BloodRush: Undying Wish lança os jogadores em um mundo decadente onde a própria Morte desapareceu, condenando a humanidade a uma imortalidade vazia.
Desenvolvido pelo estúdio brasileiro Lightmancer Studios e publicado pela Nuntius Games, este roguelike de ação combina o ritmo frenético de Devil May Cry com a profundidade estratégica de Hades, tudo envolto em uma estética pixel art sombria.
Gameplay
Lançado em Acesso Antecipado em 1º de julho de 2025, o jogo estabelece sua identidade de imediato: uma experiência de combate implacável e centrada em movimento, onde hesitar significa morrer.
Os jogadores encarnam o Estranho, uma figura enigmática que enfrenta o Culto da Eternidade em arenas góticas mutáveis. A vida drena continuamente, exigindo agressividade — cada esquiva, tiro e golpe corpo a corpo precisa encadear-se em combos não apenas por estilo, mas para sobreviver. Executar inimigos recupera o Sangue vital, transformando confrontos em proezas de precisão coreografadas.
A versão atual inclui quatro armas (como o Cetro Gnóstico e a Trombeta Tempestuosa), 20 talentos e oito combos, com planos de expandir para seis armas e mais de 30 aprimoramentos até o lançamento completo em 2026. Esse ciclo é eletrizante e exige improviso, mas problemas de equilíbrio — como inimigos-bomba desproporcionais — lembram que ainda é um trabalho em progresso.

Visuais
Visualmente, o jogo é uma obra-prima sombria. Cenários em pixel art banhados de roxos, carmesins e cinzas evocam um reino gótico em ruínas, enquanto arenas como a Floresta da Bruxaria, repleta de espinhos, introduzem perigos ambientais que elevam a complexidade do combate.
A direção de arte remete à grandiosidade soturna de Bloodborne (ganhando o apelido de Bloodborne BR), mas cria identidade própria com animações fluidas e designs de criaturas impactantes — bonecas vingativas, espectros e chefes de anatomia retorcida. Uma trilha sonora melancólica, dominada por cordas, amplia a tensão, embora recue durante o combate para dar espaço ao estalar de aço e tiros.
O cuidado da Lightmancer com a atmosfera estende-se à narrativa: a história desdobra-se gradualmente em partidas por meio de estátuas enigmáticas e diálogos com chefes, explorando temas como perda, trauma e o vazio deixado pelo sumiço da Morte. Ainda assim, pequenos problemas técnicos — como travamentos no tutorial ou bugs no Steam Deck — quebram a imersão, típicos da fase de Acesso Antecipado.

Progressão
A progressão roguelike brilha na diversidade de builds e na integração narrativa. Cada partida inicia no Centro da Arena, permitindo escolher sequências de desafios para obter aprimoramentos específicos.
Talentos e combos desbloqueáveis — como builds focadas em contra-ataques ou velocidade — incentivam experimentação, enquanto o Sistema de Ardil recompensa estilo de jogo com bônus passivos. Chefes como Cássio — uma monstruosidade em múltiplas fases que exige maestria em esquivas e contra-ataques — funcionam como testes de habilidade e pilares narrativos, revelando fragmentos das motivações do Culto.
Essa narrativa fragmentada evita exposição excessiva, embora a mecânica de cura do segundo chefe frustre alguns jogadores. Atualizações futuras prometem sinergias mais ricas, como o Sistema de Constelações para customização aprofundada.
A rejogabilidade já é sólida: as 6–8 horas de conteúdo atuais são gratificantes, mas o cronograma — incluindo mais dois chefes, a arma Canhão de Sangue e expansões da história até 2026 — aponta para uma visão mais ambiciosa. O feedback dos jogadores molda ativamente essa evolução: patches recentes reequilibraram habilidades como o Gatilho de Sangue e adicionaram melhorias como cronômetros focados em combate.

Veredito
Em Acesso Antecipado, BloodRush é promissor e imperfeito. Seu combate é uma revelação — fluido, exigente e expressivo —, mas bugs e desequilíbrios lembram que é um projeto inacabado. A transparência dos desenvolvedores, com cronogramas detalhados e patches ágeis (como o ajuste de dano do Tiro Preciso em 4 de julho), inspira confiança.
Para quem busca um roguelike gótico e frenético, esta é uma aventura eletrizante. Jogadores cautelosos podem preferir esperar até 2026, quando quatro chefes, oito arenas e uma história concluída aguardam.
De qualquer forma, a Lightmancer Studios forjou uma dança violenta e bela — onde cada passo é uma luta pela vida, e cada gota de Sangue derramada sussurra sobre o retorno da Morte.

BloodRush: Undying Wish já está disponível para PC via Steam.
*Análise escrita com chave para PC cedida por Nuntius Games









