma pintura viva: arte e som
É impossível discutir Shinobi: Art of Vengeance sem elogiar sua estética deslumbrante. A Lizardcube mais uma vez aproveitou sua expertise em animação desenhada à mão para criar um mundo que parece um mangá japonês jogável ou uma pintura dinâmica de sumi-e (pintura com tinta nanquim).
Cada quadro é meticulosamente detalhado, desde a fluidez das animações acrobáticas de Musashi até os designs expressivos dos inimigos e chefes. A direção de arte é uma fusão perfeita das sensibilidades da animação francesa e das influências artísticas tradicionais japonesas, resultando em um estilo visual que é ao mesmo tempo nostalgicamente evocativo e impressionantemente moderno. Os ambientes, desde uma vila em chamas até caminhos montanhosos serenos, são ricos em atmosfera e contam uma história por si só.
A experiência auditiva é tão bem trabalhada quanto a visual. O lendário Yuzo Koshiro, cuja música icônica definiu os jogos originais, retorna ao lado do talentoso Tee Lopes, famoso por Sonic Mania. Esta colaboração produziu uma trilha sonora que mistura perfeitamente os tons nostálgicos e pulsantes de synth-rock da era arcade dos anos 80 com elementos orquestrais e eletrônicos modernos.
A música reforça perfeitamente a ação, amplificando a tensão do combate e a solenidade dos momentos mais pungentes da história. O design de som, desde o shing afiado da katana até o baque de um kunai bem lançado, é nítido e impactante, fazendo com que cada ação pareça tangível e poderosa.

Veredito
Shinobi: Art of Vengeance é muito mais do que uma simples viagem nostálgica; é um capítulo definitivo e essencial no legado de Shinobi. A Lizardcube demonstrou um profundo entendimento do que tornou os jogos originais especiais, enquanto implementava, sem medo, novas ideias que elevam a experiência aos padrões contemporâneos.
A narrativa de vingança, liderada por um Joe Musashi estoico, porém relutável, fornece uma forte motivação para superar os belos e brutais desafios que aguardam. O casamento de um combate profundo, baseado em combos, com um design de nível expansivo e favorável à exploração cria um ciclo de jogabilidade gratificante que manterá os jogadores engajados do início ao fim.
Coroado com o que é, sem dúvida, um dos gráficos desenhados à mão mais bonitos do gênero e uma trilha sonora fenomenal de compositores lendários, o jogo é um pacote sensorial completo. É uma carta de amor escrita não apenas para os fãs de Shinobi, mas para todos os entusiastas de plataformas de ação e design de jogos clássico.
Art of Vengeance não busca apenas vingança pelo clã Oboro; ele vinga com sucesso a longa espera que os fãs suportaram, entregando um clássico moderno que garante o lugar da franquia no futuro.

Shinobi: Art of Vengeance já está disponível para Playstation 4 e 5, Xbox One e Series X|S, Nintendo Switch e PC via Steam.
*Análise escrita com chave para PC cedida pela Sega









